AsBAI e reserva ilegal de mercado

Em meu artigo final da pós em iluminação, um dos assuntos que retratei foi a insistente tentativa de fechamento da área de LD para arquitetos. Na verdade trata-se de uma reserva de mercado ilegal perante o Código Civil e antiética com o mercado. Porém não imaginava na época que o caso estava tão sério e grave.

Em meio a tantos discursos alienados e corporativistas de alguns ex-diretores, percebo que a “nova geração” continua com a mesma cabeça oca, com os mesmos pensamentos idiotizados baseados numa lógica corbusiana insustentável para os dias atuais.

Rafael Leão – da “nova geração” – assumiu a presidência em Janeiro/2012. Sob o discurso de renovação e revisão de alguns pontos fundamentais dentro da associação percebe-se que o principal ponto que deveria ser revisto continua na mesma: a reserva ilegal de mercado para arquitetos.

Em sua entrevista à revista Lume Arquitetura (edição atual), Rafael reafirma tudo o que já foi dito pelas diretorias anteriores. É o mesmo blábláblá de sempre sem qualquer fundamentação teórica consistente. Baseiam-se em meros achismos, suposições e, principalmente, em corporativismos demonstrando que esta associação está muito aquém do que o mercado realmente necessita e merece, especialmente no quesito seriedade bem como desconhece completamente a formação acadêmico/prática de outros profissionais que atuam no segumento.
Apesar de insistirem no discurso de que seguem os padrões do PLDA e do IES, percebe-se que essa insistente tentativa de fechar o mercado desmente claramente isso.

Segundo ele,

 “(…) a associação é democrática(…) Os interesses da associação são os mesmos dos profissionais de iluminação e não apenas de seus fundadores.”

Mentira descarada! Conheço vários profissionais – inclusive arquitetos – que não concordam com determinadas posturas da AsBAI e preferem manter-se distantes. Não concordam com a reserva de mercado, não concordam com o discurso ufanista, e não conseguem um canal de comunicação decente com a associação.

Na própria entrevista ele coloca sobre cursos e palestras em faculdades de arquitetura. Porque não estender também às faculdades de Design de Interiores/Ambientes, engenharia e outros mais? Aliás, porque aceitar desenhistas industriais e não aceitar designers de interiores/ambientes, o pessoal da cênica entre tantos outros profissionais de outras áreas que trabalham tão bem – ou até melhor que muitos membros – com a luz?

Ele alega que a regulamentação profissional do LD é algo muito complexo e desnecessário. Claro! Afinal na sequencia ele deixa claro que já estão em contato com o CAU, pois é de extrema importância que profissão de “arquitetura de iluminação” (SIC) seja formalmente reconhecida por este conselho e venha a fazer parte do Colégio Brasileiro de Arquitetos.

Isso só confirma o seguinte: eles sabem que num Projeto de Lei (PL) de regulamentação profissional no Congresso Nacional (CN), a tentativa de fechamento do mercado (reserva ilegal de mercado) para os arquitetos será o motivo claro para que o CN rejeite o projeto ao perceber que muitos outros profissionais, não arquitetos, e que desenvolvem projetos até melhores que a maioria dos membros e associados da AsBAI ficarão de fora e não mais poderão atuar. As comissões do CN irão rejeitar de pronto isso e nem mesmo o lobby que os arquitetos tem lá dentro serão capazes de superar isso. E, caso o lobby vença, irá acontecer o mesmo que aconteceu com o CAU: o Gabinete da Presidência não irá sancionar e o projeto terá de refazer todo o trajeto com as alterações especificadas, especialmente a inclusão de outros profissionais. Então é preferível ir pelos bastidores na tentativa desse golpe* estúpido e desrespeitoso não só com os diversos profissionais, mas especialmente com o mercado.

Eles tentam fazer isso porém, ele mesmo (e outros diretores e membros) afirma que em sua formação em arquitetura não houve um conhecimento aprofundado na área de iluminação – como em qualquer outro curso de arquitetura – e assume que teve de pesquisar por fora depois de formado para entender mais sobre iluminação.

Também não posso deixar de citar que a exigência de mestrado ou doutorado ligados à arquitetura é algo idiotizado já que é sabido que estas duas pós-graduações são destinadas àqueles profissionais que visam atuar no meio acadêmico e não no mercado. Para o mercado as especializações e MBAs são mais que suficientes e eficientes que os mestrados e doutorados por serem mais práticos e não excessivamente teóricos. É apenas mais uma fundamentação ridícula na tentativa de reservar o mercado já que também é sabido que dificilmente um Designer de Interiores/Ambientes ou alguém vindo da área Cênica consegue entrar num mestrado ou Doutorado em arquitetura, ao menos aqui no Brasil estupidamente corporativista e melindroso.

Outro ponto interessante na entrevista é que ele prega que os profissionais ligados à AsBAI são livres de conflitos de interesse (ligação direta com a indústria) porém não é bem isso que tenho visto. São vários os membros desta associação que estão descaradamente ligados a uma ou outra indústria, fato que retrato em minha mais recente coluna da revista Lume Arquitetura.

Sou associado AsBAI desde 2005. Recebi minha carta de aprovação de associação no dia de minha formatura no curso de Design de Interiores (não me esqueço dessa data). De lá para cá se recebi cinco e-mails desta associação até hoje foi muito. E, pelo que me lembro, foram apenas relativos à anuidade.  Nesse tempo houve um recadastramento dos associados. Não recebi qualquer notificação relativa a isso. Mas recebi sim uma cobrança pelo atraso do pagamento de uma parcela da anuidade da qual eu não tinha recebido o referido boleto. Entrei em contato para resolver a situação e descobri sobre o recadastramento e que o mesmo já tinha terminado o prazo. Solicitei então como fazê-lo e houve uma lacuna de mais de 3 meses para solução. Ao tentar fazer meu recadastramento, vários erros de sistema ocorreram e não consegui efetua-lo e tive de fazê-lo por e-mail (tenho todas as provas aqui em meu back-up).

Hoje, ao observar o site “remodelado e renovado” percebi que fui rebaixado a mero assinante e que meu cadastro consta como região sudeste!!! Mas o pior foi observar os tais aspirantes, e perceber vários profissionais com menos de 1 ano de mercado (nem deu tempo de fazer uma especialização após a formatura), muitos outros com até 3 anos de mercado, 5 anos de mercado…

E eu, um mero assinante… WOW!!!!!

Não há qualquer diálogo ou seriedade por parte da AsBAI com seus associados que pagam a anuidade.

É difícil acreditar numa associação que age nos bastidores visando apenas o benefício próprio e de poucos profissionais. Mais difícil ainda acreditar quando percebemos que suas ações são meramente teatrais na fachada, mas essencialmente danosas e antiéticas com a sociedade e o mercado.

Falta muita ética à AsBAI. Aliás, isso é um ponto que acredito que esta associação desconhece completamente apesar de seu código de ética, feito apenas pra inglês ver.

Portanto, vamos parar de palhaçada e de agir como criança mimada e melindrosa com medo de perder o doce e agir como adultos sérios e, principalmente honestos?
Pretendo que este post abra um canal de diálogo com esta associação onde a dialética prevaleça baseada na seriedade, honestidade e transparência. Mas, se houver retaliação com a minha expulsão da mesma eu não me importo. Afinal este ato somente estará confirmando o que eu denuncio aqui além de ser um dinheirinho a mais que economizarei anualmente.

Profissionais de iluminação e LD fiquem atentos a mais este golpe que está sendo arquitetado (não peço desculpas pelo trocadilho) nos bastidores.

* Vale ressaltar aqui que o atual PL de regulamentação do Design eliminou Design de Interiores das áreas por força deste lobby dos arquitetos. Segundo Ernesto Harsi – um dos autores do texto base – isso se deu para “não entrar em conflito com os arquitetos e o consequente arquivamento – novamente – do PL.

Sejamos honestos?

Eu estava já a bastante tempo pensando em escrever sobre um assunto que eu sei que é espinhoso e que certamente muitos irão me criticar por causa dele. Anteontem a Rô, do blog Simples Decoração, soltou o link de uma matéria da ArcoWeb que me encorajou a fazê-lo já que o texto apresenta dados reais sobre o que eu quero escrever.

Bom, em primeiro lugar temos de parar essa onda de que a profissão A é melhor e mais completa que a B. Digo isso pelo simples fato de que não é a profissão que é melhor e sim que existem excelentes profissionais e péssimos profissionais, de todos os lados e em todas as profissões. Raríssimos são os que saem de uma faculdade com um nível de excelência profissional. Por isso, arquitetos recém formados, abaixem seus topetes quando forem se referir aos designers ok?

Como se pode observar na primeira parte da matéria, até mesmo os grandes e renomados profissionais não são tão perfeitos como apresentam ser. Percebe-se nas linhas escritas pelo jornalista certo susto com o que foi descobrindo à medida em que buscava informações sobre o assunto da pauta: a NBR 15.575 que trata do desempenho das edificações.

Ela vem dividida em cinco partes:

ABNT NBR 15.575-1 Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho
Parte 1: Requisitos gerais
ABNT NBR 15.575-2 Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho
Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais
ABNT NBR 15.575-3 Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho
Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos internos
ABNT NBR 15.575-4 Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho
Parte 4: Sistemas de vedações verticais externas e internas
ABNT NBR 15.575-5 Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho
Parte 5: Requisitos para sistemas de coberturas
ABNT NBR 15.575-6 Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho
Parte 6: Sistemas hidrossanitários

Como podemos perceber logo de início da matéria, o reporter que fez a pauta encontra-se (podemos dizer) “assustado” ao constatar que “Na tentativa de saber como alguns escritórios de arquitetura estariam se preparando para trabalhar com base na NBR 15.575, que será exigida a partir de 12 de março de 2012, a reportagem obteve apenas uma resposta positiva,(…)“.

Isso porque, segundo a própria matéria, os escritórios foram escolhidos à dedo baseado em seu renome e reconhecimento junto ao mercado e à sociedade.

“Em outras tentativas, a reportagem deparou com o absoluto desconhecimento sobre a primeira norma brasileira a definir níveis de desempenho para edificações habitacionais. “Do que trata exatamente essa NBR?”, perguntou à repórter um conhecido e atuante arquiteto.”

Se assim é com os grandes, fico tentando imaginar como não deve ser com os menores e recém formados…

Portanto, volto a afirmar o que escrevi acima: antes de julgar outro profissional, PROVE que você é melhor que ele, na prática, e não apenas nos discursos. Seja ético e cumpra com as tuas obrigações profissionais. Conhecer e atender às Normas é parte fundamental deste processo.

Muitas vezes eu já escrevi que os profissionais tendem à mascarar a realidade para iludir e ganhar os clientes:

Já a secretária de um consagrado escritório de arquitetura não demonstrou nenhum constrangimento ao sugerir que seria perda de tempo falar com seu chefe. “O assunto é norma técnica? Ele não se liga nisso, não”, garantiu.

Foi uma excelente tática da repórter conversar com a secretária. Se tivesse falado diretamente com ele, teria ouvido um monte em “embromês” na tentativa desesperada de justificar o injustificável: a não aplicação de elementos essenciais ao seu trabalho. Os outros escritórios que a repórter entrou em contato para a matéria nem se dignaram a retornar a ligação.

A NBR 15.575 estaria em vigor desde maio de 2010 se não fosse a histeria coletiva dos arquitetos que não se antenaram a esta norma e conseguiram adiar a data. De maneira geral, como se pode ver no texto da reportagem, a grande maioria não estava pronta para assumir as responsabilidades que esta norma impõe sobre a atuação do profissional. Participo de diversos fóruns na web sobre design, arquitetura, engenharia elétrica e civil entre outros. Não vi, especialmente nos de arquitetura, qualquer debate sério sobre o assunto. Sempre que alguém tenta entrar no assunto, ou recebe respostas grosseiras ou o tópico cai no esquecimento ficando abandonado às moscas.

Claro que esse adiamento não veio apenas  por parte dos arquitetos e reconheço que quem teve mais força nisso foram as construtoras (através da CBIC) que sentiram um delicioso gosto de fel em suas gargantas ao terem de primar pela qualidade em suas construções ao mesmo tempo em que viram seus lucros diminuir à medida em que a exigência de qualidade dos materiais utilizados aumentou ou seja: basta de materiais de quinta categoria.

De qualquer forma, isso tudo só vem para corroborar com o que eu já escrevo a muito tempo: não é porque você fez arquitetura que você é melhor que qualquer outro profissional. Não é porque você fez arquitetura que você tem o direito de humilhar e pisar em profissionais de áreas correlatas. Você é apenas mais um arquiteto. E convenhamos, tem muitos por aí que saem das faculdades sem saber fazer uma PB decente, quiçá um projeto arquitetônico.

Não, não venham me apedrejar e culpar por escrever isso aqui. Ataquem quem realmente deve ser atacado e que são os verdadeiros responsáveis por isso: as UniEsquinas que oferecem cursos péssimos no padrão PPP (Papai Pagou Passou), as associações, sindicatos e conselhos que não funcionam como deveriam e os profissionais que mancham a arquitetura com a sua péssima e irresponsável arquitetura.

Defesa da área como DESIGN

A seguir, a apresentação que fiz ontem (24/11) em São Paulo no Design na Brasa, na mesa sobre a regulamentação profissional, em defesa da área de Design de Interiores/Ambientes como uma especialidade do Design. Colocarei as imagens do PPT e farei alguns comentários sobre cada uma delas.

Sim, Design de Interiores/Ambientes também é Design!

Notem que risquei propositalmente a denominação Interiores pois estamos num momento de transição e formação de nossa identidade profissional. São muitos os profissionais que, assim como eu, rejeitam o termo e adotam AMBIENTES.

Isso se deve às velhas questões de cerceamento profissional impostas pelo termo “interiores” (entre quatro paredes) e as consequentes limitações profissionais. Os conhecimentos adquiridos por nós nos anos de faculdade nos habilitam a trabalhar além desta barreira imposta pelo termo “interiores”. Portanto, se você é formado, passe a adotar profissionalmente o termo AMBIENTES.

Infelizmente, apesar de todas as indicações e solicitações, o grupo que se reuniu para trabalhar na minuta do PL de regulamentação do Design resolver fazer tudo que eu e vários outros profissionais da área pedimos que não fizessem: foram atras da ABD, conversaram com Arquitetos em busca de informações sobre a área. Deu no que deu e acabamos ficando de fora da regulamentação.

A ABD é uma associação formada essencialmente por arquitetos decoradores e decoradores. Seu nome original é ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS DECORADORES – tanto que sua sigla continua sendo ABD.

Num ato da diretoria, resolveram anos atrás alterar a denominação para Associação Brasileira dos Designers de Interiores contudo, sem distinguir os tres profissionais que ela pretendia agregar: arquitetos decoradores, desoradores e designers de interiores. Para ela, são todos iguais à excessão dos arquitetos que tem atribuições mais amplas dada a sua formação acadêmica. Ela não consegue fazer essa distinção simplesmente porque desconhece completamente a área de Design de Interiores/Ambientes. Não faz a menor idéia de sua amplitude, multidisciplinaridade e tranversalidade.

Já, questionar arquitetos sobre Design também é uma furada pois ha muito tempo os cursos de Arquitetura eliminaram de suas matrizes as disciplinas que a aproximavam do Design. O que vemos hoje, no máximo, é História do Design. Também não são uma referência que pode ser levada à sério nesse contexto.

Outro fator que provoca a distorção da concepção da área é que a maioria dos professores dos cursos de Design de interiores/Ambientes ainda são arquitetos. A maioria deles sem qualquer especialização ou vivência em DESIGN. Muitos dos coordenadores são arquitetos e muitos cursos estão engessados aos departamentos de Arquitetura. Um erro tosco que precisa com urgência ser combatido.

Num vídeo de um encontro da ADG sobre a regulamentação do Design, o Ernesto Harsi deixa claro que, além da egocentrismo da ABD em retirar a área do PL de regulamentação do Design outro problema teria de ser evitado: o confronto e o consequente lobbye dos arquitetos no Congresso Nacional. Porém, mais uma vez isso ocorreu por mero erro de concepção sobre a área. Se tivessem prestado atenção – ainda na época do Orkut, na comunidade Regulamentem o Design Já – em tudo que eu e vários outros profissionais escrevemos sobre a nossa área, esse confronto fatalmente não ocorreria e não haveria porque ter medo dos lobbies.

Vale lembrar também que nos diversos países onde o Design foi ou está sendo regulamentado, a área de Design de Interiores/Ambientes está contemplada nos respecivos projetos de regulamentação ou Conselhos já criados. Porque aqui o Brasil tem de ser diferente. Porque aqui no Brasil deve-se amputar o Design desrespeitando os profissinais das áreas não contempladas?

Creio que já somos maduros o sufuciente para encararmos os lobbies de frente, denunciarmos qualquer ato autocrático afinal, vivemos numa democracia.

Bom, a partir daqui eu comecei a desconstruir a falsa idéia que é vendida – e defendida pela ABD – de que o Design de Interiores é uma “evolução” da Decoração.

Começamos essa análise por dados básicos:

1 – a carga horária

Nos antigos cursos de Decoração raros eram os que chegavam às 400 horas aula citadas. Na verdade, também fui bem bonzinho em colocar como mínimo de 54 horas. Existiam muitos cursos com 16, 20 e 36 horas aula. Na verdade, estes eram os que predominavam.

Já os cursos de Design de Interiores/Ambientes tem uma carga horária muito mais cheia que vão de 1800 a 2670 horas aula ou até mais que isso.

2 – Pré requisitos:

Nos antigos cursos de Decoração a exigência era a idade mínima de 16 anos e o ensino FUNDAMENTAL completo. E só.

Já para os cursos de Design de Interiores/Ambientes a exigência é o ensino MÉDIO completo.

3 – Modalidades

Os antigos cursos de Decoração eram cursos livres, ministrados por instituições como Senac, Sesc, Instituto Universal Brasileiro (por correspondência) e outros. Cursos livres não são classificados como modalidades de ensino, são apenas de complementação curricular ou para adquirir conhecimentos básicos.

Já os cursos de Design de Interiores são classificados como Técnicos (ensino médio), Tecnológicos e Bacharelados (ensino superior). Estes são ministrados por instituições de ensino oficiais e devem ter seus Projetos Políticos e Pedagógicos (PPPs) aprovados pelo MEC.

4 – Público alvo:

Quem buscavam os antigos cursos de Decoração eram, em suma, vendedores de lojas de artigos de decoração, arquitetos em busca de uma complementação curricular e as madames que queriam “dar um novo visual” para suas casas. Tanto é verdade isso que até hoje carregamos o estigma de que é um curso de “gente fresca, que não tem o que fazer, etc”, por causa da confusão gerada entre Decoração e Design de Interiores/Ambientes.

Já quem busca os cursos de Design de Interiores/Ambientes são pessoas conscientes, que não quere apenas “decorar ou melhorar o visual” de suas casas. São sim pessoas preocupadas em melhorar a qualidade de vida das pessoas onde quer que elas estejam, sejam em qual ambiente for.

Vamos então analisar as Matrizes Curriculares dos cursos:

Pois é, esta é a matriz curricular dos antigos cursos de Decoração. Quando havia alguma diferença era coisa pouca que não alterava o conteúdo. E olhem que ainda errei ao colocar “planta baixa” pois na verdade o que eles faziam era no máximo um layout dos espaços internos.

Quando havia alguma disciplina sobre desenho de móveis resumia-se ao mesmo padrão que os cursos de Arquitetura oferecem: a linguagem de marcenaria, que nada tem a ver com a linguagem industrial.

Agora, observem a matriz curricular dos cursos de Design de Interiores/Ambientes:

Ok, nem todos os cursos oferecem todas estas disciplinas ou a quantidade de módulos. Mas na essência é esta a Matriz dos cursos de Design de Interiores/Ambientes.

Tem como alegar que Design de Interiores/Ambientes é uma “evolução” da Decoração?

Não mesmo. Tanto que ainda existem cursos de Decoração sendo ofertados no mercado por algumas escolas livres.

Como se pode observar, Design de Interiores/Ambientes é uma área multidisciplinar. Eu diria até transdisciplinar pois ela passeia por praticamente todas as especialidades do Design e outras formações.

Exemplificando rapidamente:

Do Design de Produtos trazemos os conhecimentos sobre projetos de móveis, objetos e acessórios em linguagem industrial. Não é porque um móvel projetado para determinado cliente é único que ele não possa ser inserido num ciclo industrial afinal o seu projeto é em linguagem industrial, completo. Se colocarmos o projeto na boca da fábrica, o produto sairá lá no final da produção seriada e pronta para ser vendida em larga escala. Também não cabe aqui dizer que por serem praticamente projetos únicos ou exclusivos os que fazemos que não seja Design afinal, não devemos nos esquecer que em Design também se trabalha com produtos exclusivos (padrão A) onde são feitos peças únicas ou com edições limitadas. Também aproveitamos os conhecimentos sobre materiais, revestimento, resistência, ergonomia, etc.

Do Design Gráfico aproveitamos todo o conhecimento sobre as Cores (significados, psicologia, etc), semiótica, informação visual, identidade corporativa entre vários outros conhecimentos.

Do Design Têxtil, aproveitamos os conhecimentos sobre texturas, tramas, resistência, sensorial, etc.

Do Design de Moda aproveitamos, assim como todas as outras áreas, as tendências, os estilos, as linguagens, os signos, etc.

Ainda aproveitamos conhecimentos de outras especialidades do Design, mas creio que por hora já basta para entender que temos sim a nossa formação fincada na raiz Design. Mas não paramos por aqui…

Podem estar se perguntando do porque eu ter colocado Engenharia e não Arquitetura. Simples: estes conhecimentos são da Engenharia. A arquitetura apodera-se deles também para formar a sua Matriz.

Mas não paramos por aqui… também vamos além:

Exatamente isso! Usamos o objeto arquitetônico APENAS quando é o caso de um projeto que envolva um espaço arquitetônico. Apenas quando estamos trabalhando em projetos de interiores residenciais, comerciais, etc.

Porém, como coloquei no início desta apresentação temos rejeitado o termo Interiores exatamente por isso. Somos formados para ir muito além dos limites arquitetônicos. Somos formados para atuarmos em um amplo campo no mercado de trabalho que extrapola os limites arquitetônicos e vai onde quer que esteja um usuário.

Se há um usuário necessitando da solução de um problema, lá estaremos para atendê-lo.

Quem insiste em afirmar qualquer uma das duas coisas acima está simplesmente assinando o seu atestado de completo desconhecimento sobre a área.

Portanto, como já deu para perceber,

Não mesmo, nem de longe afinal,

Claro, a Arquitetura também trabalha nas questões do Urbanismo. Porém Design Urbano não pode e nem deve ser confundido com Urbanismo.

São coisas significativamente diferentes. O Design Urbano atua sobre o Urbanismo já implantado visando a melhoria da usabilidade, acessibilidade, embelezamento, humanização, etc. Ou, em casos de escritórios multidisciplinares (co-criação), ele já está presente desde o momento em que o arquiteto começa a pensar no plano urbanístico, num trabalho em conjunto com o designer.

Notem que no primeiro grupo temos a visão simplista e limitada daqueles que desconhecem a área (ABD). O segundo grupo, já é uma pequena ampliação.

Já escrevi em diversos posts neste blog sobre áreas de atuação profissional que vão além dos limites arquitetônicos. Resumindo, também podemos atuar

– nos interiores e automóveis

– nos interiores e exteriores de embarcações

– nos interiores de aviões

– em projetos de mobiliários e equipamentos urbanos

– em projetos de design urbano

Entre várias outras frentes que podemos, através dos conhecimentos adquiridos na academia, somos devidamente e legalmente habilitados para atuar.

Creio que não é necessário acrescentar mais nada sobre este slide.

Pois é, eis a grande questão: criamos um Conselho próprio ou, para agilizarmos o processo, nos enfiamos em algum já existente?

Dos possíveis existentes temos o CREA e o CAU. Mas vale ressaltar aqui alguns detalhes sobre isso:

CREA – começou a aceitar como associados os Técnicos em Decoração (posteriormente, Técnicos em Design de Interiores). Mesmo com o crescente aumento dos cursos superiores de Design de Interiores/Ambientes, eles se recusavam em fornecer as credenciais com nível superior e tampouco alterar as atribuições profissionais. Quem se filia ao CREA acaba jogando no lixo grande parte de seus conhecimentos adquiridos na faculdade pois ficara limitado às atribuições descritas no órgão. Porém, estas atribuições foram feitas quando existiam apenas os cursos de Decoração e não contemplam, nem de longe, a totalidade de conhecimentos que nós, designers de interiores/ambientes, possuimos.

CAU – Um conselho formado por e para arquitetos. Vale lembrar que foram os arquitetos que fizeram as atribuições dentro do CREA e também são eles que também confundem Decoração com Design de Ambientes. Certamente não será uma boa pois ocorrerão diversas ingerências na área do Design, por mais que venha a existir uma diretoria propria para o Design. O que eles sofriam dentro do CREA (mais engenheiros que arquitetos) fatalmente ocorrerá conosco.

Portanto, devemos sim lutar pela implantação de um Conselho Federal de Design. Pode demorar um pouco mais para estritura-lo, mas certamente é a melhor saída pois somente assim teremos condições de criarmos a nossa identidade e alcançarmos a nossa autonomia acadêmica e profissional.

Espero ter deixado claro que,

Já deu, agora basta ABD.

Não vou entrar em detalhe sobre os planos macabros da ABD em forçar uma regulamentação profissional separado do PL do Design, pois já escrevi exaustivamente sobre isso aqui no blog.

Também não vou falar mais sobre os porquês disso acontecer, pois já está tudo detalhadamente descrito aqui nas páginas deste blog.

A questão agora é: a ABD novamente mostrou a sua verdadeira face: hipócritas, umbiguistas e estúpidos. Estão pouco se lixando pra quem quer que seja que não faça parte de seu grupelho.

O fato é:

1 – estamos com o PL de regulamentação do Design nos trâmites finais no Congresso Nacional. Atualmente ele está na última Comissão e após isso é só esperar a assinatura da Presidente Dilma e pronto: O Design finalmente estará regulamentado aqui no Brasil.

2 – Diante do que escrevi em um e-mail particular para o Jéthero Cardoso  e ele, num ato estúpido, desrespeitoso e antiético, simplesmente apresentou o inteiro teor deste e-mail numa reunião para toda a diretoria da ABD. Assim, ela simplesmente resolveu forçar a entrada de seu projeto idiotizado de regulamentação da área de Design de Interiores através do deputado Ricardo Izar.

A questão é:

Estamos com um projeto sobre Design em trâmites finais. Agora, entra um segundo projeto, também sobre Design. É sabido que a maioria dos parlamentares desconhecem o que é Design, muitos ainda confundem Design com Artesanato ou Arte. O que vai acontecer?

“Acabou de passar por aqui um projeto sobre Design e agora vem esse outro?”

Sim, é esse o pensamento que vai rolar na cabeça dos parlamentares e querem saber o que isso pode implicar?

O impedimento da finalização da tramitação do PL do Design ou seja: todo o trabalho desenvolvido pela Comissão (Van Camp, Harsi, Patricia e tantos outros) nos estudos e confecção da minuta e posteriormente pelo Deputado Penna dentro do Congresso Nacional mais a pressão feita pela ADG nas Comissões e gabientes dos parlamentares vão pelo ralo. Literalmente falando, teremos mais um PL engavetado.

Parabéns ABD!!!

Mais uma vez vocês deixam claro que só se importam com seus próprios umbigos. São arrogantes, são ignorantes, são ingratos enfim, são o que são: LIXO!!!!

Pois então, para evitar que isso tudo aconteça, começo pelo seguinte:

Aqui está, oficialmente, o meu pedido de desfiliação dessa associação estúpida. Não vou ficar em suas fileiras dando a impressão de que concordo com seus atos arbitrários – sim, pois vocês NUNCA consideram o que os associados pensam, desejam, questionam. O que vale são apenas as suas vontades.

Em seguida, conclamo aos verdadeiros profissionais de Design de Interiores/Ambientes(os estudantes também)  filiados à ABD que também desfiliem-se dela.

Acordem gente, ela é apenas uma associaçãozinha, não tem poder legal para ditar absolutamente nada com relação ao mercado de trabalho, não tem direito algum a autorizar ou avaliar cursos nem nada.

No próximo post vou colocar a apresentação que fizontem (24/11) no Design na Brasa, defendendo a nossa área como DESIGN e diferenciando-a da Decoração. Na verdade esta apresentação serve também para refutar a visão reducionista que a ABD tem da área. Também uma associação formada por Decoradores e Arquitetos (não menosprezando-os profissionalmente) não tem a menor condição de entender a amplitude do Design de Interiores/Ambientes. Por isso eles relutam tanto em fazer a correta distinção das atribuições profissionais entre Arquitetos decoradores, Decoradores e Designers de Interiores/Ambientes. Para eles, quanto maior a confusão e desinformação sobre a área, é lucro… para eles apenas.

Também conclamo a todos a encaminharem e-mails ao deputado Ricardo Izar (dep.ricardoizar@camara.leg.br) repudiando integralmente o PL-4692/2012 (o projeto de regulamentação da ABD).

Também encaminhem e-mail ao Deputado Jose Luiz Penna (dep.penna@camara.leg.br) apoiando o PL de regulamentação do Design de sua autoria, repudiando o PL do deputado Izar e solicitando a inserção de nossa área no referido PL pós sanção presidencial.

Vejam bem: se inserirmos agora a nossa área no PL em tramitação o mesmo terá de voltar lá na primeira Comissão. Voltaremos à estaca zero!!! Portanto, o mais correto é:

Ficaremos aguardando a finalização deste PL de regulamentação do Design e, assim que a Presidente Dilma sanciona-lo, o deputado Penna irá entrar com uma emenda ao PL do Design inserindo a nossa área.

Portanto, não temos o que temer.

Seremos sim regulamentados junto com o Design.

The Gangs

Pois é meus amigos e seguidores, como sabem, no início do ano doei o projeto completo de LD para a reconstrução do Cine Teatro Ouro Verde aqui de Londrina que foi consumido por um incêndio diga-se de passagem, até hoje bem mal explicado. Há quem diga que existem provas contundentes que refutam o laudo pericial e apontam os reais responsáveis por esse incêncio. Mas como sempre aqui nessa terra o “cala boca” vale mais que a ética e a honestidade.

Fato é que foi instituída uma comissão formada por profissionais das diversas áreas para a execução dos projetos. À convite da reitoria, através de um protocolo de cooperação, o SINDUSCON/Londrina ficou responsável por convidar profissionais para este grupo. Entre eles, eu que fui aceito oficialmente pela reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL) após ter encaminhado aquele ofício para a reitoria doando o projeto que me respondeu positivamente através de ofício.

Participei de três reuniões com este grupo onde foram apresentados oficialmente os profissionais envolvidos e definidas as diretrizes dos projetos à serem executados bem como o cronograma.

Na última reunião para a qual fui convocado estavam presentes quase todos os projetistas e também alguns representantes da UEL. Inicialmente estranhou-me o fato da agressividade de alguns membros da comissão e da UEL para comigo, mas pensei ser impressão apenas.

Isso aconteceu até que soltaram a seguinte frase direcionada a mim:

“Vai ficar muito chato para este grupo apenas um profissional aparecer como doador dos projetos na placa oficial e nas mídias e todos os outros não.”

Claro minha gente, o único que havia doado oficialmente o projeto era eu. Todos os outros estavam cobrando através da parceria SINDUSCON/UEL ou diluindo os valores dos projetos na execução ou materiais.

E realmente, como explicar o porquê de eu ter doado o projeto e todos os outros não perante a opinião pública não é mesmo? Tão difícil fazer isso não é mesmo?

Fato é que ficaram me forçando a demover-me da idéia de doação do projeto. Não cedi.

Então começaram a me forçar a cobrar algum valor irrisório pelo projeto, mesmo que não o valor de mercado, para que eu não aparecesse como doador e ficássemos todos “iguais”. Depois de algum tempo analisando a situação, ficou acertado que seria cobrado de minha parte apenas o custo do desenhista cadista que seria necessário contratar para fazer os desenhos e plantas do projeto de LD, algo em torno de R$ 3.000,00.

Não obstante, um representante da UEL falou que havia uma empresa de São Paulo que iria assumir a parte da caixa cênica. Perguntei se só a caixa cênica e ele disse que sim, pois eles já tinham larga experiência no assunto (e realmente tem).

Tudo bem, eles com a cênica e eu com a arquitetural foi o que ficou acertado nesta reunião.

Depois desta reunião fui viajar a trabalho (montagem da Expoflora) e deixei de participar de algumas reuniões (eles estavam cientes disso). Nesse período eu recebia apenas os e-mails com as convocações para reuniões e as plantas encaminhadas pelos arquitetos.

Encaminhei durante o processo diversos e-mails à coordenação do grupo, aos arquitetos e engenheiros pedindo mais detalhamentos dos projetos já que trata-se de uma reconstrução original de um edifício tombado pelo IPHAN.

Sem respostas.

Também solicitei diversas vezes dados sobre o projeto original de iluminação bem como autorização para pegar um modelo de cada luminária original para fazer o desenho técnico e encaminhar às indústrias para verificação de viabilidade técnica para a confecção de novas luminárias, com o mesmo desenho, porém com tecnologia LED.

Também sem respostas.

Quando cheguei em Londrina, no meio de agosto, recebi um telefonema curto e grosso da coordenadora do grupo onde ela dizia que “agradecia a minha gentileza mas não precisavam mais de meus serviços pois havia uma empresa de São Paulo que estava assumindo toda a parte de LD do projeto.” Tentei entender o que estava acontecendo questionando-a mas ela não me deu maiores explicações e simplesmente desligou o telefone. A única coisa que ela afirmou é que realmente tinha uma empresa de São Paulo, que tinha feito a caixa cênica da Sala São Paulo e que tinha assumido toda a parte de LD do projeto.

Pesquisando na web descobri qual era a empresa e pude constatar que esta não tem qualquer experiência em iluminação arquitetural, na verdade em seu portfolio, site e em matérias relacionadas a ela não se vê absolutamente nada sobre esta área. Apenas a cênica

Interessante notar também que o representante da UEL, o Sr. Sidnei, através de um cruzamento de dados feita pelo Google e Lattes, tem relações com o proprietário da empresa contratada de São Paulo, inicialmente através da USP, certos professores de lá, bancas…

Encaminhei então no dia 06 de setembro de 2012, outro ofício à reitoria da UEL (protocolo n° 24415.2012.92) solicitando maiores esclarecimentos por parte da reitoria sobre o meu afastamento arbitrário desta comissão. Também entrei em contato diversas vezes por telefone e e-mail solicitando um posicionamento sobre o ofício e até o momento não recebi sequer um único telefonema.

Porém a reitoria e a equipe continuam atuantes no projeto de reconstrução do Ouro Verde…

E, para completar o circo montado em torno da reconstrução do nosso Cine Teatro Ouro Verde, agora sou obrigado a ver aquele mesmo grupo que me forçou a cobrar pelo projeto, aparecendo na mídia (e perante autoridades detentoras das verbas necessárias e a população que não faz idéia da sujeira que acontece nos bastidores desta cidade) posando como “anjos caridosos e benfeitores doadores dos projetos para a reconstrução”.

Uma OVA!!!

Todos ali estão cobrando e muito bem pelos projetos. Não há um único doador como era o meu caso.

Fato é que eu não faço parte de nenhum grupo aqui de Londrina, não tenho o rabo preso com ninguém, não devo nada a ninguém, não babo ovo de ninguém, muito menos compactuo ou apoio ações irresponsáveis e lesivas ao erário público. Eles sabem muito bem que não conseguiriam me comprar. Também sabem a dimensão deste meu blog e que qualquer coisa errada fatalmente cairia aqui nestas linhas para conhecimento público. Óbvio que eu seria chutado.

Se isto é uma denúncia?

Quem sabe?

Pode ser.

Que o seja!

Se a PF, o MPF e o IPHAN, governos estadual e municipal ou qualquer outro órgão quiser levar assim, que o façam. Mas o façam com decência, transparência e dêem os nomes aos bois.

Mas indico uma sindicância desde agora até o pós-construção sobre a obra e todos os envolvidos nela.

Londrina agradece!!!

Sei que isso não acontece apenas aqui em minha terra natal e sim que esta é uma prática corriqueira no dia a dia das cidades, especialmente tratando-se de obras públicas.

Por estas e outras decidi que não vou mais doar nada para obras públicas. Agora, só me pagando e muito bem pelos meus serviços.

E, muito menos, vou apoiar qualquer ação pró-reconstrução do Cine Teatro Ouro Verde pois já vi que mais uma vez minha cidade está sendo lesada.

Não vou me sujar por causa de disso.

Tou fora!!!

Lamento Londrina, mas mais uma vez estás sendo enganada e roubada!!!

Mas ainda estou aguardando a resposta da Reitoria da UEL sobre o assunto. É um direito meu como cidadão.

Dois passarinhos me contaram que…

É… fiquei sabendo de algumas coisas estes dias e já passou da hora de informar meus leitores sobre o que anda acontecendo.

Passarinho 1:

Um professor, arquiteto, que eu respeitava e admirava muito me decepcionou.

Ele mudou-se para Curitiba. Lá ele já coordenava à distância o curso de Design de Interiores de uma renomada universidade.

Diga-se de passagem, em 5 anos de existência do curso, ele figura atualmente entre os 5 melhores do país no Provão.

Fato é que desde o início os alunos sofrem com a falta de laboratórios. Sempre tentavam conversar com a coordenação e reitoria e tudo sempre ficou nas promessas.

Agora, este arquiteto conseguiu aprovar a criação do curso de Arquitetura na universidade. Até aí tudo bem, sem problema algum.

Porém, no lançamento deste curso, após uma palestra de uma arquiteta ele resolveu falar também.

Observação: estavam presentes na platéia todos os alunos do curso de Interiores e vários outros convidados.

O cara simplesmente começou a avacalhar com o curso de Design de Interiores e enaltecer o curso de arquitetura.

Disse em alto e bom som que era melhor para os alunos de Interiores que migrassem para o curso de arquitetura onde poderiam aproveitar várias disciplinas já que “Interiores não dá futuro pra ninguém”.

Além disso, o curso de arquitetura estava nascendo já com todos os laboratórios necessários e se o pessoal de Interiores quisesse utiliza-los deveriam agendar.

Isso é apenas uma parte da conversa que tive com esse “passarinho”, que é aluno(a) do curso de Interiores.

Mas essa conversa me fez sentir nojo do abraço e dos parabéns que recebi desse coordenador quando palestrei na Semana de Arquitetura e Design do Cesumar anos atrás e também me fez entender o porque de eu nunca mais ter sido chamado para palestrar lá: minha palestra “N jeitos de atuar” é uma verdadeira porrada na cara de alguns arquitetos idiotas pois nela desconstruo os argumentos reducionistas e corporativistas desses imbecis.

Passarinho 2:

Um outro passarinho me confidenciou o seguinte:

1 – ABAI está à todo vapor junto com o CAU para o fechamento (reserva de mercado) da área de Lighting Design para os arquitetos. Aquele discurso todo da AsBAI de melhorar a qualidade de ensino nos cursos de Arquitetura ao que parece serve apenas para desviar o foco do que eles andam aprontando nos bastidores.

2 – A “mamma” da iluminação brasileira é a responsável pela não vinda de grandes congressos da área aqui para o Brasil. O ponto é: se vierem verão que existem muitos profissionais qualificados e com excelentes projetos no mercado. Melhor que brilhemos só nós mesmo. E pensar que esta tal “mamma” é uma das fundadoras da AsBAI…

3 – A ABD também está em negociatas e namoricos de bastidores com o CAU para a inserção da área de Design de Interiores/Ambientes dentro deste Conselho. Assim, a regulamentação da profissão de Design de Interiores/Ambientes será feita lá dentro de um Conselho de ARQUITETURA!!!!! E, à exemplo do que fizeram no passado dentro do CREA, não devemos esperar muito: teremos nossas atribuições profissionais reduzidas a quase nada.

Vamos acordar povo???

Depois não adianta reclamar não viu???

Sites de decoração online

Pensei que seriam poucos, mas agora já temos uma série de sites de decoração (e design) online. São sites onde os clientes preenchem um brieffing, os profissionais cadastrados tem acesso a este material e a partir dele desenvolvem projetos. Aí, o cliente escolhe o que mais gostar e paga por este projeto.

Na verdade funciona como um “concurso de projetos”.

Vamos então analisar quais os problemas que este tipo de serviço destes sites oferecem:

1) Brieffing

As questões levantadas no brieffing são fundamentais para o desenvolvimento de projetos. No entanto, é barrado o contato dos profissionais com o cliente. Logo, a conversa, o diálogo, aqueles detalhes que só conseguimos perceber numa conversa direta com o cliente não são alcançados, não  temos a percepção das entrelinhas (aquilo que o cliente diz sem ser preciso), não notamos as reações (expressões faciais, gestual, entonação vocal, etc) que nos permite perceber por onde estamos indo.

É falho, logo, não tem como ser preciso e exato dando margem à diversos problemas na hora da execução e/ou do uso.

2) Projetos por ambientes

Com esse tipo de atitude, o cliente corre um sério risco de ter em sua casa um verdadeiro picadeiro de estilos. Usei picadeiro pois, ao contratar livremente o cliente pode pegar vários profissionais diferentes. Cada profissional tem um modo de projetar, tem suas técnicas, tem suas interpretações dos estilos entre diversos fatores que tornam, para o cliente, praticamente uma roleta russa esse tipo de atitude.

3) Valores cobrados

Peguei estes valores em um dos sites. Observem:

01 Ambiente: R$ 549,00; 02 Ambientes: R$ 1.078,00; 03 Ambientes: R$ 1.587,00; 04 Ambientes: R$ 2.076,00; 05 Ambientes: R$ 2.545,00.

Já num outro site encontrei estes valores:

Quarto R$ 450,00; Cozinha R$ 500,00; sala de jantar R$ 550,00; sala de estar R$ 550,00; sala de tv R$ 550,00; escritorio R$ 550,00; hall R$ 400,00; banheiro / lavabo R$ 400,00; closet R$ 400,00; sala comercial R$ 900,00.

E, num outro site mais recente encontrei estes valores:

Projeto Residencial: Casa e Apartamento – A partir de R$ 2000.00; Loft – A partir de R$ 1400.00; Quarto – A partir de R$ 350.00; Sala de jantar – A partir de R$ 400.00; Sala de estar – A partir de R$ 450.00; Cozinha – A partir de R$ 500.00; Banheiro e Lavabo – A partir de R$ 250.00; Área de serviço – A partir de R$ 250.00; Monte seu Projeto – A partir de R$ 500.00; Consultoria de Projeto – A partir de R$ 150.00.

Projeto Comercial: Escritório e Consultório – A partir de R$ 1000.00; Estande – A partir de R$ 1100.00; Lojas – A partir de R$ 1500.00; Restaurante, Bar e Cafeteria – A partir de R$ 1300.00; Monte seu Projeto – A partir de R$ 500.00.

É simplesmente irresponsável cobrar estes valores. O valor de um ambiente não cobre nem mesmo os custo operacionais de um escritório sério. Os outros valores também são absurdamente fora da realidade do mercado. A única explicação para isso é este pessoal estar ganhando pelas costas dos clientes com as RTs dos fornecedores cadastrados e parceiros deste tipo de site.

4) Fornecedores

São várias as empresas de móveis, revestimentos e outros mais que estão fazendo parceria com este tipo de site. Estão no direito deles? Sim! Porém estão contribuindo para a prostituição profissional ao validar esta prática  condenável.

Em tempos de responsabilidade social, esse tipo de atitude é um tiro no próprio pé além do desrespeito aos profissionais sérios que atuam no mercado.

5) Visibilidade profissional

É mais um argumento mentiroso para atrair profissionais incautos. Um cliente sério e que busca  qualidade (por mínima que seja) em seu projeto, jamais vai contratar o serviço de um profissional que ele nem sabe quem é. Não vai contratar um profissional apenas pelo projeto apresentado virtualmente. Estes clientes são aqueles que desejam o profissional atuante sempre que possível, acompanhando as obras e o acompanhando nas compras.

São clientes que gostam de discutir o projeto, entende-lo por completo. E são estes clientes que fazem a diferença na carreira de qualquer profissional.

Clientes que usam este tipo de serviço certamente são aqueles que adoram o “jeitinho brasileiro” de tirar vantagem em cima de tudo e todos que puder. E é exatamente isso que estes sites promovem.

6) Concorrência criativa

Não, na verdade o que temos neste tipo de proposta é a CONCORRÊNCIA ESPECULATIVA.

É uma prática bastante comum em concursos de Design não sérios e que agora está invadindo o mercado profissional.

É condenável a partir do momento em que faz os profissionais trabalharem de graça sem ter a certeza do pagamento. Infelizmente esta é uma artimanha que pega muitos estudantes e profissionais ainda não estabelecidos no mercado.

Veja vem: você só irá receber aquele valor ridículo (sim, lembre-se que nesses valores cobrados, ainda vem descontadas as “taxas administrativas”) SE, e somente SE o cliente escolher o seu projeto.

Caso ele escolha outro profissional, parabéns orelhudo, trabalhou de graça, perdeu tempo com algo não retornável. Mantenha seu caixa no vermelho assim seu BURRO!!!

Tenho certeza de que se estes profissionais fossem rodar bolsinha n’alguma rua ganhariam muito mais dinheiro, pois o que não falta é cliente atrás de prostitutas!

Além, é claro, de não sujar a nossa profissão perante o mercado.

Esse tipo de trabalho me lembra claramente uma frase que ouvi num filme a muito tempo atrás:

“Dinheiro na mão, calcinha no chão!”.

Pois é, e temos uma associação que diz ser ética e séria e não faz absolutamente nada contra isso. E, para quem não sabe, uma associação serve para defender os direitos dos profissionais.

Tá bem difícil ABD.

Se vocês acham que são alguém saibam que não passam de um monte de LIXO!!!

E, cada dia que passa tenho mais certeza disso.

No entanto, com isso só não identifiquei ainda se vocês são mero LIXO ou cafetões…

#ParaPensar…