PROJETO COMBOIO UNOESTE – CARRETA ARTISTÍCA

Por:

Lisleângela de Carvalho Leite

Luís Otávio Sanches Barreto

Maísa Bianchi Vieira

 

Projeto apresentado à disciplina de Projeto de Ambientes Institucionais e Serviços, ministrada pelo Prof. Esp. Paulo Oliveira ao 3° termo do curso Superior de Tecnologia em Design de Interiores da UNOESTE.

 

BRIEFING

  • Empresa: Instituição Unoeste;
  • Finalidade: Levar conhecimento/cultura para cidades da região em um caminhão;
  • Tipo de caminhão: Caminhão Truck, bitrem.
  • Estilo: Artístico (teatro, música e dança);
  • Publico alvo: Moradores de cidades com carência de cultura;
  • Sexo: Feminino e masculino;
  • Idade: todas as idades;
  • Classe social: Todas as classes sociais com foco nas menos favorecidas;
  • Escolaridade: Todas as escolaridades, com foco nas menos favorecidas;
  • Programação visual: adesivagem no baú;
  • Conceito: Arte;
  • Modelo de palco: Palco tipo Italiano;
  • Capacidade de assento de lugares : 236 lugares;
  • Camarins: capacidade para 08 pessoas, no mínimo;

PROBLEMA

O trabalho refere-se ao projeto de um caminhão truck onde seu baú deverá ser adaptado para atender todas as necessidades de um Teatro móvel, o qual também terá apresentações de música e dança. A Instituição UNOESTE visa levar com seu truck das Artes cultura para todas as cidades da região.

Este trabalho busca apresentar procedimentos para o tratamento acústico de baú buscando analisar o uso adequado de materiais acústicos e condições que permitam à a inteligibilidade e audibilidade plateia, relatando formas e tamanhos adequados de aberturas, utilização de elementos decorativos com aplicações corretas de materiais difusores e absorventes, localização adequada caixas de som e mesa de som e iluminação, tempos de reverberação em relação a volume e finalidades especificas para a atividade a ser desenvolvida.

O QUE É?

Teatro

O termo teatro deriva do grego theatrón, que significa “lugar para contemplar”. O teatro é um dos ramos da arte cénica (ou performativa), relacionado com a atuação/interpretação, através do qual são representadas histórias na presença de um público (a plateia). Esta forma de arte combina discurso, gestos, sons, música e cenografia.

É uma forma de arte na qual um ou vários atores apresentam uma determinada história que desperta na plateia sentimentos variados. Imprimir dramaticamente às próprias palavras e/ou atitudes, para suscitar comoção ou interesse.

Pode expressar a realidade. Neste caso, torna-se instrumento de divergência, advertência, ensinamento, documentação e instrução. As formas pelas quais se desempenha essa missão são diferentes e variadas.

Dá-se o nome de dramaturgia à arte de escrever peças de teatro, sendo o dramaturgo a pessoa responsável pela composição dos textos.

Existem muitos gêneros de teatro, dentre os quais destacam-se: auto, comédia, drama, fantoche, ópera, musical, revista, tragédia, tragicomédia.

Dança:

É a arte de movimentar expressivamente o corpo seguindo movimentos ritmados, em geral ao som de música. O significado da dança vai além da expressão artística, podendo ser vista como um meio para adquirir conhecimentos, como opção de lazer, fonte de prazer, desenvolvimento da criatividade e importante forma de comunicação. Através da dança, uma pessoa pode expressar o seu estado de espírito. A dança pode ser acompanhada por instrumentos de percussão ou melódicos, ou ainda pela leitura de diferentes textos.

Música:

É a combinação de ritmo, harmonia e melodia, de maneira agradável ao ouvido. No sentido amplo é a organização temporal de sons e silêncios (pausas). No sentido restrito, é a arte de coordenar e transmitir efeitos sonoros, harmoniosos e esteticamente válidos, podendo ser transmitida através da voz ou de instrumentos musicais.

A música é uma manifestação artística e cultural de um povo, em determinada época ou região. A música é um veículo usado para expressar os sentimentos.

A música evoluiu através dos séculos, resultando numa grande variedade de gêneros musicais, entre eles, a música sacra ou religiosa, a erudita ou clássica, a popular e a tradicional ou folclórica. Cada um dos gêneros musicais possui uma série de subgêneros e estilos.

NECESSIDADES

Espaço cênico: O assunto principal deste elemento é o Palco. A primeira parte desta série de matérias será sobre os diferentes tipos de palcos e suas histórias.

Cenografia: Cria e transforma o espaço cênico. Técnica que organiza os elementos que representarão os lugares onde acontecem as cenas, as ações.

Iluminação: Parte técnica muito importante para o teatro, pois através dela é possível ambientar as cenas e ampliar as emoções que estarão contidas nas mesmas.

Sonoplastia: Técnica que une um conjunto de sons (vocais ou instrumentais) para destacar ações de uma cena. A música tem função semelhante à iluminação: enfatizar cenas, emprestar-lhes maior ou menor conteúdo dramático e reforçar os sentimentos expressos pelos atores.

Figurino: Conjunto de acessórios e vestimentas, usados pelos atores em cena, que facilita a compreensão dos personagens. Possui funções específicas no contexto, como marcar a própria presença, chamar a atenção e dar destaque a determinadas partes do corpo.

Maquiagem: Elemento fundamental, que faz parte da composição do espetáculo, auxiliando na criação do personagem e na transformação estética dos atores, servindo também para fazer modificações da aparência do rosto ou de partes descoberta do corpo, a fim de adequar essa aparência aos efeitos singulares das luzes de cena.

CORRELATOS

O presente projeto utilizou ambientes arquitetônicos de teatros, bem como teatros móveis para entender as necessidades das atividades que ocorrem nesses espaços. Foi observado que tais atividades exigem ambientes específicos, tais como: caixa cênica, coxia, camarins, plateia, equipamentos de som e luz, entre outros.

Esses espaços dependem de materiais que ajustem os efeitos de forma flexível, pois trata-se de espetáculos culturais que envolvem a necessidade acústicas de forma inteligível em situação itinerante.

Entretanto, os projetos de tetros móveis observados utilizam pequenos espaços e de forma improvisada.

Nota-se que através de estudos e análises, o profissional de Design de Interiores pode atuar de forma a atender as necessidades desses ambientes móveis, sem perder a qualidade oferecida nos ambientes arquitetônicos.

Assim, o presente projeto teve como desafio ajustar o baú do truck para ganhar espaço nos ambientes. Por maior que fosse o baú escolhido ainda não atingia a proporção desejada nesse projeto. Através do sistema hidráulico pode-se alcançar a expansão desejada da caixa cênica e demais espaços.

Para isso, foi necessário estudos de sistemas hidráulicos, trilhos, formas de aberturas com embasamentos em empresas especializadas em maquinas que existe uma variedade de suportes nesse sentido, o que demonstra ser possível e viável tal utilização no presente projeto. Ressalta-se que são necessários profissionais competentes da área de engenharia elétrica e mecânica para executar tal projeto juntamente com o Design de Interiores.

Portanto, este projeto utilizou as experiências já realizadas nesse sentido e adequou de forma ousada, flexível e segura atingindo assim resultados satisfatórios quanto ao atendimento das necessidades oriundas das atividades artísticas desse projeto.

DIFERENCIAIS SOCIAIS

Para o público alvo de Prudente e região temos gostos ecléticos, mas o sertanejo e a moda de viola estão ligados às raízes das famílias que viveram no campo e da cultura agropecuária, assim como, eventos regionais influenciaram com musicas de axé (trio elétricos). Em algumas localidades ou bairros afastados, há também a predominância do funk e Rap. No caso de público infantil, teatro, danças e musicas que levam conhecimento em geral, os folclores e clássicos infantis.

O teatro pode se desenvolver em vários níveis: na socialização, criatividade, coordenação, memorização, vocabulário. Ajuda a expressar, comunicar, e também a perceber traços da personalidade, do comportamento individual e em grupo, do seu desenvolvimento. O teatro também ajuda na cooperação e na socialização, pois envolve o grupo inteiro.

Pode ser um instrumento para educar, preparar para a vida prática na sociedade e ao mesmo tempo proporcionar lazer.

A música propicia a abertura de canais sensoriais, facilitando a expressão de emoções, ampliando a cultura geral e contribuindo para a formação integral do ser.

No que diz respeito à dança, esta não se resume em aquisição de habilidades, mas sim, contribui para o aprimoramento de habilidades básicas, no desenvolvimento das potencialidades humanas e sua relação com o mundo. Segundo os PCNs ( 2003), a dança é uma forma de integração e expressão tanto individual quanto coletiva, em que o aluno exercita a atenção, a percepção, a colaboração e a solidariedade. Ela atua como elemento transformador, pois, sem dúvida, promove em quem dela participa a aceitação de si mesmo e uma maior receptividade nos relacionamentos com os outros, mediante o envolvimento que se estabelece num trabalho prático.

 

OBJETO BASE DO PROJETO

Bitrem ou treminhão:

01

É uma combinação de veículos de carga composta por um total de seis eixos, que permite o transporte de um peso bruto total de 57 toneladas. Os semirreboques dessa combinação podem ser tracionados por um cavalo-mecânico trucado.

O baú do projeto terá comp. 14m, alt. 3,37m e larg. 2,60m. O primeiro baú terá um sistema de gaveta hidráulica horizontal que amplia a largura total do mesmo para o lado esquerdo, que por sua vez, abre outra gaveta, no sentido vertical, dando altura para a caixa cênica (para o palco). Esses deslocamentos serão dados pelo sistema hidráulico. haverá também o deslocamento horizontal da lateral direita para proporcionar mais profundidade e condições de alocar adequadamente a cozia e os camarins.

Escolheu-se esta carreta para nosso tema, teatro, por haver a necessidade de espaço para acoplar todos os materiais necessários para os efeitos (tanto em comprimento, largura e altura). E como utiliza-se materiais muito pesados, pensou-se na que melhor suportaria esta carga. A escolha de um bitrem (segundo baú) é dada pela necessidade de um baú para guardar as arquibancadas retráteis, e o material que usará como piso para a mesma, caixas de som, tenda, dentre outras necessidades.

MEMORIAL TÉCNICO

O tema deste projeto é a Arte onde engloba o Teatro, a música e a dança, onde serão adaptados os baús de um bitrem com comp. 14 m, alt. 3,37 m e larg. 2,60m. O primeiro baú terá uma “gaveta” de 10 m centralizada que se abrirá para o lado esquerdo ganhando profundidade e outra dentro desta, abrindo-se para cima proporcionando a altura para a caixa cênica. Os dois metros intactos do baú que sobram para os lados estarão os banheiros no mesmo sistema dos de ônibus. Para a abertura que dá largura para os camarins tem-se a mesma ideia da abertura do palco, abre-se como outra gaveta na lateral direita do baú, com a mesma medida de 10 m. Esses deslocamentos serão todos dados por sistemas hidráulicos. Ainda lembrando-se que na traseira do baú tem-se uma porta com altura total do mesmo (descontando-se as medidas do piso e de teto) e sua largura de 1,48 m. A fixação destas aberturas é dada pela plataforma tucklift horizontal o qual é formado por um sistema hidráulico compacto e provido de válvula de segurança. Observe as imagens para entender o sistema:

A

Baú fechado.

Palco: etapa 1.

Palco: etapa 1.

Palco: etapa 2.

Palco: etapa 2.

Palco: etapa 3.

Palco: etapa 3.

Palco aberto: Vista superior.

Palco aberto: Vista superior.

Camarins: baú fechado.

Camarins: baú fechado.

Camarins: etapa 1.

Camarins: etapa 1.

Camarins abertos: Vista superior.

Camarins abertos: Vista superior.

Escolheu-se esta carreta para tal tema, por haver a necessidade de espaço para acoplar todos os materiais necessários para os efeitos (tanto em comprimento, largura e altura). E como utiliza-se materiais muito pesados, pensou-se na que melhor suportaria esta carga. A escolha de um bitrem é dada pela necessidade de um segundo baú para guardar as arquibancadas retráteis, o material que usará como piso portátil, caixas de som, tenda, dentre outras necessidades.

Valendo-se ressaltar que o projeto teve parceria de engenheiro mecânico para analisar a proposta da parte estrutural da carreta.

Fazendo parte da composição do teatro tem-se os Mecanismos Cênicos, onde as varas de iluminação, cenário e vestimentas são movimentados para a montagem de cada apresentação, fixação de cenários, refletores, etc. Esses mecanismos de suspensão são constituídos em sistemas motorizados, pois apresenta maiores condições de segurança e operabilidade. O sistema de motorização consiste em varas ajustáveis através de motores e tambores de recolhimento de cabos, que são simplesmente comandadas por um quadro touch-screen. Juntamente com esta motorização, fez-se a automação dessas varas tornando-se um sistema seguro, onde qualquer peso excedente faz com que o sistema inteiro pare. Esses mecanismos ajudam na fácil configuração e instalação do espaço cênico para abrigar uma variedade de espetáculos.

A Vestimenta Cênica tem como destaque protegendo o palco a cortina de boca e o lambrequim. A cortina de boca é instalada na abertura da boca de cena, podendo ser utilizadas diversas formas de aberturas de acordo com o tipo de apresentação que será realizada. O lambrequim tem um corte reto e é ajustável em sua altura para ajudar a esconder da plateia os equipamentos instalados no teto e dando também o acabamento a cortina de boca. Dentro da caixa cênica já estão os reguladores, que se dividem em horizontal e vertical, cuja função é definir a altura e largura da boca de cena em cada apresentação. Em seguida temos as pernas que estão localizadas nas laterais do palco e escondem o que acontece nos espaços da coxia. Já as bambolinas que são penduradas em varas de cenotecnia ocultam da plateia as varas de cenário quando recolhidas, ou as varas de luz. Essas varas de cenotecnia se dividem basicamente em 3 tipos: as varas de iluminação, responsáveis por comportar os refletores de luz; as varas de cenário, e as varas de vestimenta cênica que se subdividem em: as bambolinas, as pernas laterais, a rotunda e o ciclorama. A Rotunda consiste em um pano de fundo com a função de delimitar a profundidade do espaço cênico no palco, e o Ciclorama que consiste em uma tela branca que tanto pode ser usada para efeitos com luzes, como para ser projetados filmes e imagens a partir de um sistema de reprodução. E por fim tem-se a concha acústica constituída por peças de madeira em que se encaixam com sistema macho-fêmea com a finalidade de refletir o som para plateia.

O tratamento da qualidade sonora interna é denominado tratamento acústico e incide no acabamento que é dado às paredes com o intuito de diminuir a reflexão das ondas sonoras dentro do ambiente interno, (fenômeno de reverberação) com o desígnio de melhorar a inteligibilidade do som. Sendo assim, foi utilizada como revestimento de chão para o palco, local das apresentações feitas, a madeira freijó, uma madeira resistente e ao mesmo tempo não muito dura. Para instalação construiu-se uma estrutura metálica para a colocação dos barrotes e eventualmente do assoalho. Já para as áreas da coxia e camarins foram dispostos o carpete, qual preenche duas funções: para revestir pisos e para absorver o som, assim evitando que toda a correria interna não venha a chegar à plateia. A capacidade do carpete em absorver sons (música, vozes) é de até 10 vezes maior a dos outras espécies de revestimentos. Além disso, consegue-se diminuição de ruídos de superfície (impacto de quedas, arrastar, andar) o que faz do carpete um ótimo isolante acústico. Eles são também muito seguros, evitam escorregões e deslizamentos que podem provocar quedas com efeitos mais ou menos sérios. E, mesmo que elas ocorram a sua capacidade de amortecer é superior a dos outros tipos de revestimentos.

Outro elemento que compõe os bastidores são as placas acústicas utilizadas nas paredes e teto. Elas proporcionam uma ótima acústica e são sustentáveis. As referidas placas harmonizam a nitidez das palavras e o conforto, reduzindo os níveis de ruídos dos ambientes. A sua geometria superficial adapta a difração do som, ou seja, reduz a distorção das ondas causadas por obstáculos, enquanto sua estrutura celular promove absorção sonora através do atrito. Sua excelente capacidade de absorção é graduada pelas diferentes espessuras, dando a redução de ruído e conforto acústico.

Comumente, o tratamento acústico interior é feito com materiais leves e porosos, com boa idoneidade de absorção, tais como espuma, tecido ou carpete, por contraste com os materiais pesados usados para isolamento acústico. Estes materiais em geral são eficientes para absorver agudos, por terem tamanhos de onda pequenos, e assim qualquer pequena irregularidade do material é capaz de atenuar a energia da onda sonora. Já no caso dos graves, é necessário designar dispositivos compatíveis com os tamanhos de ondas grandes, o que é feito com painéis específicos de amortecimento que vibram com os graves e também concentram a energia dessa vibração, não retornando a onda ao espaço.

Quanto mais perto as caixas de som estiverem com o publico, menor será a necessidade de aumentar o volume do equipamento, sem dizer que o publico também abafará uma boa parte do som emitido pela fonte sonora. O som se propaga em linha reta em todas as direções, sendo assim, o lugar deve ser estudado para a locação ideal das caixas de som, as quais devem ser dispostas e norteadas de forma a diminuir a vazão do som.

Outro componente de suma importância é o tratamento feito a partir da cabine de comando, capaz de regular de várias maneiras as configurações de áudio do palco e da plateia, deixando configurações pré-determinadas.

A Cabine de Comando é composta por mesas de comando de luz cênica e som, os equipamentos de áudio e os painéis de controle da luz da plateia.

É essencial a iluminação aplicada no espaço cênico, devendo ser inteiramente controlável e flexível, de forma que se habituem às mais diversas apresentações que o espaço puder comportar. Por isso, a dimerização dos pontos de iluminação cênica é imprescindível. Os dimmers são unidades de potência que proporcionam o controle da luz com intensidades variáveis em todos os refletores, a cada cena. Estes são programados e controlados diretamente da cabine de comando durante uma apresentação.

Outro elemento indispensável são estruturas metálicas para dois outros elementos usados nos teatros. A primeira delas é a varando de palco, que são estruturas metálicas levantadas nas laterais e nos fundos do palco para manobra e manutenção na parte elevada do palco. A outra é a passarela, que são construídas em estruturas metálicas acima da plateia, tendo como emprego permitir o acesso às varas de iluminação e os refletores de luz.

PROJETO COMBOIO UNOESTE – CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES

Por:

Jader dos Santos Barbosa;

Maria Angelica Rafael Melo;

Rodrigo Wendell da Costa;

 

Projeto apresentado à disciplina de Projeto de Ambientes Institucionais e Serviços, ministrada pelo Prof. Esp. Paulo Oliveira ao 3° termo do curso Superior de Tecnologia em Design de Interiores da UNOESTE.

 

O projeto terá como cliente e mantenedora a Universidade Do Oeste Paulista (Unoeste), com sede no Campus I e II, com o Campus II como local idealizador deste projeto, com endereço na Rodovia Raposo Tavares, km 572, Bairro Limoeiro em Presidente Prudente no Estado de São Paulo.

O foco do projeto será a criação de um comboio de carretas personalizadas para diversas necessidades da população. As carretas serão preparadas com o máximo de estudo de condições e estrutura de materiais, pois a maioria das cidades alvo são pequenas, afastadas e desprovidas de muitos recursos abundantes em grandes centros.

O objetivo principal será levar até esses municípios um contato com projetos transformadores de qualidade de vida, que agreguem conhecimento e habilidades práticas e que mexam com o cotidiano monótono desses lugares.

Com um comboio de atividades em carretas, nossa carreta terá como atividade um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). O CCZ é responsável pelo controle de agravos e doenças transmitidas por animais (zoonoses), através do controle de populações de animais domésticos e sinantrópicos (que oferecem risco à vida humana por conta de sua proximidade com as habitações).

O Centro de Controle de Zoonoses envolve diversas especificações de estrutura e higiene e como trabalharemos como unidade móvel, nossa estação de serviço será somente como base de apoio para pequenas intervenções no meio de zoonoses como pequenas cirurgias e vacinações.

CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES

O que é?

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) é o órgão responsável pelo controle de agravos e doenças transmitidas por animais (zoonoses), através do controle de populações de animais domésticos (cães, gatos e animais de grande porte) e controle de populações de animais sinantrópicos (morcegos, pombos, ratos, mosquitos, abelhas entre outros).

O centro de Controle de Zoonoses foi criado com a finalidade das ações e objetivos de controle das populações animais e das providências de prevenção e controle das Zoonoses no município de Presidente Prudente.

O que faz?

O CCZ tem como objetivo diminuir o numero de cães e gatos abandonados nas cidades, além de buscar a diminuição da ocorrência de agravos e do risco de transmissão de zoonoses por essas espécies.

Como faz?

O Programa de Controle de Animal do CCZ conta com cinco pilares:

    1-Educar a população sobre a posse responsável de animais de estimação;

    2-Esterilização em massa de cães e gatos;

    3-Registro de animais e seus proprietários com implantação de chip;

    4-Adoção responsável (para os animais recolhidos nas ruas);

    5-Incentivo a criação de leis que deem suporte a essas ações.

Características Principais:

Dar recomendações para os proprietários de animais de estimação de como mante-lo domiciliado em condições saudáveis, entre as recomendações estão às vacinações anuais contra a raiva, além dessa vacina o proprietário pode se informar com o médico veterinário sobre as demais vacinas, que protegem contra doenças transmissíveis entre os animais.

Diferenciais Sociais:

Atualmente o CCZ busca proporcionar melhor atendimento a população e aumentar cada vez mais sua abrangência, e principalmente continuar na missão desenvolver trabalhos de prevenção, proteção e promoção à saúde publica, por meio de controle e vigilância de animais domésticos, de animais sinantrópicos, e educação em saúde.

    02

A região estudada abrange uma área do estado de São Paulo que contém os munícipios basicamente pequenos, com população retraída e sem avanços em crescimento com o decorrer dos anos. Sua renda vem em maior parte da produção agrícola de cana de açúcar, soja e milho, e da parte de serviços. Esses municípios não possuem contato e estrutura para a instalação de uma unidade de Zoonoses, que envolve medidas e objeções específicas de projeto, realizando medidas preventivas de controle de doenças e agravos através das Unidades Básicas de Saúde.

O Centro de Zoonoses (CCZ) foi criado para que se obtivesse conhecimento primordial para a realização de atividades aliadas a conhecimento e métodos específicos que ocasionassem em diminuição e controle de diversas doenças transmitidas por animais que possam conviver conosco em nosso dia-a-dia (caso dos animais domésticos), e os que vivem próximos as nossas residências e que possam trazer riscos à saúde humana, como os insetos e os animais sinantrópicos (que se adaptaram a viver junto ao homem: ratos, aranhas, escorpiões).

O projeto carreta de Zoonoses engloba um conceito que tem como base a cor tema da Unoeste, que é o verde da sustentabilidade. A sustentabilidade leva a um parâmetro de pensamento racional em que todo ser vivo se encontrará de bem-estar consigo e com os outros em seu campo de rotina diária, levando ao conceito base desta carreta, o de bem-estar animal com a vida humana.

A estrutura levará em conta primeiramente parâmetros base em um estrutura de CCZ física feita em projeto pela Fundação Nacional da Saúde (FUNASA), que conta com áreas definidas para trabalho, manuseio de resíduos biológicos e condições hábeis de atividades que envolvam vidas de animais. Os equipamentos devem ser úteis e eficientes para atividades laboratoriais, e de vacinações, e os materiais e revestimentos devem manter a higiene e não correr o risco de proliferar doenças que sem os devidos cuidados, podem se desenvolver nesses locais. Um CCZ em toda a sua atividade envolve medidas sanitárias que não podem ser aplicadas em uma carreta, sendo assim, nosso projeto será uma unidade de apoio que realiza vacinações, observações e exames.

O tipo de carreta usada será o cavalo mecânico de 3 eixos, que chega a 18 metros de comprimento, suportando o peso máximo de 45 toneladas. Como pontos de entrada de pessoas, a carreta conta com duas portas específicas: uma para uso da população e outra para uso exclusivo do pessoal preparado que trabalhará na carreta, diminuindo assim riscos de contaminação direta entre resíduos biológicos, vírus, bactérias e seres humanos.

Como fator de divisão, serão quatro salas mais banheiro e depósito. A primeira sala é a da Recepção (a única em que o público terá acesso), a segunda sala é a de Vacinação, a terceira de Diagnóstico (onde serão feitos exames laboratoriais) e a quarta e última sala é o Canil, onde animais ficarão em observação.

Os materiais usados neste projeto não devem ser porosos e rugosos (para não armazenar resíduos), e não devem ser muito rígidos por conta do transporte constante.

  • O piso será todo feito em Paviflex, que é um piso altamente durável composto resinas de PVC, minerais, pigmentos e plastificantes, garantindo resistência, impermeabilidade e não propagação de chamas.
  • As paredes terão laminado melamínico branco, também resistente, fácil de limpar e impermeável.
  • A estrutura de revestimento da carreta e de suas divisórias serão feitas com o sistema construtivo de Steel Frame que faz parte do Sistema CES – Construção Energitérmica Sustentável. A preocupação com a sustentabilidade faz parte do sistema CES, uma obra em CES gera menos de 1% de resíduos, o que representa grande economia para construtoras e proprietários de imóveis. Outro fator importante é a baixa emissão de CO², até 73% menos que a construção em alvenaria, por exemplo. A estrutura é composta por perfis leves de aço que em conjunto com as placas estruturais formam painéis estruturais capazes de resistir às cargas verticais (telhados e pavimentos), e perpendiculares (ventos). O fechamento dessa estrutura será feito com o OBS estrutural que é composto por: Tiras de madeira reflorestada; Resina fenólica (camada externa) e MDI (camada interna); as bordas são seladas com impermeabilizante e possuem aditivos à base de ciflutrina contra o ataque de cupins.
  • A carreta terá entrada e saída de ar feita por janelas basculantes aliadas a circulação interna feita com ar condicionado.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Projeto Comboio Unoeste

Pois bem meus amigos, conforme já tinha apontado noutro post tempos atras, decidi trabalhar um outro objeto base para projetos com a turma do 3° termo da UNOESTE.

Eu tenho motivos bem claros para propor isso e tudo fica claro quando insisto que o nome dos cursos “Design de Interiores” está equivocado e é o grande empecilho para o desenvolvimento pleno da área. Defendo, portanto, que o mais coerente seria a alteração do nome de todos os cursos para “Design de Ambientes” (ou Espaços) já que adquirimos muitos conhecimentos na academia que não cabem dentro dos “interiores” apenas e menos ainda permanecer amarrados apenas ao objeto arquitetônico (edificação) e devem, sim, serem aproveitados onde houver necessidade por parte dos usuários.

Assim, lancei o desafio aos alunos de projetar utilizando um outro objeto base: CARRETAS. Transformar carretas baús em alguma coisa (temas lançados) aproveitando-se da estrutura da mesma e deixando-os criar livremente de acordo com as necessidades de sua área tema.

“Ah, mas isso não é atribuição de vocês!” irão berrar alguns.

OK! Mas também não é de arquitetos.

“Ah, mas nós arquitetos assinamos RRT e nos responsabilizamos pelos nossos projetos!”

Sério mesmo? De todos os projetos que você já fez na sua vidinha e que lidou com estruturas, quantos VOCÊ assinou as RRTs sobre a parte estrutural? Hummm, e de elétrica? Talvez hidráulica facilita?

Ok! Então parem de chororô e aceitem que existem profissionais de OUTRA área, que NÃO DEPENDEM DA ARQUITETURA para “sobreviver”, Aliás, por falar em sobreviver, o que seria dos arquitetos sem os engenheiros né?

Indiferente a todo esse chororô (o choro é livre) a minha intenção é simplesmente mostrar que sim, temos condições de desenvolver projetos diferenciados que vão muito além daquele beabá ensinado nas academias amarrado ao elemento arquitetônico.

Oras, existe sim algumas dificuldades técnicas e que não são nossas atribuições (e nem devem pois fatalmente irão afetar o lado criativo). Para isso existem as parcerias profissionais, o trabalho multidisciplinar. No caso específico aqui, os engenheiros (mecânica, elétrica, hidráulica) além do constante contato com os profissionais das áreas temas trabalhadas em cada carreta.

Pois bem, vou começar a postar alguns dos projetos que foram desenvolvidos pelos alunos do TERCEIRO termo (semestre) do curso da Unoeste.

Isso aqui serve também para mostrar que apesar do pouco tempo de duração dos cursos de tecnologia, esta alegação de “falta de conhecimento” não procede pois eles conseguiram encontrar os problemas e dificuldades de projeto e propor as soluções mais adequadas para cada caso. E olha que não é nada fácil trabalhar com uma estrutura que se “contorce” quando está em movimento.

E, finalmente, serve para mostrar o quão equivocado está o PL4692, que regulamenta a nossa profissão, ao insistir em nos manter amarrados ao objeto arquitetônico em sua justificativa que é, na verdade, a “alma da Lei” e permanecerá para sempre atrelada à ela.

Espero que apreciem SEM moderação!!!

CLD Certified Lighting Designer

Demorou mas saiu!

Finalmente temos uma certificação Internacional profissional de Lighting Design.

CLD logo

Diferentemente daqui, onde o corporativismo, o coronelismo e a falta de bom senso e ética imperam através de organismos oficiais que agem contra outras profissões e o mercado e que ficam o tempo todo tentando promover uma reserva de mercado (que é crime), o mundo evoluído continua, evoluindo ainda mais!

É o que eu sempre digo sobre “pensar fora da caixinha” e livrar-se das gaiolas (jaulas e prisões) visando a melhoria do mundo, da humanidade.

Pois bem, o que é esse tal de Certified Lighting Designer? Vou explicar resumidamente com uma tradução livre.

Segundo o próprio site

“A certificação Certified Lighting Designer (CLD) é a primeira certificação baseada em evidências do design de iluminação do mundo. O processo de certificação foi projetado para avaliar se um indivíduo é capaz de atuar como um designer de iluminação arquitetônica de uma forma profissional e competente.”

Por que foi desenvolvida a CLD?

Os profissionais que atuam na área devem ser os únicos a definir a profissão iluminação. No entanto, na ausência de uma definição oficialmente codificada internacionalmente, existia um risco real de que aqueles fora da profissão e os outros nas esferas legislativas ou públicas tentaria defini-lo em seu lugar. É o caso aqui do Brasil onde determinados grupos vem tentando fechar a área exclusivamente para arquitetos sob alegações estapafúrdias e totalmente sem qualquer fundamentação teórico-prática.

Analisando esta situação, que não acontece apenas aqui no Brasil, a IALD iniciou uma série de conversas e debates com partes interessadas, com profissionais de iluminação e com a indústria de todo o mundo para determinar se seria benéfico para a profissão criar uma certificação que identificasse e avaliasse as habilidades e conhecimentos dos lighting designers que trabalham com projetos voltados para a Arquitetura. Essas conversas também envolveram partes interessadas de profissões relacionadas, tais como Arquitetura e Design de Interiores, já que a maioria dos profissionais atuantes hoje em dia são oriundos destas duas áreas.

Com base nesses debates, a IALD montou, em 2010, uma força-tarefa internacional credenciada para continuar a conversa e determinar a viabilidade de uma certificação global. A Associação de Designers de Iluminação Profissional (PLDA) desempenhou um importante papel, representando o grupo de trabalho. Depois de extensas pesquisas internacionais de investigação envolvendo webinars, entrevistas pessoais e reuniões, a força-tarefa decidiu que existia a necessidade premente de uma certificação profissional reconhecida mundialmente e começou a desenvolver a CLD.

A certificação CLD é uma avaliação baseada em evidências que testa a sua competência profissional ao longo de sete domínios relacionados à prática. Os candidatos são obrigados a apresentar dois tipos de provas:

  • Informações por escrito: Isso inclui respostas a um conjunto de questões, bem como descrições de projetos.
  • Portfólio: Este material presta suporte às suas respostas escritas para demonstrar a sua competência em cada domínio necessário.

Cada inscrição é avaliada por revisores treinados e capacitados. O processo de avaliação demora entre 4 e 6 semanas.

Quem é considerado apto a ser certificado?

Para solicitar o CLD, os candidatos devem comprovar no mínimo três (3) anos de experiência atuando como lighting designer profissional, sendo o principal responsável por:

  • Criar estratégia de Lighting Design e na elaborar conceitos em Lighting Design para projetos;
  • Documentação relacionada ao projeto e soluções de Lighting Design;
  • Transmitir e trocar idéias com a equipe de projeto e clientes;
  • Cumprir prazos de concepção do projeto e reuniões;
  • Realizar o acompanhamento ao longo do processo de implementação dos projetos;
  • Orientar o desenvolvimento do projeto desenvolvido e documentado.

Além disso, os candidatos devem ter de dois a quatro projetos em seu portfolio que será utilizado para demonstrar a sua competência profissional.

Domínios de Prática

Os sete domínios da prática definir as competências essenciais para profissionais de design de iluminação em todo o mundo e fornecer um padrão para medir o desempenho dos candidatos CLD.

Lighting designers qualificados que são membros de alguma associação profissional de Lighting Design aprovada devem demonstrar proficiência em cinco dos sete domínios (de colaboração e de manejo são excluídos). Todos os outros candidatos devem demonstrar proficiência em todos os sete. Ser membro de uma associação de iluminação não é uma condição prévia para a certificação, no entanto.

As competências e conhecimentos exigidos são:

  • Metas e resultados – A criação do conceito de iluminação que cumpra os requisitos do projeto e a intenção do projeto para que a solução funcione como previsto.
  • Colaboração – Interação com outras disciplinas, servindo como um membro integrante da equipe de projeto na área de Lighting Design, relacionado ao seu contexto e agregando valor ao projeto.
  • Engenhosidade – A contribuição de ideias que demonstram inovação, criatividade, originalidade, imaginação ou desenvoltura para promover os objetivos do projeto.
  • Síntese – A integração dos elementos técnicos e estéticos da iluminação com o espaço e a forma.
  • Ciência – A aplicação dos princípios da luz para atender a critérios técnicos relevantes nos projetos.
  • Sustentabilidade – A resposta do projeto de iluminação para o impacto ambiental conhecido e potencial.
  • Experiência Humana – O design de soluções de iluminação que afetam positivamente as pessoas.

Documentações:

Para demonstrar sua proficiência, você deve realizar um teste, em Inglês, com questões aplicadas sobre cada domínio. Além disso, você deve apresentar evidências ilustrativas – portfolio – para cada um dos domínios, exceto colaboração.

O número de documentos para cada domínio exigido varia dependendo se você for membro de uma associação profissional de Lighting Design aprovada pela CLD. As aprovadas são:

  • International Association of Lighting Designers (IALD)
  • Asociación Profesional de Diseñadores de Iluminación (APDI)
Domínio Professional Members of Approved Lighting Design Associations All Other Applicants
Metas e resultados

1

2

Colaboração

0

1

Engenhosidade

1

2

Síntese

1

2

Ciência

1

1

Sustentabilidade

0

1

Experiência humana

1

2

Você pode enviar até três cases como documentação para cada um dos domínios exigidos para comprovar sua qualificação. Exemplos de documentações dos cases incluem esboços, planos, fotografias, consumo energético e documentação de conformidade com as normas internacionais.

As documentações devem ser encaminhadas com pelo menos dois tipos de projetos exclusivos tais como comercial, cultural, hospitalidade, residencial, ou varejo. Embora sua solicitação deva incluir projetos tanto de interiores como exteriores, não é necessário para satisfazer cada competência um exemplo interior e outro exterior.

Todos os projetos devem ter sido concluídos nos últimos sete anos, ou estar em vias de ser finalizada a sua implementação. Para obter uma lista completa de cases aceitos para avaliação ​​e tipos de projetos, consultar o Manual do Candidato CLD disponível neste link.

5 Razões para ganhar o seu CLD

  • Alcance reconhecimento global. A CLD é a referência baseada em provas de desempenho profissional reconhecida internacionalmente.
  • Aumente a sua visibilidade profissional. Diferencie-se de seus concorrentes apresentando a sua Certificação Profissional Internacional em Lighting Design.
  • Demonstre conhecimento. Mostre a seus clientes e ao mercado que você já provou proficiência e conhecimento no desenvolvimento, orientação e conclusão de projetos de Lighting Design.
  • Invista em sua carreira. Atraia novos negócios e clientes a partir do valor de uma certificação Internacional, a CLD.
  • Ganhe o respeito que você merece. Confirme o seu status profissional aos olhos do mercado, academia, parceiros e colegas profissionais, legisladores e do público em geral.

Bom demais isso não é mesmo pessoal? Uma certificação Internacional que acaba de vez com essa lenga-lenga de que “só arquiteto pode iluminar a Arquitetura”.

Com este certificação você tem o reconhecimento e o aval do maior organismo mundial de Lighting Design para atuar profissionalmente. Tenho certeza absoluta de que ninguém irá querer contestar isso e comprar briga com a CLD.

Gostou?

Para maiores informações é só acessar o site da CLD neste link.

Ah, informação importante:

O pessoal da área cênica que atua também em projetos ligados ao objeto arquitetônico também podem solicitar a sua certificação! Aqui não há corporativismo, coronelismo e golpismos visando a reserva de mercado.

COMERCIAL – AMBIENTES PARA A SAÚDE

COMERCIAL. ÁREAS ESPECÍFICAS OU ESPECIALIZADAS – AMBIENTES PARA A SAÚDE

Quando falamos em ambientes voltados para a saúde, certamente temos como referência os ambientes comerciais, pois assim nos foi passado na academia, levando-nos a esquecer de que na verdade trata-se, na maioria dos casos, de ambientes de serviços – uma das categorias dentro dos espaços comerciais.

Os ambientes voltados para a Saúde são espaços com necessidades bastante específicas. Não podemos trata-los como um ambiente comercial como uma loja, por exemplo. Eles merecem atenção redobrada uma vez que ali serão tratados, de uma maneira geral, portadores de alguma enfermidade, algumas encubadas – ou desconhecidas pelos portadores – e outras já manifestadas. Algumas contagiosas, outras não. Alguns portadores de doenças leves e outros graves. E ainda temos aqueles pacientes em busca de tratamentos estéticos apenas.

Independente do que buscam estes pacientes (não são clientes), as questões relativas à segurança sanitária e epidemiológica num ambiente destinado à saúde devem ser levadas muito a sério, pois nestes espaços podem ocorrer diversos tipos de infecções e tornarem-se pontos epidemiológicos graves.

Separamos estes espaços em três grupos:

  1. Alta complexidade/risco: Hospitais, Unidades Básicas de Saúde, Serviços de Diálise, Serviço de Quimioterapia, Laboratório de Análises Clínicas, Central de Material de Esterilização, Clínicas Médicas e Odontológicas (com procedimentos cirúrgicos), Medicina Nuclear, Pronto Atendimento de Urgência, Exames de Imagens Extra Hospitalares, Transportes de Emergência e Resgate (EX: SAMU), além de outros locais onde ocorram procedimentos cirúrgicos ou invasivos;
  2. Média complexidade/risco: Clínicas Médicas (apenas consultas), Postos de Saúde, Clínicas de Vacinação, Serviços de Tatuagem e Piercing, Gabinete de Podólogo, Centros de Estética, Transportes de Emergência (ambulâncias) e outros com procedimentos invasivos, mas não ocorrem procedimentos cirúrgicos;
  3. Baixa complexidade/risco: Salões de Beleza, Barbearia, Centros de Massagem, Instituições de Longa Permanência, Comunidades Terapêuticas, Laboratório de Prótese Dentária, Clínicas de Fonoaudiologia e Audiometria, Clínicas de Fisioterapia, SPAs, Lavanderias, Academias de Ginástica/Fitness e demais espaços onde não ocorrem procedimentos invasivos nem cirúrgicos.

Percebam que quando nos referimos a espaços voltados para a saúde temos uma vasta gama de ambientes e, cada um, com suas necessidades específicas que vão muito além dos aspectos ergonômicos ou estéticos. A pegada estética, na verdade, não deve ser o mote (ou elemento norteador) das diretrizes do projeto. Doenças são facilmente transmissíveis seja pelo ar ou pelo contato direto com algum objeto ou pessoa infectada.

A ANVISA e a ANS elaboram e atualizam diretrizes que devem ser seguidas em estabelecimentos que lidam com a saúde. São diversas normas e recomendações que encontramos nestes dois órgãos disponíveis em seus sites e que devem ser integralmente consideradas no momento do projeto, além daquelas relacionadas à ABNT. Há também normas complementares da Vigilância Sanitária, seja no âmbito Federal, Estadual ou Municipal. Tais normas e diretrizes visam indicar os potenciais riscos bem como os cuidados a serem tomados seja no projeto, na execução do trabalho pelos profissionais de saúde e agentes envolvidos, quanto no dos pacientes.

Em todos estes espaços existem equipamentos, utensílios e insumos que podem causar a transmissão de doenças. Estão divididos assim:

Artigos Críticos: são artigos ou produtos utilizados em procedimentos invasivos com penetração de pele, mucosas ou tecidos: alicates, tesouras, piercings. Devem ser esterilizados ou descartados após o uso.

Artigos Semicríticos: são aqueles que entram em contato com a pele não-íntegra ou mucosas íntegras, necessitam de desinfecção: cabo de navalhas, máquinas de tatuagem. Devem ser esterilizados após o uso.

Não-críticos: são aqueles que entram em contato com a pele intacta: escovas, bacias, cadeira do cliente, recipientes necessitam apenas de limpeza.”[1]

Portanto, sempre que o Designer de Interiores/Ambientes for elaborar qualquer um destes ambientes deve estar atento a estes documentos, por mais simples que seja o projeto. Contamos com o apoio também de bibliografia com recomendações de órgãos profissionais para basearmo-nos.

Facilmente encontramos todas estas normas e recomendações pela internet.

Para exemplificar, vou demonstrar esta análise pelos espaços de baixa complexidade.

Ambientes de baixa complexidade/risco.

Quando detectamos estes espaços como sendo de baixa complexidade ou risco não quer dizer que estes são imunes ou isentos da possibilidade de transmissão de doenças infecciosas. É importante lembrar que quando lidamos com ambientes onde várias pessoas trabalham atendendo muitas outras, sempre há o risco de algum problema sanitário. Vale ressaltar aqui que por mais simples que seja o procedimento realizado nestes ambientes sempre haverá equipamentos e utensílios compartilhados e que, nem sempre, são tomados os devidos cuidados na desinfecção dos mesmos, pois como descrito acima, encontraremos utensílios variados que vão dos não-críticos aos críticos.

Um exemplo bastante simples (visualmente) são os Salões de Beleza e Barbearias. Aparentemente são espaços inofensivos. Mas ao observarmos atentamente percebemos que estes, por menores que sejam, podem ser ambientes muito nocivos à saúde de seus usuários.

Cuidados básicos de saúde:

“As doenças como Hepatite B e C e a AIDS, transmitidas pelo sangue, podem passar de uma pessoa para a outra por meio de um simples sangramento ao compartilhar-se instrumentais como por exemplo, um alicate de cutícula, lâminas de barbear, etc.”[2]

Como vemos um simples alicate de cutícula ou uma lâmina de barbear podem ser grandes vilões e espalhar doenças, incluindo ainda, na lista acima, as micoses. Para tanto, o profissional de DI deve estar atento durante o briefing sobre como estes (e outros) objetos são utilizados e compartilhados no dia a dia, se há uma real preocupação com a desinfecção ou não e, não havendo, propor equipamentos específicos para este processo. Dentro de um salão de beleza ou barbearia são vários os objetos cortantes ou perfurantes que podem causar uma proliferação de doenças.

Sabemos perfeitamente que estes profissionais são constantemente treinados e alertados sobre estes possíveis riscos dentro de seus estabelecimentos. Mas não é por isso que devemos, no momento do brieffing, da análise e do projetar, deixar de dar a devida atenção a estes detalhes e, sempre que necessário, apontar estes problemas para nossos clientes.

Vale ressaltar um alerta sobre outros objetos que podem ser compartilhados e também causar infecções por causa de novas doenças como, por exemplo, o vírus H1N1, que é transmitido através de contato com mucosas e secreções do organismo infectado – por exemplo, a tosse.

Pode parecer estranho, mas os objetos utilizados por maquiadores podem sim ser transmissores de doenças por trabalharem em áreas potencialmente excretoras de secreções: os olhos e a boca. Portanto, pincéis especialmente, devem ser cuidados também. Tais objetos, quando compartilhados podem transmitir a conjuntivite e infecções, como o terçol.

Até mesmo o batom e os pincéis para aplicação podem ser foco de transmissão da herpes.

Já nas barbearias encontramos ainda o problema das lâminas como grandes vilãs. Quando me refiro a este elemento, não trato apenas delas, mas do equipamento/ferramenta em si onde elas são utilizadas. Um pequeno sangramento que, aparentemente, pega apenas na lâmina, por ser um objeto constantemente molhado ou no ato de limpa-la (seja na toalha ou na água) pode espalhar o vírus ou fungo por todo o aparelho. Portanto, lâminas sempre devem ser descartadas e o aparelho esterilizado após cada uso.

Nos dois casos há o uso de tesouras, escovas, pentes e máquinas. Como no exemplo acima do pequeno sangramento, estes também podem ser infectados e passar a transmitir doenças caso não sejam submetidos à correta desinfecção. Um pente ou uma escova de cabelos, se não higienizados corretamente, podem transmitir piolhos, foliculite e micoses.

Podem achar que estou brincando, mas vejam o que diz o Center for Disease Control and Prevention[3]:

“o vírus da hepatite B é capaz de sobreviver fora do organismo durante sete dias, no mínimo e ainda causar infecção”.

Segundo estudos, o HIV sobrevive “apenas” por uma hora fora do organismo:

“O vírus da aids é bastante sensível ao meio externo. Estima-se que ele possa viver em torno de uma hora fora do organismo humano. Graças a uma variedade de agentes físicos (calor, por exemplo) e químicos (água sanitária, glutaraldeído, álcool, água oxigenada) pode tornar-se inativo rapidamente.”[4]

Mas no espaço de apenas uma hora, dentro de um salão de beleza ou barbearia, o profissional pode utilizar os mesmos utensílios e equipamentos em mais de um cliente.

Portanto, é sim de responsabilidade também do designer observar atentamente estes detalhes durante a fase de pré-projeto.

cuidado

Bom, se num ambiente de baixa complexidade encontramos estes e outros riscos mais, o que podemos encontrar naqueles de média e de alta complexidade?

Portanto fica claro que trabalhar com este tipo de ambiente requer muito mais que bom gosto e uma análise ergonômica do espaço. O tema é bem mais profundo e a seriedade com que devemos trata-los é grande.

 

_______________________________________________________________________________

[1] http://www.saude.rs.gov.br/upload/1358859248_APRESENTACAO%20PORTARIA%20EIS%20PORTARIA%20500.pdf

[2] Idem.

[3] http://www.cdc.gov/hepatitis/index.htm

[4] http://www.aids.gov.br/pagina/duvidas-frequentes

O DESIGN APLICADO AOS AMBIENTES: UMA BREVE RELEITURA.

“A organização de cada historiografia em função de óticas particulares e diversas se refere a atos históricos, fundadores de sentidos e instauradores de ciências.” (CERTEAU, 1982, pp 35).

Os estudos sobre a Filosofia da História e também sobre a Escrita da História nos mostram que este é um conhecimento que vem sendo, desde sempre, sistematicamente escrito e reescrito de acordo com os interesses de grupos sociais. Fato é que hoje temos incontáveis versões da Bíblia, cada uma atendendo os interesses doutrinários de sua denominação onde vemos textos alterados, palavras inexistentes no período bíblico e que vem sendo inseridas e aplicadas em – e com – contextos distorcidos relativizando, assim, a história religiosa.

Para basear este artigo, utilizo o livro de MICHEL DE CERTEAU, A Escrita da história. Neste livro ele faz uma profunda análise histórica sobre como a ideologia religiosa se impôs e moldou a História ao mesmo tempo em que lutava contra as suas próprias contradições e inconsistências. É importante perceber como a difusão da história manipulada por um determinado grupo (ou uma determinada área profissional) pode levar a uma degradação progressiva da sua própria história, bem como, a falta de pesquisas e análises de possibilidades pode reforçar a idéia imposta de uma “história inexistente” sobre outros grupos (ou outras áreas profissionais), como é o nosso caso.

Digo isso, pois é comum vermos a História do Design de Interiores totalmente amarrada à História da Arquitetura. Não questiono isso já que, de maneira bem específica, estas duas áreas sempre estiveram realmente muito próximas e atuando juntas, uma completando a outra. Porém, apenas em sua relação no tocante ao elemento arquitetônico. Com isso, não podemos permitir que estas amarras cerceiem ou sirvam de barreiras para o nosso pleno exercício profissional.

Também não podemos pensar na História do Design de Interiores apenas por dados concretos relativos ao nosso País já que esta é uma profissão internacionalizada assim como todas as outras e que faz parte do cotidiano de qualquer pessoa direta ou indiretamente. Da mesma forma que não podemos acatar passivamente a história oficial que conhecemos. Ao aceitarmos este tipo de abordagem histórica eliminamos todos os lastros do “pensar o melhor uso dos espaços[1]” – um dos pilares de nossa profissão – claramente percebidos na História da humanidade.

Nesse sentido fica claro que diversos lastros históricos acabam sendo descartados, pois a “versão oficial” que nos ensinam desconsidera e/ou distorce elementos importantes para que a mesma passe a atender aos interesses destes grupos dominantes. Percebe-se que a História é marcada por um constante conflito entre a historiografia e a arqueologia. Com isso, não podemos descartar estas imposições ideológicas sempre alterando, omitindo, distorcendo aspectos, elementos e fatos importantes em benefício próprio. Tais detalhes, por vezes sutis e aparentemente sem grande relevância podem conter lastros importantes para a nossa história.[2]

“Certamente, em seu uso corrente, o termo história conota, sucessivamente, a ciência e seu objeto – a explicação que se diz e a realidade daquilo que se passou ou se passa. […] O próprio termo “história” já sugere uma particular proximidade entre a operação científica e a realidade que ela analisa.” (CERTEAU, 1982, pp 24).

Quando Certeau nos apresenta esta descrição, temos maior clareza de que os fatos retratados nas justificativas históricas que recebemos atualmente são carregadas de imprecisões – propositais – da realidade do passado. Não à toa percebemos um insistente avanço da área de Arquitetura sobre a área de Arqueologia, impondo às descobertas que “tudo contido no sítio é Arquitetura”. O mesmo fez a Igreja quando impôs a historiografia sobre a arqueologia para, através dos mitos e lendas que são a base de sua ideologia/doutrina – midraxes – como bem nos mostra Certeau quando, referindo-se ao trabalho do historiador, afirma que “como objeto de seu trabalho, a teologia se lhe apresenta sob duas formalidades igualmente incertas na historiografia; é um fato religioso; é um fato de doutrina.”[3]

Passivamente somos condicionados a pensar através de uma História “oficial” que nos é repassada pela academia, desde o ensino fundamental, e reforçada no ensino superior. É fácil aceitarmos passivamente a ideia de que a primeira habitação humana – as cavernas – é fruto da Arquitetura. Não há, ou se há não recebeu o devido reconhecimento, refutações sobre este fato, ao mesmo tempo em que percebemos o quão óbvio é que uma caverna não é um elemento arquitetônico por ser este, um espaço criado e construído pela própria natureza e não pelo homem. Vemos neste simples exemplo, o apoderamento de algo que não pertence àqueles que dele se vangloriam como se feitos históricos de sua área o fosse. Certeau, em uma nota de rodapé (3) explicando o termo “produção” utilizado por ele referindo-se à História, nos mostra que

Aqui como em muitos outros casos (cf. por “manifestação”, “aparição” e até por “ação”), uma pressão da linguagem corrente leva o sentido a se transformar do ato em seu resultado, do ativo do fazer ao passivo do ser visto, do gesto à sua imagem no espelho. Uma clivagem crescente entre a pesquisa e a vulgarização ocorre tanto na história quanto na teologia: as pesquisas tomam a forma de meios específicos e diferenciados por procedimentos próprios; mas, na sua “vulgarização”, a história e a teologia se tornam objetos de saber ou de curiosidade, distribuídos e impostos a um “público” de consumidores que participa cada vez menos da produção.” (CERTEAU, 1982, pp 24).

Mas o que aconteceria se os designers passassem a estudar e analisar o trabalho arqueológico buscando as pistas do início de nossas profissões? Certamente teríamos uma reviravolta na história da Arquitetura e do Design, pois muitas das teorias que conhecemos hoje como fatos incontestáveis podem ruir dando lugar a novos olhares multidisciplinares, o que reforçaria ainda mais a veracidade destes novos estudos.

“E se o sentido não pode ser apreendido sob a forma de um conhecimento particular que seria extraído do real ou que lhe seria acrescentado, é porque todo “fato histórico” resulta de uma práxis, porque ela já é o signo de um ato e, portanto, a afirmação de um sentido. Este resulta dos procedimentos que permitiram articular um modo de compreensão num discurso de “fatos”.” (CERTEAU, 1982, pp 35).

No entanto, percebemos que há um movimento tentando forçar a ideia de que o Design de Interiores surgiu como área recentemente e ligada apenas ao elemento arquitetônico, ou edificação. Podemos até levar esse argumento como verdadeiro se analisarmos sob a ótica educacional afinal aqui no Brasil, os primeiros cursos de formação oficiais surgiram apenas na metade do século passado com claros reflexos do pensamento da Bauhaus. Gropius[4], o responsável pela reformulação curricular desastrosa desta escola afirmou que

“Não obstante, o nosso objetivo mais nobre é o de criar um tipo de homem que seja capaz de ver a vida em sua totalidade, em vez de perder-se muito cedo nos canais estreitos da especialização”.

Com isso, essa renovação pedagógica proposta culminou com o fim dos ateliês independentes de prática das artes (escultura, pintura, artes manuais, musica, artesanato, etc) em meras disciplinas, consideradas como elementos inseparáveis da Arquitetura. Em outras palavras, seriam práticas que dependiam da Arquitetura para existir. Vale ressaltar também, como destaca Wolfe[5], que no inicio da Bauhaus, a vinda destes mestres-artesãos para a escola já havia sido planejada para que estes produzissem mais voltados para os interiores arquitetônicos que para a sua verdadeira função enquanto produtores de produtos variados. É claro que a intenção foi mais no sentido de “reinventar” a Arquitetura transformando-a em algo totalitário e acima de todas as outras áreas do que promover e integrar (interação/cooperação) as artes e ofícios.

O estilo Bauhaus na verdade era uma apropriação de movimentos artísticos que estavam ocorrendo no período com um viés do socialismo impregnado na época pelo cenário de destruição e esperança do pós-guerra[6].

Assim conseguimos entender como a ligação de nossa área com a Arquitetura é algo forçado e ilusório. Esta “amarra” que nos prende (no ideário acadêmico e de mercado) não passa de uma visão ufanista impregnada de considerações ditatoriais, reflexos da época em que a Bauhaus esteve operante[7], pouco antes de sua falência.

Adrian Forty[8] (2013), mais especificamente no capitulo denominado “O Lar”, retrata como eram pensados os espaços residenciais antes disso tudo. Foi no período concomitante à Revolução Industrial[9] (o início desta distorção) e após este, chegando aos dias de hoje, este pensar amarrado habita o imaginário sobre o conceito da área. Quando houve a Revolução Industrial, criou-se uma ideia de que o Design era algo que devia ser industrializado[10] e somente então a profissão de desenhista industrial foi considerada ou validada. Mas percebe-se que há aqui a mesma despreocupação com lastros históricos desta prática, incluindo alguns bibliográficos. As razões disso poderão ser compreendidas na mesma medida em que for acompanhando meu raciocínio sobre a nossa área.

Reescrevendo a nossa linha do tempo – reflexões e observações.

Desde o século XVIII este trabalho de desenvolver os ambientes vinha sendo realizado por tapeceiros e estofadores. Estes artesãos definiam os materiais, os revestimentos e as formas. Porém houve uma forte reação à incapacidade destes de fornecer móveis e projetos de decoração que atendessem aos novos conceitos e padrões morais.

Na época Vitoriana[11], estes padrões morais foçaram a separação entre o espaço de trabalho do espaço denominado “lar”. O primeiro destinado ao ofício e o segundo ficara reservado para o convívio familiar e social. Esta tendência levou a casa a contemplar aspectos diferenciados representados pela decoração e pelo design dos objetos inseridos nos diversos espaços da realidade urbana (externa) desvinculando, assim, a habitação do espaço de trabalho.

Isso nos mostra a visão, vigente até os dias atuais, de que o lar busca contrapor os espaços frios dos ambientes de trabalho[12]. Passaram a ser um espaço onde as energias dispensadas no labor diário poderiam ser recuperadas através da “paz” e do isolamento que este espaço passou a refletir: antes um ambiente múltiplo onde o trabalho, muitas vezes artesanal, e a convivência familiar dividiam os mesmos espaços, agora um ambiente íntimo destinado apenas à família e aos poucos convidados. Isso ficava claro observando as formas de se vestir nos dois ambientes.

“Desse modo, o lar passou a ser considerado um repositório das virtudes perdidas ou negadas no mundo exterior. Para as classes medias do século XIX, lar significava sentimento, sinceridade, honestidade, verdade e amor. Essa representação do lar compreendia uma dissociação completa de todas as coisas boas do mundo público e de todas as coisas ruins do mundo doméstico. Era transformar o lar em um lugar de ficção, um lugar onde florescia a ilusão. Essas condições de exclusão artificial de todos os sentimentos “ruins” do lar, combinadas a um ócio intelectual forçado, proporcionaram, como Sigmund Freud e Joseph Breuer observariam na década de 1890, o clima para a histeria, um dos males mais comuns das mulheres burguesas do século XIX.” (FORTY, 2013).

A partir de 1860 começaram a surgir manuais que ditavam padrões especiais de bom gosto, bem como reforçavam as funções sociais das mulheres que as levou a manter-se afastadas do mundo do trabalho (ao menos as burguesas[13]). Agora, além dos afazeres domésticos e das prendas[14] que deviam possuir como sinônimo de valorização pessoal, passam a ficar responsáveis pelo cuidado e pela decoração de seus lares. O marido traz o sustento e a esposa zela, mantém e renova a casa. Este cuidar aumentava o rol de prendas esperadas de uma mulher: definir os mobiliários, cores, texturas e objetos que comporiam os ambientes e elas, agora, até mesmo pintavam e empapelavam as paredes[15].

Tais manuais, em sua maioria, eram escritos por mulheres[16] que trabalhavam especificamente com esta área. No período de 1800, Rhoda e Agnes Garret eram decoradoras e diretoras de uma escola de Decoração. De 1880 a 1890 a Sra Panton escrevia uma coluna semanal no The Lady Pictorial[17], falando sobre o tema e também prestava consultorias. Elsie de Wolf e Edith Wharton já contavam com respeito em NY como designers de interiores desenvolvendo diversos projetos.

Com esse tipo de atitude, diversas metáforas e imagens alegóricas sobre o “lar perfeito” foram criadas. Em 1913 Elsie de Wolf escreveu[18] que

“[…] um homem pode construir e decorar uma linda casa, mas cabe à mulher fazer dela um lar para ele. É a personalidade da dona da casa expressa. Os homens são para sempre convidados em nossos lares, não importa quanta felicidade eles possam encontrar ali.”

O que não contavam é que este aprisionamento das mulheres as levariam ao ócio forçado e, como exposto anteriormente, à histeria. Percebe-se a busca pela personalidade no lar, porém representando apenas a da senhora. Este conceito de que os interiores devem mostrar o caráter pessoal foi amplificado no século XIX quando as aparências (status) contavam mais que o verdadeiro caráter. Este pensamento era tão sério que, a mulher que não fosse capaz de expressar a sua personalidade através da decoração, era tida como menos feminina. Percebe-se então, que a profissão de Decoração já existe desde o final dos anos 1700 de maneira formal (estas senhoras citadas) bem como informal (as donas de casa)[19].

Como se vê, tudo isso tem a ver com convenções sociais de períodos específicos. Tais convenções são criadas por grupos dominantes e que as impõem como verdades absolutas. Paradoxalmente percebe-se que ao mesmo tempo em que as “autoridades” ditavam através de regras de Decoração as tendências e o certo/errado, impunham questões como a individualidade do caráter que deveria ser refletido nos espaços residenciais. Somente muito tempo depois disso percebeu-se que o bem estar moral (status/beleza/estética) deveria dar lugar ao pensamento sobre o bem estar físico (função/conforto). Ou seja, voltando às raízes do pensamento lá nas cavernas: como melhor utilizar o espaço disponível.

Não vou perder tempo aqui analisando a História recente desta profissão (séculos XIX e XX) já que existe farto material disponível sobre este assunto em livros e na internet. Mesmo que, na maioria das vezes diretamente ligados à pratica da Arquitetura, percebe-se que esta práxis não faz parte da mesma afinal, o elemento tratado e os objetivos são distintos em sua essência. Vamos começar então pela data “oficial” reconhecida pela História.

Oficialmente, atribui-se o nascimento de nossa área à passagem do Renascimento para o Barroco. Fica evidente a tentativa de ligação da nossa história à evolução dos estilos arquitetônicos, tanto que Le Brun – um arquiteto – é considerado o primeiro decorador de interiores da história. Conforme nos aponta GIBBS (2009):

“Na Itália do século XVII, o classicismo do Renascimento começou a evoluir para o estilo Barroco, caracterizado por sua teatralidade e exuberância dos ornamentos. A partir da Itália, esse estilo difundiu-se em toda a Europa, florescendo particularmente no sul da Alemanha, na Áustria, na Espanha e em Portugal. Quando o estilo Barroco começou a se manifestar na França e na Inglaterra, eram poucos os arquitetos que definiam os interiores das edificações que projetavam, e os projetos de maiores proporções costumavam ser desenvolvidos por artesãos especializados, que os realizavam a partir de gravuras de arquitetos italianos.”

Perceba que há um equívoco – para mim, proposital – no discurso atual da Arquitetura quando alegam que os projetos de interiores SEMPRE fizeram parte da práxis dos arquitetos. Le Brun assumiu exclusivamente a responsabilidade de realizar o projeto de interiores do Palácio de Versalhes, pois os arquitetos responsáveis pelas intervenções na edificação, François Mansart e Louis Le Vau, perceberam que não iriam conseguir contemplar todos os aspectos (estruturais, funcionais e estéticos) sozinhos bem como as exigências do projeto de interiores deveriam ser tão ricas em detalhes – principalmente que representassem o status do rei Henrique VI – que um artesão sozinho, por mais especializado que fosse, provavelmente não conseguiria atingir os objetivos criativos, inovadores e estéticos necessários. Mas não se sabe – ao menos oficialmente – se Le Brun realmente desenvolveu sozinho estes projetos ou se o fez em parceria com estes artesões, dada a complexidade dos detalhamentos e das estruturas do mobiliário e objetos decorativos. E, notadamente, os artesãos dominavam técnicas e materiais específicos que os arquitetos desconheciam.

Digo isso pois neste mesmo período, século XVII, o rei Henrique VI concedeu proteção real aos artesãos (marceneiros, carpinteiros, ferreiros, pintores, costureiras, etc.) reconhecendo a importância destes profissionais que eram, na verdade, aqueles que desenvolviam os projetos de interiores.

“Os huguenotes[20] refugiados exerceram um papel importante na evolução do Design de Interiores inglês, pois muitos eram artesão altamente qualificados.” (GIBBS, 2009).

Percebe-se claramente então, que o inicio real da área está intrinsecamente ligado aos artesãos bem como ao ser humano e a sua prática vernacular. Nesta prática, o projetar – aqui com significado de pensar em como solucionar o problema – está intimamente ligado ao fazer que é repassada de geração em geração através dos tempos. Isso significa que estes artesãos, muito antes da idéia de projeto introduzida pela Revolução Industrial, já haviam produzido padrões (projetos) que eram seguidos para a produção de objetos e repassados adiante de maneira informal seja pela observação ou pelo aprendizado prático como assistente. Não havia conhecimento teórico acerca do que estava sendo feito, mas sim, um conhecimento empírico do por que, para que e como fazer.

“No passado, muitos objetos foram sistematicamente produzidos com projetos muito sofisticados e com a mesma falta de compreensão da base teórica. É comum chamar esse procedimento de “projeto de ferreiro”, porque o artesão, tradicionalmente, projetava os objetos enquanto os fazia, sem desenhos técnicos, baseado em padrões antigos passados de geração em geração.” (LAWSON, 2011).

Os esquimós são um exemplo perfeito desta prática vernacular[21], pois nunca precisaram de um arquiteto, engenheiro ou projetista para criar – no início – e aperfeiçoar o modelo construtivo assim como o uso dos iglus. Eles vão recriando e adaptando-o conforme suas necessidades mudam. “Segundo Kingston Wm.Heath (2003), o vernacular é produzido por um indivíduo para seu próprio uso, ou por construtores anônimos e locais que respondem a fórmulas localmente adaptadas[22].

Christopher Alexander (1964) nos lembra que quando a sociedade é submetida a mudanças rápidas – como é o caso da Revolução Industrial – e a necessidade de artefatos[23] aumenta, seja em variedade ou em quantidade. Assim, é óbvio que a produção artesanal torna-se incapaz de suprir à demanda. Portanto, faz-se necessária uma abordagem mais ampla e técnica: o processo profissionalizado de concepção de produtos que atendam às novas necessidades aliado à rápida manufatura. Percebe-se então que o projeto, como o conhecemos hoje, não é fruto de planejamentos cuidadosamente calculados e sim, de uma reação às necessidades impostas pelas mudanças sociais e culturais da sociedade.

Mas voltando à História de nossa área, observando os elementos vernaculares e os subjetivos existentes[24], podemos concluir que a forma de “pensar o melhor uso” dos diversos espaços utilizados pelos seres humanos (base de nossa profissão) de maneira confortável, segura e eficiente ao mesmo tempo em que satisfaz as necessidades vem de longe, de eras bem mais distantes.

Na verdade, este pensar sobre as formas de usar os ambientes pode ser notado já, arrisco-me a afirmar, antes mesmo da Arquitetura (construção) surgir. Mas disso trataremos um pouco mais adiante ainda neste artigo. Vamos retrocedendo no tempo, nos aproveitando das práticas vernaculares e de pistas espalhadas pela História da humanidade, para que possamos entender este processo.

Antes de Le Brun (século XVII), nos séculos XV e XVI durante o período do Renascimento, já percebemos uma renovação sobre a função de criar os espaços interiores ou adequá-los ao melhor uso. Aqui percebemos que existiam, além dos artesãos, alguns arquitetos que tinham abandonado a Arquitetura pura[25] e enveredado para esta área bastante especifica passando a trabalhar apenas com isso. No entanto, é leviano afirmar que a Decoração ou o Design de Interiores e Ambientes nasceram da Arquitetura por causa disso. Percebam que houve uma necessidade específica (demanda) sobre um objetivo (problema) que não era uma “peça chave” considerada dentro da Arquitetura.

Já no século XII, as casas e templos recebiam cores, mobiliários, panejamentos e objetos decorativos bem como, a entrada de uma “luz” natural através dos rasgos na alvenaria oriundos do movimento Gótico após um longo período de escuridão, em diversos aspectos, que o antecedeu: a Idade das Trevas foi um período onde o processo criativo foi perseguido, ficou estagnado e quase foi eliminado. As Artes e a Arquitetura, bem como as práticas artesanais passaram a seguir padrões que refletiam o período: as guerras medievais (social) e a ascensão da igreja (moral) que geraram um momento de austeridade impostas por estas duas situações.

Retrocedendo um pouco mais, na Roma Antiga, os ambientes eram ricamente elaborados (estética) e inovaram em um ponto fundamental de nossa profissão: a busca pelo conforto. Os espaços passaram não apenas a servir como um espaço para ser admirado, mas deviam fundamentalmente propiciar o bem estar (conforto e segurança) de seus usuários permanentes e convidados.

Esta preocupação com a estética (para mostrar poder e status social) levou à renovação na forma de produção dos móveis, com atenção especial à ornamentação, pois agora estes faziam parte do embelezamento dos espaços.

Antes disso, na Grécia Antiga, já conseguimos perceber uma preocupação com essa área. “Os móveis outrora rústicos e feitos ao acaso passaram a ocupar grande parte da preocupação de seus feitores: sua elaboração passou a ser feita com mais esmero, e alguns móveis mais finos já traziam detalhes em metais nobres, tais como o marfim e a prata.[26]“.

Chegamos então a um credito “não oficial” do nascimento do Design de Interiores: o Egito. Neste período já se percebem traços do cuidado dos usuários (conhecimento vernacular) com relação aos espaços por eles utilizados, especialmente dentro de suas casas onde, entre outras coisas, buscavam desenvolver mobiliários utilitários (função) ao mesmo tempo em que, à sua maneira, tentavam torna-los mais agradáveis visualmente e confortáveis com o revestimento de peles e tecidos. Também se percebe nestes mesmos ambientes a existência de murais, acessórios utilitários e objetos decorativos. Tais cuidados refletem claramente a constante preocupação com a organização dos espaços internos.

Como se vê, a preocupação com o bem estar – e tudo que este termo engloba – dentro e fora das edificações está presente há muito tempo na História da humanidade. Mas não podemos parar por aqui afinal, a nossa História contém ainda muitos passos que podem ser percebidos muito antes do Egito Antigo.

Regredindo um tanto mais na linha do tempo chegamos ao homem que utilizavam as cavernas[27], a primeira “habitação” do ser humano.

Na verdade as cavernas não podem ser tratadas como habitação e sim como abrigos. Segundo o Dicionário Michaelis, o termo habitação refere-se a

“ha.bi.ta.ção

sf (lat habitatione) 1 Ato ou efeito de habitar. 2 Lugar em que se habita. 3 Casa, moradia, residência, vivenda. 4 Habitat. 5 Designação do lugar ou sítio onde os animais se recolhem.” (grifo nosso).

Já os abrigos significam, segundo o mesmo dicionário,

“a.bri.go

sm (lat apricu) 1 Tudo que serve para abrigar das intempéries: “Na hora quente do dia, o sol cintilava na clareira do abrigo, os animais se juntavam debaixo das árvores” (Amadeu de Queirós). 2 Cobertura, galpão, telheiro. 3 Algo que oferece proteção ou refúgio contra exposição, dano físico, ataque, observação, perigo etc. 4 Enseada. 5 Guarida. 6 Proteção. 7 Mil Construção à prova de projéteis e bombas. A. antiaéreo: estrutura subterrânea, construída especialmente para proteger pessoas contra ataques aéreos. A. de menores: internato para educação e reeducação de crianças ou jovens abandonados. A. público: abrigo contra o sol e a chuva, nos pontos de espera de veículos coletivos, em grandes cidades. Ao abrigo de: protegido de. (grifos nossos).

Percebe-se claramente com estas definições que, por mais que se faça presente na definição de abrigo o elemento relativo à construção dos abrigos à prova de projéteis e bombas, as cavernas não podem ser consideradas habitações, pois não possuem elementos construtivos. Pelo contrário, são espaços naturais existentes formados pela própria natureza. Os homens primitivos apoderavam-se destes espaços naturais para enfrentar as adversas condições impostas pela natureza já que encontraram nestes lugares, áreas perfeitas para aquecê-los em noites frias especialmente nos períodos de inverno, para protegê-los da chuva, do vento e dos animais. Era bastante comum também que eles colocassem na entrada destas cavernas grandes pedras ou fizessem fogueiras para evitar a entrada de animais garantindo assim a segurança de todos os usuários.

Dentro das cavernas percebemos outros elementos que também podemos considerar como o início da forma de “pensar o melhor uso para os espaços” utilizados por eles já que a caverna era dividida em áreas distintas e basicamente bem definidas, dependendo da dimensão do ambiente. Havia a área para dormir, a área de convivência e a área para preparo e consumo da alimentação. Também encontram-se provas de que haviam preocupações com o conforto, mesmo que de forma rudimentar, ao observarmos as “camas” feitas de capim bem como as imagens retratadas nas paredes, as pinturas rupestres[28], traziam aos usuários a sua história, registram as formas de agir e de planejamento do clã em suas ações, bem como representam de certa forma, o status do clã. Podem ser consideradas também como elementos decorativos ligados diretamente à estética.

Como podemos perceber, independente da História oficial afirmar uma coisa, observando a trajetória da humanidade é fácil perceber que a forma como utilizamos os diversos espaços em nosso dia a dia, assim como a constante preocupação com o bem estar, o conforto, a segurança e a estética estão enraizados desde os nossos primórdios. Isso reflete claramente o processo de trabalho de um designer: encontrar o problema – seja de qual natureza for – e buscar a melhor solução para ele. Esta é a forma de pensar do designer.

 .

——————————————————————————————————————————————-

[1] Refiro-me aqui a todo o processo envolvido no desenvolvimento e implantação de um projeto que vai desde a coleta de dados, passa pelo estudo e analise de possibilidades chegando ao projeto final que será implantado.

[2] CERTEAU, Escrita da história, 1982.

[3] Idem, pp 26.

[4] “Bauhaus: Novarquitetura”, 1974 – 2 ed.

[5] WOLF, Tom. “Da Bauhaus ao nosso caos”, Ed. Rocco, 1990.

[6] NETO, Mariano Lopes de Andrade; CAMPOS, Lívia Flávia de Albuquerque; MARSON, Elissandra; KAMISAKI, Margareth Sayuri; SILVA, José Carlos Plácido da; PASCHOARELLI, Luis Carlos. “Bauhaus e o Jardim de Epicuro: Discurso e Prática”.

[7] Percebem como este tipo de pensamento ainda é empregado hoje em dia? De profissionais a órgãos ligados à Arquitetura, ainda hoje vemos constantemente falas e ações que representam claramente este absolutismo arquitetônico tentando ser imposto.

[8] FORTY, Adrian. “Objetos de Desejo”. Edição revisada e ampliada. Ed. Cosac Naify, 2013. A original data de 1686.

[9] A Primeira etapa da Revolução Industrial ocorreu entre 1760 a 1860 e ficou limitada, primeiramente, à Inglaterra. A Segunda Etapa ocorreu no período de 1860 a 1900, abrangendo países como Alemanha, França, Rússia e Itália que também se industrializaram. A Terceira Etapa considera os avanços tecnológicos do século XX e XXI.

[10] Produzido em larga escala, mecanicamente ou manufaturadas.

[11] De junho de 1837 a janeiro de 1901.

[12] Hoje trabalha-se com a ideia dos home offices. Um movimento contrário à ideia de separação dos ambientes. Isso se deve cada vez mais pelas necessidades especificas da sociedade e das pessoas.

[13] Aqui podemos perceber claramente de onde vem a concepção de que nossa área está relacionada aos projetos dignos de capas de revistas, bem como esta ser uma atividade feminina.

[14] Prendado – adj. Dotado de muitas e boas qualidades. / Que tem esmerada educação.

prenda – s.f. Presente, dádiva. / Qualidade, dom. / Aptidão; conhecimentos; arte; habilidade. / Bras. (RS) Jóia. // Fam. e Ironic. É uma…

[15] Não à toa que ainda hoje vemos nossas clientes (esposas) dominando o pensar sobre como deve ser o projeto, definindo questões pertinentes a outros usuários (esposo, filhos, etc.) e assim por diante. Absurda e lamentavelmente, ainda percebemos ecos dessa época atualmente.

[16] Sra. Haweis, Sra. Paton, Sra. Edith Wharton, Sra. Ogden Codman, Sra. Elsie de Wolf entre outras.

[17] Lady’s Pictorial – In print: 1891. The Lady’s Pictorial was a periodical aimed squarely at middle class women, and a rival to The Queen. It regularly printed articles on the enlargement of women’s sphere, particularly in employment. A large number of women were employed on the staff. (Disponível em http://www.cardiff.ac.uk/).

[18] Livro “The house in good taste”.

[19] Isso rompe com o ideário de que a organização dos espaços internos sempre foi uma prerrogativa da Arquitetura.

[20] Recebia o nome de huguenote todo o seguidor da religião protestante na França. Eram na maioria calvinistas (acreditavam nos ensinamentos de João Calvino) e membros da Igreja Reformada. A origem do termo é creditada aos católicos franceses, que o teriam criado baseando-se no nome de Besançon Hugues, líder religioso suíço. (http://www.infoescola.com/religiao/huguenotes/).

[21] Já que fala-se tanto sobre “Arquitetura Vernacular”, destacando a sua relevância e importância histórica para a área (em 1997, foi lançada “The Enciclopedia of Vernacular Arquitecture”, o primeiro estudo internacional sobre edifícios vernáculos, editada por Paul Oliver), podemos também utilizar este termo para defender estas ideias sobre a nossa área: o Design vernacular.

[22]O Design e a Valorização do Vernacular ou de Práticas Realizadas por Não-Designers”. Ibarra, MSc Maria Cristina.; Ribeiro A.C., Dra Rita.(2014).

[23] “Forma individual de cultura material ou produto deliberado da mão-de-obra humana” HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Ed. Objetiva. 2001.

[24] As descobertas arqueológicas provam isso.

[25] Projetos arquitetônicos, edificações.

[26] Fonte: http://www.portaleducacao.com.br/iniciacao-profissional/artigos/45048/historia-do-design-de-interiores#!1

[27] ca.ver.na – sf (lat caverna) 1 Cavidade de grandes dimensões em monte, rochedo ou sob a terra; antro, furna, gruta. (MICHAELIS).

[28] ru.pes.tre – adj m+f (lat rupes) 1 Relativo às rochas. 2 Que vive nas pedras. 3 Bot Diz-se do vegetal que cresce sobre os rochedos. 4 Inscrito ou desenhado nas rochas: Pinturas rupestres. (MICHAELIS).

Novos paradigmas, ou, os nichos negligenciados.

Esta série de artigos que publico atualmente nasceu de minha palestra “Design de Interiores e Ambientes: N Jeitos de Atuar” e as constantes solicitações de maiores explicações sobre alguns aspectos mencionados na mesma e que, por falta de tempo na palestra, acabam ficando algumas pontas soltas. Então, a intenção desta série é exatamente esta: complementar e ampliar o conteúdo da palestra. Mas antes de dar prosseguimento, faz-se necessário elencar alguns aspectos de relevância para o melhor entendimento do conteúdo aqui expresso.

Causa certa estranheza a forma como as Instituições de Ensino Superior (doravante apenas IES) e as Instituições de Ensino Técnico (doravante apenas IET) abordam a área de Design de Interiores e Ambientes. Há uma falha imensa nas matrizes curriculares bem como nos ementários das disciplinas com relação às possibilidades de atuação profissional ficando, portanto, bastante distantes da realidade do mercado. Outro fator importante a destacar é que os acadêmicos não devem ser treinados para seguir um padrão projetual, ou conjunto de procedimentos pré-determinado, já que vivemos numa constante evolução em todos os aspectos tangenciais ao projeto: tipos e usos de espaços, materiais, tecnologias, entre outros.

Antes de tudo, faz-se necessário entender o que significa esta palavra “Design” que antecede o nome de nossa profissão, um detalhe que trataremos mais adiante em outro artigo. Mas, mesmo sem este conhecimento prévio, não nos impede de pensar sobre a abrangência de nossa área.

Como um campo “multidisciplinar” – prefiro dizer que é transdisciplinar – o Design de Interiores e Ambientes é uma profissão que, por suas características específicas aliadas aquelas oriundas de nossa raiz, o Design, não podem ser limitadas por barreiras supostamente definidas por sua nomenclatura, bem como não deve ser amarrada a qualquer outra área profissional (EX. o elemento arquitetônico) à exceção de sua origem: o Design.

O projetista não deve comportar-se como um motorista de taxi: “Diga-me exatamente aonde você quer chegar e me pague que eu te deixarei no destino.” (Phillips, 2008).

Durante a formação acadêmica, é praticamente imperante o direcionamento para trabalhos voltados apenas ao elemento arquitetônico. Poucas são as IES que conseguiram livrar-se do erro acadêmico de confundir a área com a Arquitetura ou a Decoração e hoje oferecem cursos de alto nível e com uma vasta abrangência de possibilidades de atuação profissional que vão muito além dos projetos residenciais ou comerciais. Aliás, existem diferentes tipologias de espaços residenciais, bem como de comerciais. Mas não somente estes tipos existem.

Jenny Gibbs[1] lembra que

Durante muitos anos, o Design de Interiores confundiu-se com a Arquitetura, ficando, muitas vezes, encoberto. Distinções mais claras entre essas duas profissões tão relacionadas entre si estão começando a se formar atualmente e, uma vez estabelecidas de forma definitiva, será mais fácil definir o Design de Interiores como uma profissão respeitada, ética, com valores, missão e objetivos claros. De forma geral, a profissão estará em melhor posição para abordar questões importantes relacionadas com a ideologia do Design, estilo de vida, segurança, conforto e comportamento humano, e estimular os aspectos sensoriais e perceptivos do Design de Interiores, além da função e ergonomia”.

O ato de projetar sempre esteve ligado ao intelecto: arte, ciência e filosofia afinal, projetar envolve um esforço mental sofisticado: lidamos com diversas ideias (vagas e precisas), informações (criatividade e cálculos), problemas (objetivos, subjetivos), materiais (físicos e sensoriais), processos industriais e construtivos, psicologia e percepção humana entre outras variáveis (pensamento sistemático e caótico), onde temos de ordena-las de forma coerente a fim de concretizar as soluções através do projeto. E assim deve permanecer, sempre em expansão acompanhando a evolução da humanidade e, principalmente, da sociedade.

Não podemos permitir sermos transformados em robôs automatizados que seguem padrões pré-definidos eliminando de nosso labor o pensar[2]. Esta falha tem a sua base no movimento modernista da Arquitetura que pregava, sutilmente, o fim da história do projeto[3]. Apesar da sutileza, este pensamento influenciou profundamente a academia, até os dias atuais. Com isso surgiu a ideia dos laboratórios onde os alunos poderiam “pôr a mão na massa”. Não podemos discordar desta prática, porém vemos que o trabalho artesanal e visual acaba tomando quase que a totalidade do tempo do processo. Normalmente transformam-se em um parque de diversões distante da realidade, deixando de lado o pensar, a reflexão, a pesquisa, a análise das realidades e outros elementos fundamentais ao processo para a obtenção de projetos, produtos e até mesmo soluções com melhor qualidade e, até mesmo, inovadores.

Quando o aluno se forma numa graduação ou num curso técnico, são recorrentes as dúvidas:

– “E agora? O que devo fazer? Por onde devo começar? Qual caminho devo seguir?”

Isso reflete a fraca oferta de conhecimento e entendimento dentro da academia brasileira bem como o desconhecimento, por parte desta mesma academia, da abrangência possível do Design de Interiores e Ambientes.

Vale ressaltar aqui, que as IES que já adotaram o termo “Ambientes” como nome de seus cursos são aquelas que melhor conseguiram entender e derrubar as muralhas impostas sobre a nossa área visando meramente o cerceamento profissional, bem como permitiram que o Design assumisse o comando curricular ao contrário de outras que ainda insistem em manter as Artes Decorativas ou a Arquitetura direcionando as matrizes curriculares.

Durante os cursos atuais, salvo raras exceções, o foco é sempre: projeto residencial ou projeto comercial. Quando se fala em residencial normalmente estudam-se projetos do tipo “capa de revista[4]” e, quando são comerciais, o foco normalmente são lojas, esquecendo-se de todo o resto do mercado. Ficam de fora as possibilidades diversas de outros segmentos e especialidades que os profissionais desta área podem atuar tranquilamente dada a sua formação complexa e holística[5]. Embora pareça que a Arquitetura e o Design de Interiores/Ambientes – lembrando que somos designers – sejam “íntimas”, ao analisarmos o processo do desenvolvimento dos projetos percebemos que existe pouco contato real entre as áreas. Na verdade resume-se, quando é o caso, ao elemento arquitetônico, ou edificação.

É preciso ressaltar aqui que sombreamento ou suposta invasão de mercados alegados por aqueles que levantam a bandeira do “direito adquirido” não pode significar exclusividade de atribuições ou de reserva de mercado – o que é crime segundo o Código Civil Brasileiro e a Constituição Federal – deixando clara, meramente, as disputas mercadológicas e interesses financeiros.

Portanto, ante qualquer dúvida sobre exercício ilegal de profissões, atribuições profissionais, exclusão profissional e outras situações constrangedoras e segregadoras, deve-se buscar as bases nos currículos acadêmicos. Caso as Leis brasileiras sejam insuficientes, pode-se utilizar como exemplos as formações e atribuições profissionais empregadas no exterior para mostrar como a área vem sendo prejudicada aqui no Brasil em sua liberdade criativa, baseada apenas em interesses tácitos de outras categorias.

Bryan Lawson[6] diz que

Até certo ponto, podemos considerar genérica a atividade de projetar, mas, ainda assim, parece haver diferenças reais entre os produtos finais criados por projetistas de vários campos, assim, uma das perguntas presentes no livro todo será até que ponto os projetistas tem processos em comum e até que ponto esses processos variam de um campo a outro e entre indivíduos.

Uma das questões latentes nesse sentido é: como superar isso e mostrar à sociedade (governos, academia, profissionais e comunidade) o que é e até onde podemos contribuir na construção de um País melhor, seja no âmbito ambiental, cultural, estrutural, econômico e social.

O designer de interiores pode fazer as pessoas pensarem, desafiarem convenções sociais e até questões políticas, destacando temas como o desperdício, quando há pessoas com carências básicas, ou o consumo desmedido em um mundo onde os recursos naturais estão se esgotando rapidamente.” (GIBBS, 2010).

Voltando ao questionamento do egresso citado acima, a dica é: especialize-se. Durante o curso você tem contato com diversos conhecimentos e certamente terá mais afinidade com algum ou alguns. Geralmente é aquela disciplina que você tem maior facilidade e geralmente faz os trabalhos acadêmicos com gosto. Passe a analisar o que e até onde essa especialidade pode te levar, quais as possibilidades de especialização e pós-graduação que a mesma proporciona e também qual a demanda do mercado sobre este nicho específico. Pode ser também aquela disciplina que você pouco ouviu falar antes do curso e que te arrebatou, maravilhou, encantou.

Lembre-se sempre que não podemos focar apenas no efeito (estética) que pretendemos obter e que devemos saber e dominar o processo (identificação e solução de problemas, função, etc.) para alcança-lo. Projetar exige muito mais que bom gosto ou bom senso estético. É impossível pensar no produto final sem passar pela fase projetual.

Desta forma você poderá encontrar um nicho de mercado bem específico (disciplina única) ou um pouco mais abrangente (mistura de alguns conhecimentos). Porém vale o alerta: não tente abraçar o mundo pensando que pode fazer tudo sozinho. Precisamos aprender a lidar com as parcerias profissionais, trabalhar em projetos de coautoria.

A partir do momento que os profissionais de Design de Interiores e Ambientes perceberem isso, passarão a trabalhar em equipes multidisciplinares (ou multiprofissionais). São estas equipes, formadas por profissionais especialistas em diversos segmentos relacionados ao projeto global, que encontrarão as melhores soluções para os problemas do projeto.

Podem questionar: mas o mercado está inchado. Como então vamos lucrar tendo que dividir o lucro do projeto entre diversas pessoas?

Simples. Tudo começa pequeno e com o tempo e o mérito vai crescendo, ganhando credibilidade e valor. A qualidade agregada e percebida pelo mercado no resultado final dos projetos é o grande diferencial que fará o grupo ter sucesso e, consequentemente, o reconhecimento e destaque pelo mercado da marca, possibilitando assim, um valor de projeto maior.

Para que estas equipes funcionem e frutifiquem é fundamental que, além de designers, façam parte das mesmas profissionais de outras áreas como, por exemplo, engenharia civil e eletricista (para cuidar da parte estrutural e elétricas dos projetos sempre que necessário). Pode-se contar também com arquitetos na equipe, desde que estes sejam conscientes da abrangência e complexidade do Design e qual é o papel de cada integrante desta equipe.

Ser especializado dentro de uma equipe multidisciplinar não significa que você irá atuar apenas dentro de sua especialidade afinal, o seu conhecimento não se restringe à sua especialidade. Para que uma equipe desta funcione realmente, temos de ter consciência de que ali dentro ninguém manda, ou melhor, todos mandam. É como um relógio com suas engrenagens: uma depende da outra. Cada uma ajuda a outra a cumprir o seu papel. Portanto, nada impede que quando o responsável pelo paisagismo estiver projetando e você passar ao lado e perceber algo no projeto e tiver uma ideia diferente do que está vendo, tenha a liberdade de apontar e propor a ideia assim como, quando você estiver desenvolvendo a sua parte, deve aceitar e considerar as opiniões dos outros integrantes da equipe.

Todos estes questionamentos levam claramente às seguintes constatações:

Se somos capacitados tecnicamente para projetar interiores comerciais (mobiliários, revestimentos, iluminação, etc) garantindo a segurança de todos os usuários (funcionários e clientes), porque não podemos projetar um ambiente externo?

Se projetamos banheiros complexos, com hidro e diversos outros equipamentos, porque não podemos projetar ambientes como os spas em espaços externos à edificação, mesmo que em varandas?

Se somos capacitados tecnicamente para projetar um banco para usuários no interior de uma residência ou ambiente comercial, porque não podemos cria-lo como mobiliário urbano ou para um shopping?

Qual a diferença?

Nosso trabalho tem uma profunda ligação com o campo das idéias e a criatividade. Vale lembrar que,

A criatividade em Design só tem valor quando gera conceitos que resolvam o problema proposto. Isso começa pela compreensão e escolha da abordagem adequada em cada caso específico. Além disso, muitos problemas relacionados ao projeto são tratados apenas quando surgem. Essa abordagem emergencial dos problemas pode levar ao aumento dos custos e dilatação dos prazos.[7]

Como pretendo deixar claro nesta série de artigos, ao apresentar as diversas possibilidades de atuação destes profissionais, percebe-se que o termo “Interiores” não deve ser utilizado como jaula visando o cerceamento do exercício profissional e que o nosso conhecimento adquirido na academia extrapola qualquer barreira imposta pelo mesmo (EX. entre quatro paredes e/ou apenas ambientes internos da edificação). Devemos, portanto, reconhecer como verdadeiro e passar a adotar o título Design de Ambientes.

Exposto isso tudo, precisamos reconhecer os nichos de mercado específicos – alguns trabalhados em algumas universidades e outros negligenciados pela maioria – como forma de apontar novos horizontes para o Design de Interiores e Ambientes brasileiro.

.

——————————————————————————————————————————————-

[1] GIBBS, Jenny. Design de Interiores: Guia útil para estudantes e profissionais. Ed, Gustavo Gili, 2010.

[2] Segundo o Dicionário Michaellis, pensar significa: “(lat pensare, freq de pendere) vint 1 Combinar ideias, formar pensamentos. vti 2 Meditar, refletir em. vint 3 Ser de tal ou qual parecer. vtd e vti 4 Ter na mente; lembrar-se. vtd 5 Julgar, supor. vint 6 Raciocinar. vti 7 Fazer tensão. vtd 8 Delinear mentalmente; meditar, planejar. vti 9 Estar preocupado, ter cuidado.”

[3] LAWSON, Brian. Como arquitetos e designers pensam. Ed. Oficina de Textos, 2011.

[4] Apartamentos ou residências enormes, de clientes ricos e distantes da realidade normal do mercado. Até mesmo os orçamentos propostos são fora da realidade de mais de 90% dos clientes disponíveis.

[5] Segundo Jenny Gibbs (2010), “O termo holístico costuma ser muito utilizado para designar projetos de interiores que consideram os sentidos humanos. No entanto, um projeto de interiores realmente holístico é aquele que considera todos os produtos especificados desde a sua compra e produção até o seu descarte, certificando-se de sua qualidade estética e funcional”.

[6] LAWSON, Brian. Como arquitetos e designers pensam. Ed. Oficina de Textos, 2011.

[7] PHILLIPS, Peter L. Briefing: A Gestão do Projeto de Design. Ed, Blucher, 2008.