IES e Design: THE

Num post da Lígia Fascioni no facebook uma seguidora dela estava triste pois desistiu do curso. O detalhe é que ela descobriu que não sabe desenhar – já DENTRO DO CURSO.

Respondi à ela dizendo que o problema poderia ser um destes dois:

1 – a falta de um THE (Teste de Habilidade Específica) no vestibular que verificaria este problema através de provas de conhecimentos específicos como desenho, cálculos e outros;

2 – a péssima formação (ou escolha, ou capacidade, ou, ou, ou) dos professores que se mostraram incapazes de ajuda-la nesse sentido por causa de sua falta de didática, metodologia, comprometimento com a EDUCAÇÃO.

A Mônica Fuchshuber respondeu no mesmo momento comentando sobre a ausência dos THEs nos vestibulares.

Primeiro vamos analisar o segundo item:

É visível o despreparo (didático e metodológico) de grande parte dos professores das Instituições de Ensino Superior (IES), principalmente dentro das particulares. Nestas o que vale é a “amizade” e não o mérito. Se você é amiguinho do coordenador do curso ou do reitor (dono) está dentro sem ter de passar por uma banca. Os que tem mérito ficam de fora. Pra piorar a situação vemos inúmeros professores dentro das particulares que são profissionais frustrados, que não deram certo dentro de suas áreas profissionais e acabam entrando para a “educassão” primeiramente como bico e depois acabam ficando lá, sem aprender a ministrar aulas, a preparar aulas, a pesquisar ou seja, continuam os mesmos porqueiras de quando entraram. Ou aqueles que ficam por lá apenas como “bico”, para complementar a sua renda. Ou seja: não levam a Educação à sério.

Tive vários professores assim nas particulares por onde passei: completos ignorantes na disciplina que estavam ministrando.

Já nas IES públicas é bem diferente: para entrar o postulante a professor tem de passar por uma banca examinadora que, além do currículo (títulos), você tem de prestar provas, ministrar uma aula teste e ainda ser entrevistado por esta banca.

Ok, podem ocorrer coleguismos, mas são raros uma vez que se o outro candidato tiver um currículo melhor e for melhor nas outras partes da banca, não há como reprova-lo em favorecimento do amiguinho.

Mas temos de lembrar também que isso não garante a excelência profissional deste professor. Tem muita gente que manda super bem nestas bancas e depois, por causa da estabilidade do emprego público, viram vagabundos plenos e acabam prejudicando o nome da IES e o curso. Grande parte deste grupo são ligados a sindicatos e partidos de esquerda. São sempre os primeiros a apoiar greves, são aqueles que sempre dizem que “não são pagos para fazer mais que a chamada” ou ainda que “o que eu recebo não paga o tempo que gasto preparando aulas” e assim por diante. Sempre tem uma “desculpa na ponta da língua” para justificar a sua safadeza.

Porém, a grande maioria dos professores das IES públicas são mais que competentes e dominam a didática e a metodologia.

Já sobre o primeiro item citado posso afirmar categoricamente: os Testes de Habilidades Específicas (THE) são mais que necessários para os cursos de Design – de TODAS as áreas.

Como pode uma pessoa querer ser Designer se não sabe desenhar? Não sabe ao menos esboçar através de rabiscos as suas idéias? Não sabe ou menos o básico sobre o que é o Design e os conhecimentos envolvidos e necessários para atuar profissionalmente?

Por isso percebemos que as turmas (nas IES particulares) começam com 60/80/100 alunos e formam-se com uma média de 20 – quando chega nisso. A ausência deste tipo de prova no vestibular é a responsável pelo sentimento de frustração de acadêmicos como a Isabella, que gerou essa breve discussão através do facebook da Lígia.

É triste vermos alunos frustrados e desistindo de seus cursos por descobrirem lá dentro que não são capazes (não sabem e nem conseguem aprender a desenhar) assumindo uma culpa que não é deles e sim dos péssimos professores e da IES que não aplica o THE – claro, o idiota do aluno já injetou uma boa quantidade de dinheiro até descobrir a “sua” incompetência e incapacidade. AH AH AH.

IES que não aplicam os THEs nos vestibulares devem ser olhadas não com um, mas com os dois pés atras pelos vestibulandos.

Devo ressaltar ainda (novamente) que tem muita IES particular por aí que só cobra uma redação no vestibular. E olha que se o vestibulando escrever um único parágrafo (mal escrito, com péssima gramática e ortografia) já está valendo. Imaginem então o níve da “tchurma” que você terá de conviver durante o curso.

Nesse ponto concordo plenamente com a Monica quando ela colocou que “Por isso é que as públicas continuam sendo as melhores.

Então fica aí a dica:

VESTIBULANDOS:

Não é porque você é descolado, sociável, tem na cabeça zilhões de idéias fervilhando, seus olhos brilham quando vêem algo sobre Design entre tantas outras desculpas corriqueiras que você serve para ser um Designer. Se quer fazer Design procure então IES sérias, que cobram um vestibular completo (provas de conhecimentos gerais + THE) pois se você já começa sendo preguiçoso em não esforçar-se e preparar-se para enfrentar um vestibular completo, dificilmente será um profissional competente e reconhecido.

Design não é “modismo”, não é uma coisa meramente “legal”. É sim uma profissão séria, que exigem muito esforço e empenho pessoal, muita pesquisa, técnica e visão.

IES:

Não sejam dinheiristas em excesso.

Apliquem o THE e uma prova de vestibular normal (redação + conhecimentos gerais).Não sejam safadas ao ponto de abusar da recomendação do MEC (outro safado e culpado por isso) onde diz que a IES é livre para elaborar o seu vestibular sendo exigência mínima a cobrança de uma redação.

TODAS as pessoas de bem sabem perfeitamente que esta recomendação surgiu através de lobbie, de corrupção feita nos bastidores envolvendo tanto os gestores do MEC como os representantes das IES particulares dinheiristas.

Não façam valer os coleguismos na contratação dos professores*, usem critérios de mérito.

Não sejam meros acolhedores de alunos mal formados no ensino básico, passando a mão na cabeça da incompetência dos governos municipais, estaduais e federal.

Assim vocês estarão reforçando a imagem positiva de vocês perante a sociedade.

Do contrário, vocês estão sendo co-responsáveis pelo emburrecimento da população, pela formação de péssimos profissionais, pela falta de senso crítico, pela ausência de uma sociedade sadia e pensante.

Ou vocês acreditam mesmo que a grande maioria dos seus alunos escolheram vocês pela “excelência” do nome da IES? Pela qualidade de seus cursos?

Não mesmo!!!

Se nunca ouviram falar disso lá vai o nome da escolha: PPPPapai Pagou Passou – ou simplesmente PPPagou Passou. Ah, tem também a alcunha de “UniEsquina” que muitos usam para referir-se à estas IES irresponsáveis.

Por sinal este detalhe deve ser repensado também na pressão que os coordenadores de cursos fazem sobre os professores que não podem reprovar alunos que não aparecem nas aulas, não fazem provas e não entregam trabalhos – mas pagam a mensalidade né…

Dá para pensar num Brasil decente e parar de serem coniventes com esse país que está afundando dia a dia?

E tenham consciência de que vocês (IES e professores coleguinhas) são co-responsáveis por isso.

#ProntoFalei

* talvez as porcarias de vestibulares aplicados por muitas IES seja para facilitar a vida dos “profeçores” coleguinhas dentro das salas de aulas né??? (pensando, refletindo, acrescentando).

5 comentários sobre “IES e Design: THE

  1. Pingback: 2011 – o melhor aqui no DAC « Design: Ações e Críticas

  2. Oi, Paulo!
    Pode me colocar como cúmplice, concordo com tudo o que você falou. Apenas mais 2 contribuições:

    – Numa universidade pública, o professor ganha o suficiente para viver e tem horas de pesquisa. Dificilmente um professor 40 h dá, efetivamente, 40 horas de aula por semana. Há tempo suficiente para pesquisar e preparar aulas. Por isso o processo de entrada é mais concorrido e tem mais exigências, nada mais justo.

    – Nas particulares (pelo menos as que eu conheço), apenas a hora em sala de aula é remunerada, e, ainda assim, num valor entre R$ 20 e R$ 30, dependendo da titulação. Se o sujeito chorar muito ganha lá uma ou 2 horas por semana para pesquisa, e olhe lá. Não dá nem para comparar, né? O sujeito tem que dar 100 aulas por semana para poder comprar um livro ou fazer um curso, sem nenhuma garantia que vai conseguir manter a carga horária no semestre seguinte. Não dá para dizer que é uma vida fácil, de jeito nenhum, sem sendo casado com o coordenador do curso…eheheh

    Há também desinteresse dos alunos; já ouvi numa sala de aula que o sujeito tinha escolhido design porque não precisava saber matemática e nem ler muito; era só “fazer umas artes aí”, usando as palavras dele. Isso explica bastante coisa (não estou, por favor, dizendo que é o caso da menina, mas por melhor que seja o professor, é extremamente difícil dar aula numa sala onde metade das pessoas não poderia ter saído do segundo grau; em alguns casos, nem do primeiro).

    Enfim, muito triste.

    • Muito bem colocado Ligia.
      Mas…. 20 a 30 a h/a???
      Assim fica fácil entender o porque da PÉSSIMA formação oferecida pela maioria das IES particulares.

      Você tocou em outro ponto que eu ia escrever e acabei me esquecendo: o desinteresse de muitos alunos.
      Entregam trabalhos de péssima qualidade (quando entregam) e geralmente carregados de ctrlC+ctrlV que detectamos facilmente com alguma ferramenta disponivel na web, reclamam do nivel de dificuldade das provas (isso em IES – particulares – que permite a aplicação das mesmas) porém não dizem que preferem ficar nos bares da redondeza e não nas salas de aulas ou, quando ficam, atrapalham as aulas com conversas nada a ver… Há também aqueles que escolhem estes cursos de “umas artes aí” apenas para conseguir um diploma superior e não tem o menor interesse nas aulas.

      Como fica claro nisso tudo não podemos apontar apenas um culpado e sim vários: IES, alunos e alguns professores.

      Mas, esta tua frase final diz tudo: “(…é extremamente difícil dar aula numa sala onde metade das pessoas não poderia ter saído do segundo grau; em alguns casos, nem do primeiro).”

      Lamentavelmente esta é a realidade. Estamos encarando agora nas universidades os alunos que vieram do tal “ciclo básico” – aquele que não podia reprovar. É este o reflexo das péssimas políticas educacionais. Porém vai piorar: aguarde para ver quando o pessoal da “evolução e melhoria do ciclo básico” começar a adentrar nas IES: aqueles que além de não reprováveis, não podem ser repreendidos por desordem, não podem ser corrigidos em seus erros e ainda teremos os tais do PROJOVEM (ProLIXO na verdade) que, lamentavelmente, chegarão às universidades sem saber ler seu proprio nome ou fazer uma continha 2+2 sem usar a calculadora.

      É o reflexo da “inclusão social” à qualquer custo que geram números positivos para o país PARECER bem na foto lá no exterior – para aqueles que não vivem aqui, logo desconhecem a realidade nua e crua.

      Porém o que vemos HOJE é reflexo – além do ciclo básico – do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Literalmente a maior ECA (caca,porcaria, lixo, etc) já feita nesse país com relação à Leis.

      Mas vamos que vamos, tentando sobreviver e sendo consumidos pela ignorância alheia porém, sem sermos exterminados por ela rsrsrsr.

      Bjão ;-))

  3. Boa tarde Paulo,

    Concordo plenamente com tua indignação. Estudo na UFRJ, e posso dizer com propriedade q o aluno aprende a desenhar. Eu fiz curso pro THE pq tinha consiência de q não sabia desenhar. Entrei lá com o mínimo de conhecimento e hj posso dizer que sei desenhar.

    Mas acho q as pessoas confundem o saber desenhar com ter o dom pra desenho. A minha faculdade é inserida dentro da Belas Artes, o q nos faz duvidar de nossa capacidade para o desenho artístico. Temos 3 períodos de desenho artístico e q dificilmente se assemelham ao pessoal de pintura ou gravura, pq nosso desenho é mais técnico.

    Precisamos sim aprender os fundamentos básicos do desenho e trazer o entendimento ao cliente através do mesmo, contudo, eu não sou o tipo de artista q tem o desenho mais lindo da turma, mas consigo passar com excelência o que me foi proposto e minha arte é o projeto.

    Confesso que procurei fora da universidade por cursos de aperfeiçoamento, e creio q nenhuma instituição hj fornece tudo o que podemos aprender. Meu curso, apesar de ser completo, precisa passar por algumas reformas e tirar professores q copiam da internet suas aulas, mas ele nos dá a base para que possamos seguir em frente com a profissão.

    Fico triste em saber que uma colega desistiu do curso por causa disso, uma vez que seria simples, porém caro, resolver o problema dela.

    Enfim, levantemos a bandeira de um ensino superior de excelência e não simplesmente de notas excelentes.

    Abraços Paulo

    Eliana Todeschini

    • Olá Eliana,

      ahahahahahha eu NUNCA – nem de longe – pensei em me comparar com o pessoal das artes plásticas. Creio que nem se eu fizesse zilhões de cursos específicos chegaria aos pés deles, mas confesso que também não ficaria muuuuuuuuuuuuito lá atras rsrsrsrsr.

      NENHUM curso superior – nem em públicas ou particulares – aqui do Brasil oferece uma formação completa. SEMPRE sobrarão as lacunas que terão de ser preenchidas através de cursos extras ou pela prática profissional (depois de quebrar a cara várias vezes tentando realizar algo rsrsrs).

      Outro detalhe (culpados) nesse debate:

      – ausência da regulamentação profissional – com um Conselho Federal, teríamos câmaras específicas, dentre elas a curricular que ficaria em cima das IES cobrando e exigindo qualidade.

      – ausência de uma associação forte e isenta – a ABD NUNCA foi isenta e também mais tem atrapalhado que ajudado seja no processo de regulamentação profissional quanto no exercício profissional. Para não atritar com os arquitetos, ela não faz distinção entre decoradores, designers e arquitetos. Para ela, todos são iguais porém, é claro, os arquitetos podem tudo (inclusive usar livremente o titulo designer) e ela faz vista grossa.

      – ausência de união dos profissionais – quem me conhece sabe ha quanto tempo venho divulgando (criticando, denunciando, etc) questões sérias que afetam a nossa área profissional. Mas poucos são aqueles que ajudam nisso. A maioria prefere manter-se indiferente e “não se envolver para não se queimar”. Mas depois, certamente, virão correndo atrás dos “queimados” exigindo o seu direito de participar do Conselho federal. Isso tem nome e sobrenome> Egoísmo de Safadeza.

      Abraços e sucesso!!! ;-))

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