CREA autua Designers de Interiores. Saiba como agir.

Com esse título, a ABD colocou em seu site uma matéria até que interessante sobre o tema.

Para ler na íntegra, acesse o site nesse link.

No entanto, não posso deixar de tecer alguns comentários, especialmente porque agora sou associado e tenho o direito de questionar, observar, propor, etc. Bom vamos lá:

1) um erro gravíssimo nesse texto e que confirma o que escrevo ha muito tempo sobre a ABD está neste trecho:

A atividade do Designer de Interiores (antigo decorador) existe no Brasil desde o início do século 20 e, anualmente, os diversos cursos reconhecidos pelo MEC, colocam no mercado de trabalho centenas de novos profissionais. Hoje, no Brasil, existem 70 cursos técnicos, 47 tecnólogos e 10 superiores na área de Design de Interiores. Como ignorar esse fato? Como acreditar que essa profissão não existe?”

“Antigo Decorador”…

Por Deus!!!!

Ainda não aprenderam que Decorador é uma coisa e Designer de Interiores é outra completamente diferente? Que decorador é decorador e Designer de Interiores é DESIGNER?????

Por favor diretoria da ABD, leiam isso aqui.

* Jéthero, precisa urgentemente colocar em prática as coisas que me falou aquele dia pelo telefone!!!!

2) A parte que  o assessor jurídico fala sobre as áreas de atuação profissional e mais abaixo onde a própria ABD faz as suas colocações é bem interessante e ressalta a hipocrisia do CREA e outros órgãos com relação à nossa atuação profissional.

Vejam bem, nos proibir de pintar uma fachada é mais que ridículo, absurdo. Essas proibições só servem para satisfazer os egos dos profissionais protegidos por essas instituições pois se formos VER o mundo real, esses fiscais teriam de multar 90% dos predios. Me digam a quantidade de condominios que tenham feito a pintura de suas fachadas ou quantas residência tiveram suas fachadas pintadas por pintores apenas sem o acompanhamento de qualquer profissional? Geralmente os sindicos ou donos de imóveis chamam um pintor, fazem um orçamento e mandam ver e o tal CREA nem percebe isso.

E agora vem com esse tipo de palhaçada pra cima de nós? HIPÓCRITAS!!!

3) Ainda bem que logo abaixo no texto, o Jethero reafirmou o que eu ja postei aqui no blog:

“Segundo Jethero Cardoso, Designer de Interiores e membro do Conselho Deliberativo da ABD, o exercício de Design de Interiores não esta de nenhuma forma vinculado ao CREA, portanto não pode ser fiscalizado por essa entidade.”

AHHHHHHHHHHHHH alguém me ouviu e entendeu o que eu sempre disse!!!!!!

4) Infelizmente, essa ação da ABD só aconteceu porque, como dizem, a “água bateu na própria bunda”, ou seja, afetou algum deles. Já estavamos cansados de denunciar esses abusos cometidos por CREAS, IABS e outras entidades que nada tem a ver com a nossa área e parecia que a ABD fazia vista grossa, nunca conseguia ver a realidade do problema,  como isso afetava a nossa produtividade e reconhecimento profissional. Mas por uma dessas ironias do destino, aconteceu com uma diretora, a Brandalise, de Curitiba. Só assim para eles entenderem e perceberem a realidade dos profissionais normais, aqueles que não frequentam as paginas e sites das revistas.

Admiro muito o trabalho da Brandalise e sempre dou uma espiadinha no que ela vem produzindo. É uma excelente profissional. Uma pena ter passado por esse transtorno.

Mas que bom que passou pois assim a ABD caiu na real e viu que o que sempre reclamamos e denunciando não era apenas intrigas da oposição ou reclamações de profissionais mediocres.

Eu mesmo ja levei varias prensas de arquitetos porque em lojas os vendedores acabam soltando que vão terminar de atender aquele outro arquiteto (apontando para mim) e logo irão atendê-los. Eu sempre deixo mais que claro e corrijo quantas vezes forem necessárias: “EU SOU DESIGNER E NÃO ARQUITETO!”  Mas vendedor é vendedor… Também ja tive problemas em obras e, como a Brandalise coloca no  texto “Foi uma experiência desagradável pois exigiu tempo e recursos financeiros para a minha defesa, além do desgaste”. Isso sem contar o estresse que você passa.

Parabéns Fabianne Brandalise, é de gente assim que a ABD – e nós Designers – precisamos: com MAIS ATITUDE E MENOS DISCURSO.

5) E lá vem vista grossa de novo no final do texto:

“Boa parte da fiscalização do CREA é resultado de denúncias feitas por moradores de condomínios que se sentem importunados por obras do vizinho. Eles ligam para o disque denúncia do CREA e o fiscal parte para a verificação e possível autuação.”

Fala sério ABD, a maioria das denuncias vem de arquitetos que perderam clientes para os designers.

Vamos parar de agir socialmente para sair bem na foto e sermos honestos?

Apoiei vocês na eleição baseado na confiança que tenho no Jéthero e acreditando na seriedade, honestidade e comprometimento dessa diretoria. Desse jeito ja começo a desacreditar.

Um bom começo seria você assumirem a distinção entre Decorador, Designer de Interiores e Arquiteto decorador.

Tou aqui para ajudar no que for necessário, mas não compactuarei com o que não concordo e com o que vejo ser errado.

17 comentários sobre “CREA autua Designers de Interiores. Saiba como agir.

  1. Olá Paulo, me chamo Poliana. Sou educadora formada em Letras, mas não me encontrei na profissão, sempre gostei de design de interiores e paisagismo. Contudo, moro no sul do Pará e aqui não há cursos de design, então pensei em fazer um a distância. Sou muito dedicada e amo essa área, acredito que mesmo à distância posso aprender. A pergunta é tem algum curso online de Design de Interiores bom hoje no mercado? Se sim qual você me indicaria. Se não que outra opção você me sugere.
    Abraços.

  2. Olá Paulo…Tudo bem?
    Parabéns pelo blog!! Fantástico!! Excelentes colocações. Sempre que tenho alguma dúvida, venho aqui ler seus artigos, inclusive, o meu Contrato é baseado num modelo que você disponibilizou por aqui…. Então….Vim aqui solicitar a sua ajuda. Deparei-me com um problema e não sei como resolvê-lo… Sou Designer de Interiores e ao assinar um contrato com um cliente hoje, ele me informou que o condomínio, através de um ato distribuído aos moradores, exige que, ao fazer qualquer tipo de reforma no apartamento, o morador solicite RRT ao profissional responsável pelo projeto. Acontece que eu não vou demolir paredes…enfim…não realizarei alterações estruturais. Apenas trocarei o piso, a bancada do banheiro e farei Projeto de Ambientação(mobiliário, espelhos, cortina…). Como posso resolver esse problema? Desde já, agradeço muitíssimo pela sua atenção e por nos proporcionar um blog tão bacana como este. Abraços, Isabel.

    • Olá Isabel, caso complicado isso.
      Tente conversar com o síndico (se necessário com o conselho) para mostrar que não haverão alterações estruturais na reforma. Portanto, não haverá risco algum.
      Eles só podem exigir isso em caso de derrubadas de paredes pois pode afetar a estrutura da edificação, o que não é o caso.
      Caso insistam, procure um engenheiro civil, explique a situação, mostre o projeto e peça que ele tire a ART no CREA. Converse com seu cliente e acerte a questão destes custos extras (não será lá grande coisa).
      O fato deles exigirem a RRT (CAU) só comprova a minha tese de que há um forte cartel da arquitetura tentanto restringir a nossa atuação. Diversos shoppings exigem também a ART ou RRT para qualquerr alteração nas lojas.
      Ridículo, até para pintar as paredes exigem isso.
      Isso é ilegal, é reserva de mercado descarada.
      Mas não faça apenas isso. Questione, espalhe a situação constrangedora, torne esse ato ilegal conhecido.
      abraços

  3. Oi, Paulo tudo bem? então minha aréa e Administrativa e não aguento mais… estou desesperada, preciso urgente de sua dica, sobre o curso de designer INAP (técnico) na altura do campeonato começar a faze-lo no momento?

  4. Pingback: Aproveitando-se da histeria coletiva « Design: Ações e Críticas

  5. Oi Paulo, é um prazer saber que existem pessoas, como eu, preocupadas com essa falta de seriedade das pessoas que se entitulam decoradores sem o ser. Sou formada pela ETE S Ernesto Dornelles em Porto Alegre, onde minha turma que iniciou o curso com 60 alunos, terminou com 2 formados no tempo de 2 anos e meio, entre eles eu, e mais 8 nos semestres seguintes. Meu curso é estadual e reconhecido pelo Crea rs, o que , além de me cobrar anuidade, não me oferece nada além de me comunicar que posso ser processada pelo exercício ilegal da profissão se não o tiver. Nesses quatro anos de formada eu nunca vi nenhuma informação ou defeza a nós, o que me causa um sentimento de inferioridade ao lado dos arquitetos que tem toda atenção e apoio. Além de tudo isso, tenho que aceitar que pessoas que fazem cursos de decoração por correspondência ou cursinho de 6 meses levem o mesmo título de quem estuda por 2 anos e meio, 5 horas por dia, cadeiras realmente técnicas. Gostaria muito de poder acrescentar algo e não apenas criticar. Se quiserem criar alguma espécie de sindicato apenas para decoradores técnicos, estou a disposição para acrescentar. Um forte abraço.

    • Olá Rosilaine,
      Bom, eu já conheço o problema gerado por esta “parceria” entre a sua escola e o CREA-RS.
      Apesar do CREA aceitar os técnicos, ele não aceita os de nível superior. Se algum profissional quiser inscrever-se mesmo assim, terá de limitar-se às condições e delimitações profissionais impostas por eles.
      Assim, os profissionais de Interiores não são obrigados à filiarem-se ao CREA pois legalmente, por terem suas atribuições profissionais reduzidas e desrespeitadas, podem rejeitar o registro e atuar livremente.
      Já o segundo ponto que você coloca venho lutando contra isso ha muito tempo mas a ABD, pelo contrário, apóia esse tipo de coisa. E depois se coloca como associação que defende os profissionais. Aff.

  6. Lí e concordei com esta postado nesse Blog ( eu não sabia de que estava contecendo), mas com essa toda transparencia eu entendi, são pessoas que estão com medo dde perde o emprego para nos Design de interiores, por que esses profissionais param de complicar e vã fazer cursos de especialização para poderem competir com a gente. Blog de parabéns pelo senso crítico abrio mas meus olhos.

  7. Oi Paulo,
    queria tbem deixar bem claro minha indiginação pela área de design de interiores, formo seu bimestre pelo curso técnicopelo Inap em BH, mas sinto muito pela desvalorização de nossa área de trabalho. Não temos reconhecimento nenhum pela lei. Tive um trabalho meu publicado em uma revista na minha cidade por um marceneiro, fotos de toda a cozinha e titulo bem grande PROJETO DA MARCENARIA ……….. Choquei, mas não tinha nehuma lei para me amparar. O que devo fazer, para tentar mudar tanta injustiça, tanta pessoa que nunca estudou e se classifica como design na cara dura. Queria muito me unir ao grupo para lutar por nossos direitos ainda não regulamentado.
    vc pode me orientar?
    Abrç.
    Karol

    • Karol,
      esse é apenas um dos riscos que corremos no mercado por causa da falta da regulamentação profissional e pela ineficiência das associações que “dizem nos representar” enquanto ficam lá deitados em berço esplêndido e nós aqui no mundo real.
      Mas a culpa disso é dos profissionais que não se unem para cobrar dos parlamentares a nossa regulamentação e das associações que atuem verdadeiramente em nossa defesa.
      Uma saída é, sempre que você finalizar um projeto, antes de encaminha-lo para o profissional que o fará é enviar uma cópia dele por e-mail (para você mesma e mais algum amigo) e uma copia impressa pelo correio
      Esse envelope lacrado nao pode ser aberto por ninguem. Somente na frente de um juiz no caso de disputas por direitos autorais quando ele é aceito como prova legal da autoria.
      Já o arquivo CAD (ou qualquer outro de informática) grava em seu registro raiz a data de criação e a autoria do mesmo (isso em softwares registrados).
      Abra o windows explorer e visualize qualquer arquivo seu. Clique com o botão direito do mouse e escolha propriedades.
      Vai ver que aparecerão todos os dados para comprovação de que a autoria é sua.
      Aí é só meter um advogado em cima e não ter dó não.
      Se você consultar um bom advogado verá que tem todas as condições de processar esse marceneiro.
      abs

  8. Pingback: O melhor de 2010 aqui no #DAC! « Design: Ações e Críticas

  9. Olá Paulo adoro teu blog e sempre passo por aqui , gostaria de pedir á você umas dicas sobres os direitos do técnico em design de interiores, e saber porque as entidades que dizem apoiar os designers, não fazem nada para evitar o uso do título de designer por pessoas que não teem formação na área, ou que simplesmente se intitulam como tal, por achar que são.A exemplos de decoradores sem nenhum estudo técnico-científico, arquitetos que nunca fizeram qualquer curso de design de interiores, e nós sabemos que tem uma diferença enorme, na execução de projetos de profissionais sem conhecimento específico.Eu estudo tanto, estou começando uma pós em light design e design de interiores não pelo título mas por conhecimento, e algumas pessoas que nunca pegaram em um livro colocam bem grande na Casa Cor o título Designer de interiores na frente de seus nomes ,é um insulto.
    Em Goiânia não tem ABD,por causa que uma vez o escritório daqui fez uma recepção para a presidente na época e ela disse que não viria á cidade porque aqui não tinha nada só índio!
    Então os responsáveis pela seção Goiás abandoram a ABD.Porém eu não acho que ela contribua muito na luta pelo reconhecimento da profissãoe pela criação do CF e CR de Design.se puder me dar um help pelo e-mail fico grata.
    (esqueça a gramática neste coment,obrigada)

    • Aracely,
      a resposta é simples e complexa ao mesmo tempo:
      1 – porque ainda não somos regulamentados
      2 – porque as associações que dizem nos representar, na verdade representam os arquitetos que trabalham com decoração e certamente não querem se indispor com estes
      3 – porque os profissionais de DI não se unem
      além de outras dificuldades mais, mas essas são as mais pesadas e sérias.
      Quem coloca o titulo “Designer, Designer de Interiores, Lighting Designer” ou o que quer que seja na frente de seu nome profissional sem ter passado por um curso específico na área, julgando que o curso de arquitetura lhe dá o direito a isso apenas por ter cursado uma disciplina sobre historia do design, ou desenho de móveis ou alguma outra já mostra bem o tipo de profissional ético, sério e qualificado que é. Respeita o mercado, os profissionais e seus clientes de uma forma que é de ficar roxo…
      Mas isso é Brasil…. Não o que queremos e sonhamos, mas o brasil (minusculo mesmo) dos “espertalhões, embusteiros, falaciosos”…
      abs e sucesso!

  10. Oi Paulo, Adorei teu blog. Descobri por acaso, mas obtive muitas informações que estava procurando sobre a profissão de designer de interiores. Sou formada em direito e advoguei por 8 anos, mas cansei de ver tantas decisões injustas, tanta hipocrisia, etc, etc, etc….sempre fui apaixonada por decoração de interiores e só agora tive coragem e oportunidade pra mudar de profissão. Estou fazendo um curso de design de interiores no Centro Europeu, e estou amando, me encontrando e redescobrindo o prazer de trabalhar, mesmo que seja apenas uma estudante. Mas, como o curso é profissionalizante, não tem reconhecimento pelo MEC nem ABDI. O que vc me indicaria fazer depois que terminar este curso (termina em julho), um técnico em Designer de Interiores ou uma especialização? Vc, como profissional da área, contrataria uma designer só com curso profissionalizante? Será que eu é que estou sendo preconceituosa com meu curso? Detestaria ser assim, é o típico comportamente dos advogados esnobes que sempre detestei…risos…Aguardo um contato seu, estarei sempre linkada no teu blog.Abraços
    Bianca

    • Bianca,
      já tive uma péssima experiencia com o CE no passado tanto que abandonei o curso que eu fazia, pagava caríssimo e não aprendia absolutamente nada. Ali só valia mesmo o status de estar fazendo um curso no CE, nada mais. Não sei como está hoje, mas naquela época, didaticamente, academicamente e estruturalmente falando, era um lixo.
      Sinceramente te indico que faça um curso tecnólogo depois que terminar esse.
      Sobre a contratação isso dependeria muito do profissional e da origem do curso. CE certamente está riscado de minhas opções a não ser que o profissional comprometa-se a fazer um novo curso em outra instituição.
      Desculpe, mas prefiro ser sincero.
      O lado bom é que você está se encontrando e se redescobrindo, abrindo novas possibilidades de realização pessoal e profissional.
      Então, siga em frente ok?
      abs e sucesso.

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