Ética profissional? Ética de vida!

Acho engraçado quando leio posts e comentários falando sobre ética ao perceber a fragilidade do conhecimento sobre o tema da maioria das pessoas.

E também acho triste quando leio posts e comentários falando sobre ética profissional uma vez que  o discurso não bate com a prática.

A deturpação e relativização da palavra ética estão cada dia mais em voga e, hoje em dia, reduziu-se a algo que traga algum benefício próprio. Só é ético aquilo que for conveniente e útil pra mim e/ou para minha classe profissional.

Isso temos visto aos montes na política, na indústria, na (des)educação, na saúde e, claro, no meio profissional.

Dizem que existem advogados de porta de cadeia que não estão nem aí pra ética, pois o que vale é ganhar dinheiro. É triste notar que nas outras áreas profissionais a coisa não é nada diferente.

Alguns levantam a bandeira da ética como baluartes de suas vidas, porém estão muito longe de saber na realidade o que vem a ser isso. Muitos dizem que não sou nada ético quando “escrevo verdades” sobre assuntos “tabus” como esse, e me lançam apelidos como Dr. House do Design, Jabour do Design e por aí vai. Isso se deve à acidez e dureza real com a qual trato determinados assuntos. Ao menos não sou hipócrita e muito menos “falo pelas costas”, covardemente. Gosto de transparência e sinceridade nas relações sejam elas quais forem. Lamento, mas se acreditam que me chamando assim estão me agredindo, estão redondamente enganados: sou fã de carteirinha dos dois. Quem dera se em cada círculo social tivesse ao menos um dos dois personagens. O mundo certamente seria bem melhor.

Assim, não sou anti-ético e sim anti-hipócritas.

Olha, tenho de parabenizar aos que seguem os códigos de ética de seus conselhos e associações. Realmente seguem à risca! Nem um “A” a mais e nem um a menos. Robozinhos repetitivos, treinados para fazer exatamente o que o “chefinho mandou”. Na verdade, poodles adestrados.

Ataca! Senta! Deita! Rola! Finja de morto!

Sei que muita gente não está entendendo nada do meu discurso até agora, portanto, vamos ao ponto:

No código de ética do sistema CREA/CONFEA, do IAB, AsBEA e tantas outras, tem algo que diz que a relação entre os colegas profissionais deve ser cordial, leal e respeitosa. Isso realmente é fundamental em qualquer meio social, especialmente o profissional.

No entanto, na prática sabemos que as coisas não são bem assim. O que vemos diariamente, seja no mundo real e no virtual, é um show de palhaçadas que vão totalmente na contramão da ética.

A revista Casa Claudia lançou uma rede voltada para Arquitetos, Designers de Interiores e Decoradores e, em menos de dois meses já percebe-se esse tipo de coisa. Na comunidade “Designer, Decorador ou Arquiteto?” já se fazem presentes os anti-éticos e arrogantes que atacam sem a menor fundamentação e embasamento os Designers. No mundo real isso acontece com freqüência e muito mais corriqueiro do que vocês imaginam.

Chegam ao absurdo de boicotarem coquetéis e inaugurações caso algum Designer seja convidado. Quando trombam com algum Designer por aí, não medem esforços em tentar ridicularizá-los seja na frente de quem for. Muitos abrem mão de cobrar o projeto em troca das RTs, pois sabem que a sua RT é de 10% e a dos Designers, na maioria das lojas, mal atinge 3%. Quando na disputa por clientes, não medem esforços em desqualificar o Designer ante o cliente. Isso são só algumas colocações, mas existem várias outras que seu eu for listá-las todas aqui, ficaria extenso demais.
Dias atrás ouvi de um “profissional” que pretende ampliar seus clientes no mercado de São Paulo que estava encontrando dificuldades pois, “os clientes de lá não são burros como os daqui”, segundo suas próprias palavras.

Tempos atrás elaborei um projeto em parceria com um arquiteto. Era um espaço enorme: de minha parte, o projeto de Lighting Design; a dele, o de interiores. Tudo bem se ele não tivesse me esmagado num orçamento de no máximo R$ 20.000,00, dizendo que o orçamento total era de apenas R$ 60.000,00. Porém, ao final descobri que ele gastou mais de R$ 180.000,00 e ainda rapou todas as RTs, incluindo as de elétrica e iluminação. Fiz a minha parte, o projeto ficou belíssimo, foi muito elogiado e não estourei o orçamento. Consegui me manter exatamente na faixa indicada sem que com isso, a qualidade e estética do projeto de Lighting fossem prejudicadas. Hoje ele passa por mim com a maior cara de pau e me chama de “amigo”. E pra completar, adora me ligar pedindo “dicas” de iluminação.

Outro ponto a ser destacado é que, gostem ou não, há décadas Arquitetura é uma coisa e Design é outra. Arquiteto NÃO É designer e designer NÃO É arquiteto. Quem insiste em afirmar isso deve seriamente repensar a sua escolha profissional, pois certamente errou lá atrás, portanto, volte para a faculdade e faça o curso certo. As duas áreas andam juntas em alguns aspectos, porém são fundamentalmente distintas e distantes em tantos outros. E repito: quem insiste em acreditar que o arquiteto se forma designer mostra o quão pífio é o seu conhecimento sobre o que é Design.

A “ira” contra os designers que se pode perceber em alguns arquitetos* relaciona-se, sobretudo, com a área de interiores. Como já destaquei acima, alguns pontos sim, muitos outros não. Apesar de trabalharmos o mesmo elemento – a edificação – a linha projetual é completamente diferente, as bases e conceitos idem, e as técnicas mais ainda. Engana-se quem acredita que estes cursos superiores de Design de Interiores tem as mesmas características daqueles antigos de decoração. As matrizes curriculares e ementários dos atuais cursos é bastante extensa e pesada e abrangem disciplinas de arquitetura, engenharia e, na maior parte, design (incluindo-se aqui criação e desenvolvimento de produtos, linha de produção, decoração, ergonomia e acessibilidade entre tantas outras, exclusivas da área de Design).

Vejo com tristeza quando não-designers aparecem na mídia “lançando” suas coleções de objetos e produtos “de design” sendo que, na verdade, o que foi trabalhado foi apenas a casca da escultura. Por exemplo, um estofado. A forma é linda, mas é difícil ver um arquiteto que trabalhe o todo da peça: forma, função, cor, textura, ESTRUTURA, MONTAGEM, CORTE, ENCAIXES, INSUMOS, ETC. Quem geralmente faz o trabalho duro (a parte técnica) é algum designer – muitas vezes estagiário do escritório.

O que tem de ficar claro é que o Designer de Interiores não é um mero “trocador de almofadas”. Quem ainda insiste nessa afirmativa está bem atrasado e desconhece completamente a formação que estes profissionais recebem e não faz a menor idéia do ganho real em qualidade que a parceria arquiteto x designer ou engenheiro x designer tem a oferecer aos projetos.

Cada um na sua função e todos interagindo a partir de suas especificidades, reconhecendo-as: esta deveria ser a premissa, mas o que vemos nem chega perto disso.

Para que esse longo discurso? Simples: a ética imposta pelas associações e conselhos não deve ser aplicada apenas com seus pares. Ela deve sim ser aplicada no todo afinal, colegas profissionais não são somente seus pares, mas sim o pedreiro, o pintor, o encanador, o construtor, a vendedora da loja, o jardineiro, o entregador de materiais, o técnico em telefonia, o designer, o padeiro, o ascensorista e todos os outros profissionais que você cruza em seu dia a dia.

Como coloquei no início, muitos adoram usar a ética apenas quando lhe convém, é pertinente, lhe é favorável. Mas quando percebem que se forem éticos corem o risco de “perder o cliente”, simplesmente a amassam como uma folha de papel usado e jogam no lixo.

Portanto, antes de levantar a bandeira da ética profissional, tem muita gente aí que precisa rever seus conceitos e ações diários para não correr o risco de ser chamado de hipócrita, por qualquer um.

*Novamente reafirmando: quando uso alguns arquitetos, não me refiro à toda a classe e sim, apenas àquela parcela de desinformados e alienados que se acham deuses e que, certamente, erraram na escolha de seu curso, pois não trabalham com arquitetura e sim com decoração.

14 comentários sobre “Ética profissional? Ética de vida!

  1. Nooossa! uashaushauhs
    Gostei muito do texto que você escreveu e acho lamentável o fato de não valorizarem o Designer como ele merece, nos desvalorizam só pq o nosso curso tem menos duração do que o deles! fala sério! quantas vezes já ouvi dizer que o curso de Designer de Interiores é uma complementação do ensino médio ( isso mesmo! já ouvi esse absurdo ) aushuashaushauhsu fiquei boba!
    eu acabei de me formar em designer de interiores e pretendo fazer no próximo semestre arquitetura, mas só vou fazer pq sempre foi o meu objetivo, mas sinceramente não sei se vou me achar tanto como no Design!
    Mas seja o que Deus quiser!
    de uma coisa eu tenho certeza … AMO A MINHA PROFISSÃO !

  2. O rei está nu, e a verdade clara é que, nesta atividade pomposamente chamada “designer”, os seus praticantes são incapazes de se expressar no seu próprio idioma e assumirem que são desenhistas. Desvalorizam-se a si mesmos ao equipararem-se com fashionistas e outras superficialidades fúteis e temporárias. Mostrem que o que vocês, desenhistas, fazem efetivamente é mais do que simples projeções em perspectiva, quadrinhos ou ficarem folhando revistas velhas em busca de chupação, digo, inspiração. Arquitetos, engenheiros e agrônomos possuem um treinamento formal, longo e com conteúdo profundo, e seu trabalho merece ser muito mais valorizado do que um simples desenho feito durante a novela.

    • Caro Luís, não sou arquiteta e nem designer, na verdade não faço a mínima idéia sobre a real diferença das duas profissões, cai neste site fazendo pesquisa sobre ética. Penso que é exatamente respostas como a tua que caracterizam a falta de ética, desmerecer a profissão de outro ou diminuí-la faz da tua resposta anti-ética..

    • Luis, nem ia te responder pois nao vale a pena, mas já que entrou um comentário de uma leitora em resposta a você, aqui vai:
      VÁ ESTUDAR PARA SABER O QUE É DESIGN ANTES DE SAIR ESCREVENDO PORCARIA PELA WEB OK?
      Indico a você a leitura do livro “A Linguagem das Coisas”, de Deyan Sudjic. Quem sabe assim você e muitos outros vão entender quem são os verdadeiros culpados do Design ter se tornado – claro, aos olhos de ignorantes como vc – algo fútil, fashionista e superficial.
      Outra coisa, raramente se vê um projeto de Design de Interiores “chupado” de alguman revista… Já os de arquitetura de interiores heim… #FalaSério rsrsrs é só olhar as mostras…
      Bom, sua última frase nem merece resposta. É mais um arrogantezinho que se acha Deus, apenas por ser arquiteto… São pessoas como você que denigrem a tão bela profissão arquitetura.
      Cresça, amadureça e deixe de ser um moleque megalomaníaco ok?

  3. Também fico triste ao ler textos como estes que revelam a presunção do autor, que fala de ética sem ter um mínimo de estudo nesta área. O autor não conhece minimamente a Ética a Nicômacos, de Aristóteles, que apareceu em nossos tempos nas obras de Gadamer e de Henry Vietch, que mostraram que aplicabilidade da ciência do ethos. Além de não conhecer os clássicos, como Spinoza ou Kant, o autor desconhece os grandes autores que discutem seriamente a ética hoje, abarcando a bioética e a ética profissional, como é o caso Macthyre.

    “Para que esse longo discurso? Simples: a ética imposta pelas associações e conselhos não deve ser aplicada apenas com seus pares. Ela deve sim ser aplicada no todo afinal, colegas profissionais não são somente seus pares, mas sim o pedreiro, o pintor, o encanador, o construtor, a vendedora da loja, o jardineiro, o entregador de materiais, o técnico em telefonia, o designer, o padeiro, o ascensorista e todos os outros profissionais que você cruza em seu dia a dia.”

    Uma ética imposta pelas associações? Ética é autocoerção, e não coerção externa. Coerção externa é Direito, que se fundamenta no Estado. Estes códigos de ética profissional não são ética, pois coagem externamente, ao passo em que a ética se funda de maneira autêntica na consciência, e nem é Direito, pois as empresas ou associações profissionais, não têm o poder legítimo de legistlar. etc, etc, etc….

    • bom Gabriela,
      pelo visto és tão acadêmica que nao conseguiu entender a linguagem simples, coloquial que usei… lamentável.
      Indico a você ler algo sobre Aristóteles, especialmente Antífona ok?
      seja menos arrogante da proxima vez, quem sabe me debruço em argumentos com você.
      abs.

  4. BOM. SOU ARQUITETO E URBANISTA.
    NO TOCANTE A ÉTICA PROFISSIONAL, HÁ UMA FALTA DE RESPEITO MUITO GRANDE NA PRÓPRIA CLASSE PELA MÁ CONDUTA DOS MESMOS QUE NA MAIORIA DAS VEZES DEIXAM DE SER PROFISSIONAIS ÉTICOS PRA SE TORNAREM HIPÓCRITAS E ARROGANTES. PASSANDO POR CIMA DOS SEUS PRÓPRIOS COLEGAS DE TRABALHO CAUSANDO COM ISSO TRANSTORNOS DESAGRADÁVEIS. ESSAS PESSOAS IMPOLUTAS SÃO CONHECIDAS COMO “TRAÍRAS”. PORTANTO, DEVEMOS ISOLAR E AFASTAR ESSAS FIGURAS DO NOSSO MEIO SOCIAL.

  5. Nossa, muito esclarecedor o seu texto Paulo. Bom, eu tenho 15 anos e faço segundo ano, penso em seguir essa carreira. Penso em cursar arquitetura e desing de ambiente, e estou sempre atrás de profissionais da área para me esclarecerem duvidas.
    Quanto a esse lance da ética, bem, eu penso que arquitetos não são melhores que desingners ou engenheiros, ou pedreiros ou seja lá o que for, acho que cada um tem seu papel e cada um é importante para a obra a sua maneira. Sei que não vai ser em todos os trabalhos que eles vão trabalhar juntos, mas quando isso ocorrer deve sim se haver respeito mútuo entre os integrantes de uma EQUIPE. E acho concerteza muito errado, hipócrita, e sujo aquele tipo de gente que enche a boca pra falar da ética, da moral e bons costumes enquanto lhe convém, e quando isso não ocorre então resolvem ignorar. Acho que um bom profissional, deve acima de tudo ter principios, depois ele deve segui-los pois são seus próprios dizeres, e por fim sim, teria alguma “moral” pra abrir a boca e fazer alguma critica, sendo ela construtiva ou não. Sem contar que princípios não são apenas para o nosso trabalho, como também para a nossa vida.
    Se possível, eu gostaria de manter contato, pois é muito dificil entcontrar um profissional atuante na minha região, eles sempre saem do estado em busca de emprego pois aqui não tem área =/, e eu gostaria de manter conversas, saber de mais detalhes sobre essa profissão da qual eu me encantei desde a 7ª série e pretendo segui-la fielmente mesmo que seja para sair desse lugar. Moro em Belém do Pará, meu e-mail é thaysse_mayara@hotmal.com e gostaria de obter respostas.
    Obrigada pela atenção.
    =)

  6. Lara, perguntinha difícil essa sua rsrsrsr
    Eu procuro conscientizar sempre que possível e boicotar as lojas que fazem isso, sempre deixando muito claro ao proprietário o porque do boicote. Já consegui reverter a situação em várias delas.
    Creio que seja este o caminho.

      • Qual diferença?
        ela me perguntou o que fazer para mudar uma situação apenas.
        Creio que está respondido sim.
        Em primeiro lugar a tentativa de conscientizar e se não der certo parte-se para algo a mais, como o boicote por exemplo.

  7. Olá Paulo!
    Muito bom o seu texto, sou designer de interiores e descobri o preconceito ao levar um projeto de móveis para uma loja de modulados e descobrir que nossa RT é 5% e de arquiteto 10%.
    Não dá para entender o porquê disso se projeto de mobiliário é trabalho de designer e não arquitetônico.
    Já que você comentou, o que poderíamos fazer para mudar essa situação?
    Um abraço!

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