Cruel: Deborah Colker

Tive o imenso prazer de assistir no sábado, em Maringá, ao espetáculo Cruel da Cia de dança Deborah Colker.

Já sou fã dela desde que assisti em Curitiba ao Mix, Velox e Vulcão – para quem não se lembra, é aquela onde eles dançavam escalando uma parede.

Em Cruel, a Cia traz um elemento a mais à cena: interpretação. Os bailarinos tornam-se intérpretes de suas personagens onde cada um conta a sua história através da dança.

Crueldade humana. Essa é a tônica do espetáculo. Em meio ao amor, eles nos mostram o quanto o ser humano é cruel, mesmo amando.

A trilha sonora é espetacular levanto o expectador da calma à ansiedade em questões de milésimos de segundo. Forte, envolvente e vibrante. Pena que achei o som um pouco baixo mas isso não tirou o brilho.

Os movimentos de dança são belíssimos com ligações perfeitas onde não há espaço para o vazio, o vácuo. Isso é uma característica dela e, por isso mesmo, preferi me sentar mais atrás no teatro, para poder absorver todo o palco. Ou seria ser absorvido pelo mesmo? Sei lá, o fato é que não há como ficar indiferente a tudo o que acontece em cena.

Por falar em cena, conversando com o Zetão – ex iluminador do teatro e amigo meu – ele me confidenciou que para este espetáculo foram utilizados mais de 380 projetores. Não poderia ser diferente. É extasiante. Mesmo não tendo luzes móveis, a iluminação é precisa e lindíssima, perfeita!

Sobre a cenografia o espanto fica por ser algo absurdamente simples. No primeiro movimento, apenas quele grandioso pendente rendado – com um efeito extraodinário. No segundo elemento, uma mesa com 5m de extensão que vira um brinquedo nas mãos dos bailarinos e uma excelente base de apoio. No terceiro movimento, os quatro elementos espelhados e giratórios que simplesmente tornam a cena “louca”. Os efeitos proporcionados por estes espelhos às vezes conforta e às vezes intriga, incomoda como no baile de um Trisal (2 mulheres + 1 homem). Apesar de você ver os très à frente do palco, nos reflexos em um aparecia uma pessoa enquanto nos outros refletiam ou o trio ou a impressão de que estavam separados em um casal e a outra abandonada, trocada, traída. Louco demais.

Porém o que esta parte quer mostrar mesmo é que cada um de nós é um, externamente falando, mas dentro de nós, de nossas cabeças somos múltiplos, vários. Por isso mesmo essa parte chama-se Reflexos.

Dentre tudo o que vi e senti, não posso deixar de destacar um ponto que me marcou. É uma pena que não consegui encontrar uma foto desse momento. Os casais dançando, ainda no primeiro movimento, formam uma diagonal e as bailrinas “caem” com os braços abertos e são apoiadas pelos bailarinos. É uma cena sutil, delicada, leve. Porém a precisão movimento x música x iluminação me arrebatou! Estou até agora com a perfeição daqueles poucos segundos estampada em meus olhos. Lindo, sublime, divino!

Portanto, indico a quem forque, se possível, vá assistir. Vale cada centavo. Na verdade, ainda é barato pelo alto nível. Abaixo, um vpideo para que vocês degustem alguns momentos.

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