Formação plena x parcerias profissionais

Em uma de minhas palestras – Design de Ambientes – áreas de atuação profissional – logo de início chamo a atenção dos ouvintes para um fator essencial nos dias de hoje: as parcerias profissionais.

Antes de entrar neste assunto – e ainda dentro do embróglio do assunto – tenho de destacar a forma como entro neste assunto na palestra.

É mais que comum vermos profissionais auto-suficientes, todo-poderosos, detentores mor de todo o conhecimento. BALELA!

O profissional que se coloca desta forma é no máximo medíocre pois sabe um tiquinho de nada de tudo. BÁSICO.

Nossas formações acadêmicas nos mostram caminhos que podemos seguir. Isso nem de longe quer dizer que podemos fazer tudo ou que estamos realmente aptos a fazer tudo. Seja em engenharia, arquitetura, design, advocacia, medicina…Dois excelentes exemplos por sinal estas duas ultimas áreas citadas.

Não vemos um médico que faça de tudo em todas as áreas da medicina assim como não vemos um advogado que atue em todos os campos do direito. Porque em nossa área (engenharia, arquitetura e design) tem de ser diferente? EGOS!!!

Muitos vão dizer que se eu me especializei em determinada área em detrimento das outras vou ficar refém de outros profissionais, ou ainda que vou atuar na sombra destes e mais um monte de afirmações descabidas e inconsequentes.

Ao especializar-me em uma determinada área estarei ajustando o foco e direcionando os meus trabalhos para aquilo que realmente gosto e tenho interesse. Aquilo que realmente me dará prazer pessoal e profissional. Confesso aqui que não gosto nem um pouco de trabalhar com a parte hidráulica. Por isso mesmo, sempre entrego estas partes a algum engenheiro parceiro que trabalhe exclusivamente com hidráulica. Prefiro que ele faça isso de forma correta e perfeita a eu ter de queimar a cabeça re-estudando e relendo sobre isso o que me gastaria tempo precioso.

A área de design de ambientes hoje nos proporciona um grande mercado com muitas áreas para atuação profissional. Porém, assim como na medicina, faz-se necessário que o profissional seja mais que apenas qualificado e sim altamente especializado em determinado assunto.

É o caso da iluminação x lighting design. Engana-se muito quem pensa tratar-se da mesma coisa – vá pesquisar direito! Assim como também engana-se quem continua a acreditar que arquitetura de interiores é o relativo à design de interiores na área de arquitetura. Desinformação pura!

Quando escolhi especializar-me em lighting design, não foi uma coisa motivada por modismos – até mesmo porque nem se falava em lighting aqui no Brasil ainda. Foi uma escolha motivada por gosto mesmo. A luz sempre me fascinou, me hipnotizou, me seduziu, me incomodou. Daí, partir para esta área foi um estalo pois já entrei na faculdade com este foco bem específico.

Eu já vinha analisando ha muito tempo como o mercado externo funcionava e o que estava sendo alterado. E é exatamente no ponto das parcerias que estavam as maiores alterações. Mas como parcerizar se os profissionais se acham “deuses”?

Aí é que está o X da questão! Os ego-centrados preferem fazer tudo sozinhos a ter de compartilhar os créditos do projeto com outros profissionais. No entanto esta maneira de ser pode reverter-se contra ele mesmo pois seus projetos acabarão caindo numa mesmice, erros básicos – como os de lighting expostos no post anterior, muitas cópias, releituras e etc.

Quando você toma consciência de que na verdade não sabe quase nada de tudo, o seu lado profissional tende a sofrer uma grande mudança: para melhor!

Quando você toma consciência de que chamar algum amigo para auxilia-lo num projeto nem de longe quer dizer que você não entende do assunto mas sim que você realmente está preocupado com a qualidade final do projeto e a satisfação dos seus clientes, a sua vida profissional e pessoal vai mudar também: para melhor!

Isso nem de longe quer dizer que você ficará refém ou estará atuando na sombra deste ou daquele profissional, mas sim que você é um profissional consciente, racional, que prima pela qualidade e que vê isso como PARCERIAS PROFISSIONAIS.

Profissionais parceiros tendem a agrupar-se e acabam por “trocar favores” entre si. Tenho um engenheiro parceiro que sempre me chama para fazer os projetos de iluminação e lighting dos projetos dele. Todos os projetos são realizados por mim.

Outros parceiros arquitetos – que não gostam de interiores e sim de obras – fazem a mesma coisa.

Como retribuo? Sempre que aparece algum projeto que necessite de alguma alteração que não posso assinar, chamo-os para resolver. Entrego os esboços com os conceitos, idéias, brieffing e trabalhamos em conjunto. Simples assim.

Esta troca “de favores” só traz melhorias para todos: você, parceiros, fornecedores e clientes.

Coloquei fornecedores pois novamente confesso: não sou nenhuma assumidade em hidráulica. Prefiro fazer uma parceria com algum designer, engenheiro ou arquiteto que entenda realmente destes assuntos a cometer erros que depois darão dor de cabeça a mim, ao cliente, ao lojista, ao empreiteiro e à indústria.

Mas percebo que ainda aqui pelo Brasil isso é muito complicado de acontecer. Cada um prefere ficar enclausurado em seu egocentrismo, errando repetidas vezes mas sempre sem abaixar o topete.

Trabalho atualmente com vários parceiros de São Paulo, Campinas, Curitiba, Maringá e outras cidades mais. às vezes na forma de parceria, outras em consultorias. Mas percebo que ainda existem “vilas” onde os profissionais não amadureceram profissionalmente – alguns já com mais de 20 anos de estrada.

Portanto nobre leitor, “caia na real” e abra seus olhos e procure perceber o que realmente você gosta de fazer dentro de um projeto. Aquelas áreas onde você tem mais dificuldades ou que não gosta mesmo de mexer, coloque nas mãos de alguém que realmente entenda do assunto. Todos voces só tem a ganhar com isso!

Bom trabalho, parceiros!

4 comentários sobre “Formação plena x parcerias profissionais

  1. Perfeito ponto de vista Paulo!

    É por isso que eu amo este lugar e todos os seus posts!!!

    Eu ainda sou estudante mas, dentro da sala de aula eu já lido com este tipo de competição.
    É terrível! Mas meus colegas pensam que tal prática seria ensinar seu futuro concorrente em algo que ele não domina atualmente.
    Ainda que façamos alguns trabalhos em grupo, eles preferem guardar certas informações, ou melhor, conhecimentos, apenas para si, mesmo que isso possa afetar a nota do grupo.

    Eu não sou a última bolacha do pacote mas, já deí algumas contribuições/dicas nos trabalhos de outros colegas e por isso fui chamada de “boba” por ajudar os outros.

    Até agora eu tenho conseguindo lidar com isso. Afinal de contas quem ganha em aprendizado sou eu.

    Cheiro pra tu, visse!

  2. Malice,
    As parcerias podem ser feitas nesses pequenos projetos através de consultorias técnicas.
    É uma forma de estreitar e firmar os laços entre os profissionais uma vez que o contato é constante e aos poucos, um vai percebendo o estilo do outro. Isso facilitará bastante na hora que aparecer “o projeto”.
    Tenho dado várias consultorias para diversos profissionais e te garanto que é muito bom.
    Diferente da parceria em projeto, a consultoria é mais leve a fácil de fazer. Um exemplo:
    Você me manda as plantas do que projetou para que eu dê uma analisada em seu projeto de iluminação para verificar se está tudo ok, propor algumas modificações e indicar equipamentos. Eu não vou projetar nada, apenas indicar para que você resolva. Te dar “dicas”.
    Com isso o custo fica mais baixo e a qualidade aumenta bastante.
    Abraços.
    .
    Marcele,
    Esta conscientização só vai acontecer de fato quando os outros profissionais entenderem o porque estão perdendo espaço. Aí vao correr atrás do prejuízo. É aquela velha coisa: “a água batendo na bunda”…
    Com relação aos clientes que não querem pagar a mais para contar com outro profissional, já vi muitos mas sempre os conscientizo. Não é uma questão de eu ser um “profissional falho” e sim que, assim como numa cirurgia temos diversos médicos, em um projeto também devemos contar com diversos profissionais especializados. Nunca ouvi alguém dizer que um médico endocrinologista é um “profissional falho” por não ser “o tal” em cardiologia”.
    Isso vai da tua capacidade de argumentação e esclarecimento.
    Abraços!

  3. Ótimo post, Paulo! tudo muito bem colocado. Falta, apenas, a conscientização da maioria dos profissionais.
    Aqui em Colina é praticamente impossível fazer parcerias. Primeiro porque há dois tipos de profissionais na área: arquiteto e engenheiro civil (e o engenheiro civil acha que sabe fazer tudo, quando na verdade só faz o projeto legal e pronto). E depois porque muitos profissionais acham que você vai roubar o cliente deles.
    Tem ainda o fato de o cliente não querer pagar pelo serviço para que o resultado seja satisfatório. No fim, eu faço grande parte do serviço e fico com um peso na consciência enorme. Primeiro porque sei que não sou capaz de tanto e, depois, porque não quero deixar que a obra fique feia. É uma tristeza… Mas esse post me animou! Quem sabe esse ano seja diferente, não?
    Abraço!

  4. Perfeito, Paulo, é isso mesmo. Eu morro de pena, mas nunca consegui fazer uma parceria em light design. Tenho amigos especialistas, mas nunca surgiu “O Projeto” em que pudéssemos atuar em conjunto…
    Paisagismo é outra área em que só sei o tipo de planta que quero e onde colocar, mas especificar – e cuidar da planta – isso é com especialista.
    Bjs!

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