Qualidade num projeto de LD

Preparando materiais (textos, artigos, etc) para os alunos do curso que estou ministrando em Maringá sobre LD, no meio de um deles encontrei um tópico que fala sobre questões de qualidade em um projeto de LD.

Trata-se do artigo e material que o prof. Luis Antônio Greno Barbosa usa nos cursos sobre LD na Universidade Estácio de Sá falando sobre LD em Museus, Galerias de arte e similares.

Ele baseou-se no IESNA Lighting Handbook (9ª ed) que coloca os procedimentos recomendáveis para projeto que estão baseados no conceito de qualidade da iluminação.

Segundo Peter Boyce (Lighting Research Center), a qualidade de um projeto de iluminação está dividida em três categorias:

Iluminação ruim: quando o sistema de iluminação sofre defeitos de qualidade;

Iluminação  imparcial: quando o sistema de iluminação não tem defeitos de qualidade;

Iluminação excelente: quando o sistema de iluminação está tecnicamente correto, sem defeitos, e estimula o sentidos do observador, atingindo o estado da arte.

Para atingirmos estes graus de qualidade, temos de observar alguns critérios que foram utilizados para a elaboração das Diretrizes Avançadas para Iluminação do IESNA:

Distribuição da Luz:

      – Iluminação de tarefa e do ambiente;

      – Integração com a iluminação natural;

      – Poluição luminosa e luz abusiva.

Considerações sobre o ambiente e local de trabalho:

      – Flexibilidade;

      – Aparência do local e luminárias;

      – Aparência da cor;

      – Luminância das superfícies do local;

      – Tremulação da luz;

      – Ofuscamento direto;

      – Ofuscamento refletido.

Iluminação sobre pessoas e objetos:

      – Modelagem de feições e objetos;

      – Características das superfícies;

      – Pontos de destaque e interesse;

      – Cintilamento.

Posto isto, passemo a destrinchar e detalhar estes critérios para as Diretrizes para a Qualidade da Iluminação:

1- Aparência do Local e das luminárias:

      – Estilos de luminárias de acordo com o estilo do projeto de interiores/arquitetura;

      – Luminárias embutidas ou aparentes;

      – Sistemas de iluminação auxiliam na formação da imagem do espaço (casual, luxuosa, industrial, modernista).

2- Aparência e contraste de cor:

      – Temperatura de cor (cromaticidade);

      – Índice de Reprodução d Cor (IRC);

      – Curva de Kruithof (amenidades);

      – Atualmente preferência por temperatura de cor entre 3000K e 4500K;

     – Influência das latitudes (geográficas) na escolha da cor;

      – Influência da TC na percepção do conforto térmico;

      – Integração com a luz natural;

      – IRC – qualidade da cor

      – 100% = luz natural fonte padrão CIE;

      – Influência dos filmes e tratamentos nos vidros da janelas:

      – Classes de temperatura de cor:

         – 2500-3000 – morna

         – 2950-3500 – neutra

         – 3500-4100 – fria

         – 4100-5000 – muito fria

         – 5000-7500 – gélida

3- Controle e integração com a luz natural:

      – Conservação de energia;

      – Controle automatizado da luz artificial;

      – Acendimento individualizado;

      – Compatibilidade entre a cor das fontes de luz.

4- Ofuscamento direto:

      – Visão direta da fonte de luz – evitar visão direta a fonte de luz dentro de m ângulo entre 0° e 40° com a horizontal;

      – Brilho exagerado da fonte de luz – fontes de pequenas dimensões;

      – Curvas de limites de ofuscamentos.

5- Efeitos de tremulação e estroboscópico:

      – Frequencias mais altas evitam o efeito estroboscópico;

      – Persistência das fluorescência com o uso de modernos pós fluorescentes;

      – Baixa voltagem provoca tremulação.

6- Distribuição da luz nas superfícies:

      – Erros da montagem do ambiente pela iluminação;

      – Luminárias embutidas próximas às paredes criam “conchas” de luz e espaços de sombra;

      – Luzes dirigidas para o teto, com menos de 60cm de dist^ncia para o teto, causam manchas e explosões de luz;;

      – Desequilíbrio da iluminancia de teto, parede e piso (grandes variações);

      – Desalinhamento entre a malha das luminárias no teto e o alinhamento desta com as paredes ou variaçõs na modulação das luminárias;

      – Aproximação em excesso das luminárias da parede.

7 – Uniformidade da iluminação:

      – Distribuição da luz no local da tarefa;

      – Estabelecer a iluminância efetiva entre 1/3 e 2/3 do total desejado, completando com a iluminação geral do ambiente.

8- Luminância das superfícies do local:

      – Aproximação da luminância das paredes e do teto da luminância do local da tarefa;

      – A ilumiância entre as superfícies do ambiente e a iluminância do fundo da tarfa (papel branco) deve ser entre 1/10 e 10 do nivel da tarefa e preferencialmente ser inferior a ela;

      – Evitar grandes contrastes de luminância, utilizando cores com reflexões aproximadas;

      – Luz difusa sobre superfícies claras e redução na utilização de superfícies escuras.

9- Modelagem dos objetos e feições:

      – As sombras e luzes de destaque provocam uma melhor percepção de objetos tridimensionais, evidenciando profundidade, forma e textura;

      – A luz do sol acentua a modelagem e a luz do céu difuso (nublado) iguala a iluminação, reduzindo a modelagem;

      – Uma mistura entre luz direciona e luz indireta é interessante, e a luz direta pode corresponder a no mínimo 20-25% do total.

10- Pontos de destaque:

      – A vista é atraída para pontos mais claros (iluminados) de um ambiente, com variações superiores a 10 vezes das superfícies próximas.

11- Reflexões de ofuscamentos:

      – Ofuscamentos desabilitadores e reflexões celatórias estão associads a superfícies brilhantes, que proporcionam reflexões especulares (papéis brilhantes,  monitores de vídeos, canetas, vernizes);

      – Iluminação indireta cria uma solução uniforme e difusa, um boa solução para prevenir ofuscamentos desabilitadores em locais de trabalho;

      – Observar os angulos críticos de visão, evitando reflexo direto da própria luminária;

      – Atenção especial para os monitores de vídeo.

12- Sombras:

      – Sombras podem dificultar a visibilidade da tarefa, se algm detalhe estiver dentro da área sem luz;

      – Sombras realçam a percepção de objetos tridimensionais;

      – Iluminação localizada reduz as sombras no local de tarefa.

13- Tarefa / Percepção visual:

      – Relação entre o ângulo de maior sensibilidade do campo de visão (cone de 60°) do observador, a tarefa e a luminária.

14- Brilhância / Reflexos propositais:

      – Está relacionado ao princípio dos pontos de interesse, explorando aqui o brilho das superficies.

15- Características da superfície:

      – Destaque das caracteristicas (textura, cor, relevos) da uperfície.

16-Flexibilidade e controle do sistema:

      – Possibilidade de reposicionar as luminárias em função da modificação do posicionamento do mobiliário ou do uso do local;

      – Luz ligada quando necessária, luz desligada quando não necessária;

      – Versatilidade na ligação elétrica e mecânica das luminárias.

17- Iluminância horizontal:

      – Medida da iluminância sobre os planos de horizontal;

      – Verificação das normas e níveis sugeridos.

18- Iluminância vertical:

      – Medição da iluminância sobre os planos verticais;

      -Verificação das normas e níveis sugeridos.

Muitos podem vir a dizer depois disso tudo que com esta formatação os projetos de iluminação acabarão por ficarem engessados pois estas diretrizes eliminam muitos efeitos possíveis. Porém não é bem por aí.

Esta diretrizes apontam os erros mais comuns cometidos por aqueles que se colocam a iluminar um ambiente e apontam elementos que muitas vezes passam despercebidos. Porém é aí que entra o trabalho criativo do LD onde mantendo os efeitos e fazendo uso destas observações todas, consiga atingir este grau de qualidade em seus projetos.

Para que isto aconteça, de nada adianta o LD ser um exímio calculista, conhecer todas as normas e lidar primorosamente com softwares específicos. Ele tem sim de conhecer as caracteristicas da luz “in loco”. Tem de manipula-la, brincar com ela sea em casa, o trabalho, na rua, no carro. É só através desta manipulação que ele terá conhecimento de como a luz comporta-se e como os diversos equipamentos disponíveis no mercado podem nos auxiliar no trabalho com os projetos.

Dias atrás comentei com os alunos do curso de LD em Maringá sobre a importância disso. Se você tiver espaço (sala, quarto, oficina) e dispor de dinheiro para investir em equipamentos (luminárias, lâmpadas, etc) será de grande importância estes exercícios na hura de projetar e criar. Caso não haja disponibilidade você pode começar brincando com lanternas, papel celofane e outros materiais e objetos que lhe permitam moldar e perceber a luz.

De qualquer forma, um outro exercício fundamental é a observação dos espaços onde você vai. Neste caso, não basta apenas sentir a iluminação (que é imporante sim) mas antes de tudo, a observação dos fachos (desenhos), instalações (como, onde, distâncias), equipamentos, lampadas e acessórios que foram utilizados no projeto observado.

Com este simples exercício a sua biblioteca de informações vai crescendo gradativamente e os leques de possibilidades para seus projetos também. Isso sem contar que neste mesmo exercício de observação é onde conseguimos detectar os erros e falhas projetuais (ofuscamentos, instalações imperfeitas, fiação aparente, desalinhamento, mistura de cores e lâmpadas diferentes, etc).

Lembre-se: você trabalha com a luz, portanto da próxima vez que entrar num ambiente olhe e perceba-a. Depois pode partir para a observação dos móveis, etc.

 

2 comentários sobre “Qualidade num projeto de LD

  1. olá boa tarde
    Meu nome é Renan trabalho com leds a 6 ano. Vou te falar uma coisa os leds são a iluminação do futuro ,sabe porque eles não são ainda, porque eles são muito caros.
    Eu tenho alguns projetos com leds que vou entrar no mercado

  2. Pingback: Leds o que podemos esperar destes diodos | Dicas da Arquiteta

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