Artista: Nikko Kali

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Apresentação

Nikko Kali é um verdadeiro nômade, pois sai para verificar o que há. Migrante, capta nas suas viagens curvas, movimentos e imagens de um mundo simbólico, onde a ordem visível não é tão lógica e clara. Um fluxo de impressões, desejos, vontades de poder, num espaço em que os encontros são fundamentais, Kali libera o elemento indestrutível que existe em nós, seja em forma de entidades, seja em forma de natureza.

O estético e o agonístico se postam paralelos nas suas obras, pois, como um sacerdote da arte, tem uma história construída pela busca de um olhar e de um espaço na plástica contemporânea, a partir mesmo dos primeiros esboços traçados na infância, culminando na fase de afirmação como compositor de seu próprio cosmos.

As narrativas de uma criação, de idéias, de modelos primitivos, de escritas antigas, de paixões, de amores, tudo enfim, em um sentido amplo, só existe onde há mobilidade, diferença e arrebatamento. O jogo da criação de Kali está num surrealismo de curvas e fundos bem trabalhados, num construir e num destruir transterritoriais. Assim, o artista, no seu deleite, apreende os espólios geométricos, a natrureza e outros mundos onde há uma linguagem assimilando e elevando o real à altura do espiritual.

Como necessário bálsamo, Kali afirma : « Cada semente de poeira possui uma alma maravilhosa. Mas, para compreendê-la, devemos redescobrir a significação religiosa e mágica das coisas, aquela que tinha os povos primitivos ». Diz ainda Kali que se realiza « exclusivamente no domínio da pintura e da escultura ». Incorporando-se a um deserto de infinitas interpretações, na harmonia do arco e da lira com sua dualidade de guerra e serenidade, o alcance que Kali faz é de uma filosofia que deseja, morde e ri, uma filosofia de mãos e pés num dançar de esquecimentos e vida. Portanto, como poeta-pintor-escultor, trabalha o toque e estuda o mundo-signo.

Dir-se-á que é impossível decifrar a sintonia ou o signo de um quadro surrealista ou abstrato; todavia, não há apenas uma fruição do olho-espírito, mas, sim, miríades forjadas por tensões de encontros no espiritual.

A estrutura da pintura de Kali é elaborada e estudada. Nos seus vários fundos, múltiplas camadas se sobreõem, numa alquimia de cores só alcançada com sua técnica peculiar desenvolvida durante o Mestrado em Gemologia, em que utiliza pedras preciosas e ouro pulverizados, além de pigmentos naturais extraídos de frutos e vegetais.

A visão toca, estremece. Kali em transe num brutal contínuo de cores, curvas, paisagens, linhas pontilhadas e personagens. Ser abstrato/surrealista é desencadear-se nas relações plásticas puras, independentemente das possibilidades de comparação. A imagem, como um ser que se estende no espaço da pintura e da escultura, aproxima do corpo, da pele, das funções vitais, do sexo, de tudo que vá em busca do caminho interior. Nikko Kali decifra-se :

Não faço nem estudo nenhum esboço sistemático do meu quadro. Prossigo com algumas hesitações; reflito, medito, tomo notas, faço pequenos esboços a lapis ou fusain. A minima extremidade de papel que reencontro por acaso no fundo de um bolso é suficiente; eu anoto parte dos pensamentos ou idéias que me vêm ao espírito. As notações ou os objetos que amasso produzem do me user a lembrança de outros choques, já suscitados no passado por objetos de natureza muito diferente. No momento em que começo a trabalhar, essas palavras e esses objetos perdem a sua significação. Mas é apenas na frente da tela que me dou conta de que esses choques possuem o poder mágico de fazer em mim sensações de ordem pictural

Mirando a linguagem poética de Kali, sentimos livres para ramificar os signos usados e lançar o espírito em várias direções, consciente e inconscientemente. Os subentendidos de luz, sombra e dedicação elevam-nos o espírito e prendem-nos a atenção. São justamente essas características intrínsecas que atraem a arte contemporânea, livre para todo o querer e consciente de que não é qualquer traço ou conceito que será usado, mas sim, aquele que é digno do olhar do artista.

Texto : Afonso Henrique Rodrigues Alves

Revisor : Wilson Guerreiro Pinheiro

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