DESIGN DE INTERIORES: ÁREAS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL II – GAMES

Dando seqüência a esta série de textos vou falar um pouco agora de uma área que alguns podem achar meio nada a ver porém, é um mercado em franca e contínua expansão e que eu duvido muito que algum dia venha a estagnar-se ou morrer.

Um trabalho virtual, voltado para o mercado virtual, um público também virtual. Falo aqui especialmente sobre os Games, mas também não poderei deixar de fora outros segmentos virtuais também importantes.

Com a evolução e crescimentos do mercado de games, dos softwares de 3D e plataformas bem como o crescente interesse das pessoas por estes jogos eu penso: porque não atuar também neste segmento do mercado seja prestando assessorias, consultorias ou até mesmo como um emprego fixo.

A maioria dos games que vemos por aí primam por suas fases, níveis de dificuldade, estética das personagens e outros elementos que formam o todo do game. No entanto, para quem tem um olhar um pouco mais estético, artístico, sensível que a maioria da população – nosso caso e de quem trabalha ou gosta de arte, design, arquitetura, música ou outros – logo começamos a perceber o quão primitivo é o trabalho de Design de Interiores empregados por todo o game.

    Normalmente o que vemos é aquela disposição básica de elementos básicos tornando os games bastante parecidos uns com os outros. Ou como na imagem ao lado, a falta de elementos.

Porque então de não entrarmos neste mercado? Porque então de não oferecermos nossos serviços para estas empresas de forma a melhorar a qualidade visual, a sensação de maior realidade e proximidade com o mundo real?

Tempos atrás um amigo me indicou um jogo online. Me inscrevi, baixei e instalei em meu PC e comecei a jogar. No entanto, quando entrei no quinto ou sexto aposento do castelo me deu um estalo. Rabisquei o modelo de cama, cômoda, tapete, poltrona em um pedaço de papel e abandonei o jogo simplesmente para tirar uma dúvida: fui voltando quarto a quarto e o que vi me surpreendeu: em todos estavam exatamente os mesmos móveis, acessórios, objetos de arte. Até na disposição eram bastante semelhantes. Aí fiquei pensando sobre este assunto que escrevo hoje aqui.

Depois disso resolvi buscar em outros games a confirmação disso e realmente é mais comum do que se imagina. Pouquíssimos são os games que realmente tem um trabalho mais complexo no sentido do trato da área de Interiores.

Novamente a pergunta: porque então não entrarmos neste segmento também?

Claro, alguns facilmente dirão que este mercado não é real, não tem clientes reais a não ser o fabricante do game. Pode ser? Sim pode realmente ser. Mas uma coisa que não podemos nos esquecer é que em todo game aparecem os créditos e, através destes, podem sim aparecer clientes reais. Clientes que tenham gostado do seu trabalho no game e estejam desejosos de um trabalho seu no mundo real. Quem sabe reproduzir aquela cena na loja ou no quarto de seu filho. Isso já acontece com os designers gráficos, com os roteiristas… Porque não vai acontecer com o Designer de Interiores?

Sem contar que ter um trabalho desses em seu currículo certamente soará como algo bastante inusitado, porém de grande valia denotando a multiplicidade, pioneirismo profissional. É um excelente cartão de visitas certamente!

Eu fico imaginando o que mais este tipo de trabalho poderia trazer de benefícios para nós. Não posso deixar de pensar na grandiosidade cultural, na contribuição intelectual, na precisão projetual, no refinamento estético e artístico entre tantas outras coisas. Pare um pouco e tente imaginar o trabalho como se fosse para um cliente real com tudo o que este engloba.

    Pesquisas históricas para adequar ambientes aos estilos da época em que o game se passa, mobiliários específicos, materiais utilizados na época, arte específica, iluminação condizente com a realidade… Uaw! E quando são games de guerra onde temos uma arquitetura, um urbanismo destruído pelas bombas e que faz-se necessário uma cenografia nesta linha… Outros já primam pela riqueza e luxo, um mundo perfeito onde não existem pobres… Quem sabe aqueles futuristas, visando a projeção dos sonhos humanos sobre a era espacial vindoura, a guerra dos mundos… Talvez aqueles na linha Doom, de mocinho e bandido que sempre tem a mesma cara, os mesmos galpões, as mesmas fortalezas, os mesmos caixotes espalhados nos mesmos lugares… E isto tudo adequado ao roteiro do game.

Ontem a noite no supermercado a capa da revista Super Interessante me chamou a atenção: “Mundo Novo: a incrível historia de pessoas que trabalham DENTRO de games – e ganham muito bem. Conheça esta revolução”. Já fazia tempo que eu pretendia escrever sobre esta área e como o material é parco estava ainda em busca de maiores informações. Comprei a revista imaginando que fosse tratar de algo assim mas para a minha surpresa, pude conhecer mais a fundo sobre algo que já tinha ouvido falar porém ainda não tinha visto realmente o que era.

    Trata-se dos mundos virtuais, ou seja: mundos paralelos ao real. Existem pessoas que hoje são milionárias vivendo apenas no mundo virtual. Em resumo, você se inscreve, monta a sua personagem e começa a jogar (não sei se este é o termo correto). Ali dentro a sua vida é como se fosse uma vida real: você tem que trabalhar para ganhar dinheiro, tem de comprar as suas coisas, tem a sua vida social, seus amigos, suas contas para pagar…. Com o tempo, se você for um bom administrador/negociador poderá chegar ao patamar de alguns membros e contar com patrimônios compostos por veículos, casas, castelos, industrias, e tudo o mais que existe no mundo real.

Como? Você, assim como no mundo real, sabe fazer alguma coisa e oferece seus serviços nos classificados. Os clientes entram em contato, negociam, assinam contrato, você executa o seu serviço e recebe o pagamento em moedas de ouro. Estas moedas são trocadas por você em bancos virtuais por dinheiro real que podem ficar depositadas em sua conta ou você pode sacar quando necessitar por ter aquela conta do cartão de credito que veio acima de suas expectativas.

Com este dinheiro ou com as moedas, você também pode ir incrementando o seu mundo virtual adquirindo casas, terrenos, contratando empregados, comprando carros, roupas, comida… E assim você vai crescendo socialmente até ser reconhecido.

É uma forma interessante de se trabalhar? Sim é, sem sombra de dúvida. Porém sou muito pé no chão e não gosto muito dessas coisas que cheiram a Matrix. Se você estiver afim de investir nisso tudo bem, eu prefiro ir atrás da empresa que fez o game ou melhor, o mundo virtual e atuar ali, no mundo real.

 

Assim como na moda, existem várias empresas que produzem fotos de seus produtos apenas para sites por um motivo óbvio: baixo custo. Este é um segmento que também merece ser observado e levado em consideração por nós designers pois é bem maior do que imaginamos. Basta dar uma navegada nos sites de fornecedores (moveis, equipamentos, tintas, etc) que perceberão quantos deles entregam catálogos e quantos disponibilizam as versões em pdf, ou seja lá qual for para download. na imagem ao lado, uma empresa que trabalha com mármores, granitos e outras pedras e revestimentos. No site voce encontra além de fotos detalhadas de cada produto, ambientes montados exclusivamente para demonstração de uso e efeito.

Bom espero poder ter contribuído um pouco mais com vocês no sentido de conscientização do papel do Designer de Interiores no mercado.

Não! Definitivamente não somos apenas responsáveis pelas trocas de vasinhos e almofadinhas. Nosso trabalho é complexo e completo demais para ser menosprezado, inclusive, infelizmente, pela grande maioria dos designers.

No próximo texto, mais algum assunto sobre sei lá o que.

 

Abraços

 

Paulo Oliveira

3 comentários sobre “DESIGN DE INTERIORES: ÁREAS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL II – GAMES

  1. …Gostei da materia, realmente me faz pensar em querer atuar dentro da area de jogos eletronicos, ja que gosto muito de me divertir jogando,
    … mas eu como uma pessoa q entende do assunto, nao posso deixar de dizer q nao é tao simples entrar no merdado de games, principalmente pq eles ja tem pessoas q fazem esse trabalhu de pesquisa e design grafico para poder criar os cenarios, nao sei dizer se no caso de cenarios internos (casas, escritorios, igrejas, lojas, ruinas, castlos, etc…) contratam um profissional de interiores para planeja-los. deixando claro q esses profissionais em sua grande maioria sao nerds sem muita sensibilidade artistica.
    … outro fator q dificulta a nossa entrada nesse mercado é que a maioria das empresas de jogos eletronicos sao de fora, aki no brasil temos bons profissionais que fazem a partde grafica dos jogos, porem trabalham pra fora, nao possuimos empresas de games (de porte significativo), seja para PC ou para consoles (PS, Nintendo, Xbox etc…)
    …mas esse é um bom assunto a ser discutido, conhesu bons exemplos de jogos q tem um visual q aparenta der o dedo de um profissional de interiores. Eu sou da area de Interiores e casu surja uma chance de eu entrar nesse ramo conserteza vou entrar, afinal o mercado de games é um dos q mais cresce no mundo…e isso é fato, em 2008 ele lucrou muito mais q a industria do cinema americano, é uma cosia rpa gente fikar de olhu msm…

    boa materia e bom assunto… caso queira discutir ou obter mais informaçoes sobre esse assunto só entrar em contato comigo…

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