Cine Teatro Ouro Verde – Londrina PR

Como já devem estar sabendo, infelizmente perdemos o nosso Teatro ouro verde no último domingo (12/02/2012) por causa de um incêndio.

Projetado pelo mestre Vilanova Artigas em 1948 e inaugurado em 1952. Estava prestes a completar 60 anos e para ser tombado pelo IPHAM como patrimônio Histórico. Já estava tombado pelo Governo Estadual. Iniciou suas atividades como cinema e depois foi sendo adaptado para receber teatro, dança e shows musicais. Estava passando por uma nova reforma ultimamente.

Infelizmente o que nos resta dele hoje é o que esta imagem abaixo mostra e nossas memórias.

O fogo queimou mais uma doce lembrança de minha vida em Londrina. É, o meu coração chora…“. (jornalista Regina Daefiol sobre o incêndio no Cine Teatro Ouro Verde).

Lembro-me das vezes em que me apresentei, cantei ou tocando, neste palco quando participava dos Festivais de Música de Londrina (FML). Lembro-me de minhas idas ao cinema em minha infância e juventude. Lembro-me das histórias contadas por minha mãe e tias sobre o Ouro Verde e tudo que rolava por ali na época de suas juventudes.

Como já escrevi aqui e aqui, sou neto e bisneto de colonizadores desta linda cidade do norte pioneiro do Estado do Paraná. Nasci aqui em dez/1970. Apesar de ter passado grande parte de minha vida fora desta terrinha, sempre expressei o meu orgulho em ser um “pé vermêio”, tanto que acebei voltando a morar aqui em 2003.

Assim, ofereci gratuitamente à Universidade Estadual de Londrina o projeto completo de lighting design para a reconstrução do nosso Cine Teatro Ouro Verde.

Protocolei hoje pela manhã um ofício para a Reitora Nádina formalizando este meu ato. Postarei a íntegra no post a seguir.

Mais que necessário ressaltar que consegui o apoio de alguns profissionais renomados na área de iluminação para esta minha proposta:

A mega iluminadora Jamile Tormann se dispôs a fazer o projeto de iluminação da caixa cênica gratuitamente.

O Maria Clara De Maio, editora da Revista Lume Arquitetura, ofereceu uma matéria na revista assim que o meu projeto e a reconstrução estejam concluídos.

Também recebi e-mails de apoio e como referências profissionais do Farlley Derze e do Oswaldo Perrnoud, dispondo-se a ajudar no que for preciso.

Agradeço também o contato da Srª Magali Kleber, da UEL, agradecendo a minha disposição em me doar para este projeto.

Agora é aguardar o andamento de tudo isso e formalizar os contatos com os responsáveis pela reconstrução do nosso cine Teatro Ouro Verde.

A cor da luz

Por Farlley Derze*

Texto originalmente publicado na Revista Luz & Cena, edição número 149, dez/2011, autorizado pelo professor Farlley a sua publicação aqui em meu blog. Este faz parte de uma série de 5 artigos que serão publicados na revista.

Aurora Boreal. Fonte: Curiosando

Uma das maravilhas que a natureza nos proporciona é a poesia das cores da luz, durante as 24h do dia. Nós brasileiros, devido à posição de nosso território no globo terrestre podemos contemplar as nuances coloridas no horizonte quando desperta o sol, ou quando ele se despede ao anoitecer. Por outro lado, os povos que habitam próximo aos polos têm a chance de assistir a outro espetáculo de cores: a aurora boreal no polo norte e aurora austral no polo sul, quando rajadas de ventos solares (neutrinos) colidem com o conjunto de gases de nossa atmosfera. Resultado: um ballet de cores em movimento a altitudes que variam entre 80km a 200km, onde cada cor representa um tipo de gás.

Como o assunto é a cor, olhemos para a realidade tecnológica da iluminação artificial, dos dias atuais. Quem frequenta casas de espetáculos tem a oportunidade de assistir em peças de teatro ou shows de dança e música, uma multidão de cores que dialogam com a cena. Então podemos pensar metaforicamente em linguagem ou linguagens de iluminação, tal qual ocorreu no mundo da pintura ocidental e suas linguagens: pintura medieval, renascentista, barroca, neoclássica, romântica e uma avalanche de “ismos” que caracterizou a pintura moderna (impressionismo, pontilhismo, expressionismo, futurismo, cubismo, primitivismo, raionismo, construtivismo, fauvismo, surrealismo, abstracionismo…). Assim como por traz de cada linguagem pictórica havia um grupo de pintores que a representava, nas linguagens da iluminação cênica há um grupo de artistas que as representam – os iluminadores cênicos. Pintores e iluminadores cênicos têm muito em comum. Refiro-me à maneira como conjugam poeticamente a cor, os contrastes de luz (do brilho mais intenso ao facho mais tênue), os diálogos entre luz, sombra e escuridão, a distribuição dos movimentos de luz que convidam nossos olhos a passear pelas superfícies e vãos que se alternam no espaço. Por trás do repertório poético de cada profissional há o repertório tecnológico com o qual lidam para unir conhecimento e criatividade a serviço da cena a ser iluminada. Os pintores medievais, renascentistas, barrocos faziam de forma caseira suas tintas coloridas com gema de ovo, sangue de animais, metais oxidados, ervas, carvão e óleos vegetais. Após entrevistar dezenas de iluminadores cênicos brasileiros descobri que muitos deles criaram artefatos como mesas de luz, refletores e dimmers, dentre outros, artesanalmente. Souberam dar soluções muito criativas para a obtenção de luz colorida bem como para a obtenção de materiais para montar refletores. Um deles me contou que pegava restos da indústria automobilística, como porta de fusca, e em casa retorcia a chapa para montar um refletor do tipo PC. Eu adoraria compartilhar essas histórias que ouvi desses profissionais aqui nessa coluna, em edições futuras.

Como prometi na edição anterior vou compartilhar com vocês a ideia que o italiano Sebastiano Serlio teve em 1551, e que deu origem à iluminação colorida na cena. Com base na fonte bibliográfica que tenho em meus arquivos, um livro de 1929 chamado The history of stage and theatre lighiting, Sebastiano Serlio trabalhava em um teatro no século 16 e teve a ideia de posicionar algumas velas atrás de garrafas de vidro que estavam cheias de uma mistura de água com líquidos de cor vermelha ou azul. O resultado foi a propagação de luz colorida por causa das propriedades físicas da luz, como reflexão e refração. Para intensificar o efeito, ele teve a ideia de posicionar atrás das velas uma espécie de disco de metal para aumentar o poder de reflexão, como se fosse um espelho. O conjunto então era: garrafas cheias de líquidos coloridos, por detrás delas as velas, e atrás das velas as superfícies metálicas. Caso o prezado leitor tenha interesse em ler esse livro, eu o tenho no formato digital (pdf). Basta solicitar por e-mail: diretoria@jamiletormann.com

Agora nos resta fazer uso da imaginação para vislumbramos o efeito luminoso – cênico – proporcionado pela ideia desse italiano renascentista, numa época onde um ambiente fechado como o teatro dispunha apenas da chama acesa como fonte luz a contracenar com manchas de escuridão. Imaginemos agora as velas, garrafas coloridas e superfícies metálicas a esparramar cores na cena teatral.

Nos dias atuais, o diodo emissor de luz (LED) é a vedete tecnológica. Oferece baixo consumo energético, pouca dissipação de calor e muita variedade de cores. Entretanto, basta ouvir o que pensam os membros da Associação Brasileira de Iluminação Cênica (AbrIC), os membros do Instituto Brasileiro de Tecnologia Teatral (IBTT), e professores do Instituto de Pós-Graduação (IPOG) que juntos formam uma rede cultural de profissionais da iluminação. Eles apontam limites do LED no que tange às respostas dessa fonte de luz ao dinamismo das linguagens da iluminação cênica, mais especificamente no âmbito do teatro, já que no âmbito da iluminação arquitetural já se encontraram soluções para colorir fachadas, por exemplo, e demais elementos estáticos. Pela lógica histórica, o tempo é o recurso que funciona para aperfeiçoar as soluções tecnológicas que nascem rudimentares e limitadas até que se encontrem mais lapidadas para maior proveito em determinada área de atuação, com base nas intenções de cada geração profissional que tenha oportunidade de interagir com os diversos estágios da tecnologia. Foi assim com a iluminação cênica quando na Idade Média se usavam velas e archotes até que estivessem disponíveis os lampiões a querosene e lâmpadas a gás no séc. 19. Com a conquista da eletricidade, uma família de lâmpadas de arco-voltaico e incandescentes aos poucos proporcionou recursos técnicos e artísticos como a dimerização, que ao lado do repertório crescente de tipos de refletores e jogos de cores possibilitaram mais plasticidade na linguagem artística do iluminador cênico que recita sua poesia no espaço. Eu acredito na iluminação cênica como mais um bom ingrediente, dentre as inúmeras formas que nós temos à disposição, para se compreender facetas do mundo da arte e da ciência na conexão entre sensações biológicas, realidade cultural e avanços tecnológicos.

Dos ritos medievais à indústria do entretenimento a iluminação cênica nasceu e se desenvolveu graças àqueles que descobriram como provocar a imaginação humana.

*Farlley Derze é Prof.do Instituto de Pós-Graduação; Dir. de Gestão e Pesquisa da empresa Jamile Tormann Ilum. Cênica e Arquitetural.; membro do Núcleo de Estética e Semiótica da UnB. Doutorando em Arquitetura. diretoria@jamiletormann.com

O cheiro da luz

Por Farlley Derze*

Texto originalmente publicado na Revista Luz & Cena, edição número 148, nov/2011, autorizado pelo professor Farlley a sua publicação aqui em meu blog. Este faz parte de uma série de 5 artigos que serão publicados na revista.

Durante milênios para se produzir luz artificial foi necessário alguma forma de combustão: foi assim com nossos ancestrais paleolíticos das cavernas há aproximadamente 500.000 anos, quando descobriram o valor do fogo para aquecer o grupo e iluminar o espaço noturno. A chama como fonte de luz artificial foi uma situação que perdurou até o final do século 19. Conclusão: a luz artificial tinha cheiro. Uáu! Então nossos tataravós e toda aquela gente famosa como Platão, Cleópatra, Nero, Joana D’Arc, Galileu, Mozart e quem mais você puder se lembrar tinha o seu ambiente noturno iluminado por chamas. Podemos então inverter o velho ditado e dizer: “onde há fogo há fumaça” (e um cheirinho). Roupas, cortinas, cabelos, tapetes, paredes… o ar…, se o ambiente era escuro sem janelas, ou quando a noite chegasse, a luz tinha seu cheiro. De 2009 a 2011, compilei mais de 600 entrevistas em 14 capitais brasileiras com idosos que foram testemunhas da iluminação artificial produzida por uma chama. Ouvi relatos de que ao se dormir com as lamparinas de querosene acesas, à meia-luz, as narinas amanheciam pretas da fumaça. Os cabelos e os pijamas tinham os vestígios do cheiro do querosene. Voltemos no tempo: imaginemos nossos ancestrais das cavernas, Aristóteles ou Beethoven e nossos tataravós que também não conheceram a iluminação elétrica, essa que temos hoje – inodora. Que tal voltarmos nos tempos de Shakespeare para nos sentarmos dentro de um teatro elisabetano e assistir a uma de suas obras à luz de velas? E a fumaça? Há inúmeros filmes de época que mostram a realidade tecnológica da iluminação artificial, e lembrei-me agora do filme “Em nome de Deus”, que se passa no século 12. Lá tem uma cena no interior de uma taberna onde se desenrola uma peça teatral. Você vai ver a quantidade de fumaça que exala das velas situadas na boca de cena – as luzes da ribalta daquela época.

A essa altura você já deve ter concluído: uáu, a luz artificial além de ter cheiro tinha apenas uma cor, a cor amarelada da chama… … inclusive a cor da luz se manteve amarelada mesmo com a chegada das primeiras lâmpadas elétricas no século 19. Basta compararmos a chama acesa da combustão com aquele pedaço de brasa do filamento incandescente que foi engarrafado dentro de uma bolha de vidro. Concordo com sua conclusão, e acrescento um tempero a ela. Foi o químico inglês Humphry Davy que deu o ponta-pé inicial para a conquista da luz elétrica, ao demonstrar em 1802 que um filamento de platina incandescia quando oferecia resistência à passagem da corrente elétrica. Em 1808 ele criou a primeira lâmpada elétrica, que não era incandescente e sim a arco-voltaico, que iluminou cidades da Europa nas duas últimas décadas do séc. 19 e nossa antiga capital Rio de Janeiro até 1920, além de servir ao cinema para projeções até os anos 80. Durante o séc. 19, um francês, um russo e outro inglês inventaram suas lâmpadas elétricas incandescentes, mas nenhum deles teve a perspicácia de Thomas Edison. Foi Thomas Edison que… digamos…socializou o artefato, pois criou a primeira fábrica em 1890 – a Edison General Eletric (GE). Pronto: luz elétrica em casa, luz sem cheiro. Edison tentou 2.000 tipos de filamentos: bambu carbonizado, platina…e até cabelo de seus funcionários ele arrancava de suas cabeças para fazer passar a corrente elétrica…enfim, testava tudo que a imaginação permitisse. Mas foi uma simples linha de algodão (daquelas de costura) que se demonstrou ser o melhor filamento para deixar a lâmpada acesa por aproximadamente 45 horas – um recorde. Bastou impregnar a linha com alguns restos carbonizados que ficavam depositados no fundo dos lampiões a querosene. E a linha enegrecida ficou em brasa com a passagem da corrente elétrica. Luz elétrica, e luz sem cheiro.

Hoje a vedete tecnológica é o LED, isto é, os “diodos emissores de luz”, que eu gosto de pensar neles como uma espécie de vagalumes artificiais.

Agora você chegou a mais uma conclusão: o mundo se coloriu a partir da luz elétrica. Quem não se lembra da luz colorida da lâmpada de néon, inventada pelo químico francês George Claude em 1902? Hoje as cores luminosas estão em telas de computadores, celulares, tablets, TVs, nas ruas e nos olhos apaixonados. Contudo, justiça seja feita, o teatro deu sua contribuição às cores da luz muito antes da eletricidade, lá nos tempos de Pedro Álvares Cabral. Foi uma ideia do italiano Sebastiano Serlio, em 1551, que deu origem à iluminação colorida na cena, história que vou contar na próxima edição. Despeço-me com um abraço a todos os iluminadores cênicos, essas criaturas geniais que criam colmeias de luz na caixa cênica.

*Farlley Derze é Prof.do Instituto de Pós-Graduação; Diretor de Gestão e Pesquisa da empresa Jamile Tormann Iluminação Cênica e Arquitetural; membro do Núcleo de Estética e Semiótica da UnB. Doutorando em Arquitetura. diretoria@jamiletormann.com

A história das listras

por Ligia Fascioni

Uma das coisas que mais me encantam no mercado editorial americano é que o volume de publicações é tão escandalosamente astronômico que dá até para um sujeito escrever um livro sobre listras e seu significado ao longo da história (sim, listras, aquelas faixas compridas de cores diferentes que estampam um tecido).

Não pude resistir a algo assim (como poderia?) e antes de alguém achar que o meu já altíssimo nível de futilidade atingiu o seu extremo, devo dizer que essas informações podem ser bastante úteis para quem trabalha com design gráfico, artes, ilustrações ou qualquer área da comunicação visual.

O livro se chama “The devil’s cloth: a history of stripes” e foi escrito pelo historiador de arte francês Michel Pastoureau (ele também estudou a história de várias cores que já estão na minha lista – sem trocadilhos).

A história começa com o grande escândalo registrado em 1254 em Paris, quando uma ordem de religiosos carmelitas chegada de Jerusalém entrou na cidade usando hábitos listrados de branco e marrom. Reza a lenda que as roupas eram assim porque representavam como as vestes brancas do profeta Elias, fundador da ordem, ficaram após terem passado através de chamas. Como ele não morreu, os hábitos listrados passaram a simbolizar uma espécie de armadura de proteção. Há variações de interpretação dependendo do número e das cores das faixas (as 4 brancas representavam as virtudes cardinais: retidão, justiça, prudência e temperança; e as 3 marrons, as virtudes teológicas: fé, esperança, amor).

Mas voltando ao escândalo, os monges foram motivo de chacota e insultados por todo mundo porque na Europa as listras estavam associadas aos países islâmicos, e, por isso, eram indignas dos cristãos. O caso era tão sério que um clérigo foi condenado à morte, em 1310, não apenas porque se casou, mas principalmente por ter sido pego em flagrante usando roupas listradas.

Mesmo na sociedade leiga havia leis que reservavam as listras para uso exclusivo de bastardos, prostitutas, palhaços, malabaristas, coxos, boêmios, hereges e enforcados, enfim, todos aqueles que não podiam ser considerados cristãos honestos, “gente de bem”. Com o tempo, chegou-se até a ampliar o uso para identificar ocupações menos nobres como ferreiros, moleiros, açougueiros e serviçais menos qualificados. Na época, nem Judas escapou de ser representado usando seu modelito bicolor nas obras de arte. São José, inclusive, que nesse tempo carecia de prestígio (a mulher havia engravidado de Outro), aparece com bastante freqüência usando o padrão. A zebra, coitada, era um animal maldito, desnecessário esclarecer os motivos.

As listras eram associadas ao não puro, não liso, não reto; aquilo que dividia, que mudava (um cristão honesto não podia admitir esse tipo de variedade ou diversidade). Para a cultura medieval, duas cores confrontando-se no mesmo tecido representavam o mesmo que dez cores, ou seja, a transgressão, a rebeldia.
A popularidade veio com a heráldica, onde os brasões se dividiam em cores e, por vezes, incluíam áreas flagrantemente listradas. É que na idade média quase todo mundo podia ter seu brasão (não somente os nobres, como a gente às vezes acredita). A única regra era que o desenho fosse inédito; para se ter uma idéia, 15% da população tinha um escudo para chamar de seu, de maneira que ficou difícil evitar as linhas paralelas. Cada tipo de hachura tinha um nome e as variações eram infinitas. Os códigos das listras não apenas representavam etnias, clãs e grupos familiares europeus; as tribos africanas e os povos andinos da América do Sul mostram que a prática era quase universal. Ah, cabe dizer que, para todos os efeitos, o xadrez era considerado um tipo de super-listra.

Mesmo tão populares, cabe dizer que, na Europa, as listras continuaram tendo uma conotação negativa, sendo mais ou menos pejorativas de acordo com o desenho. Nos brasões, elas invariavelmente indicavam cavaleiros traidores, príncipes usurpadores, plebeus, bastardos, reis pagãos, mercenários e toda a sorte da mais fina “elite” da época.

Aos poucos os significados foram mudando e as listras verticais passaram a ser usadas pela aristocracia; já as horizontais, mais comuns, pelo serviçais. As listras viraram moda, caíram em desuso, voltaram. Nunca chamaram tanto a atenção como nas revoluções (elas representavam transgressão, lembra?) a ponto de virarem figurinha fácil em bandeiras; pelo mesmo motivo, tornaram-se as queridinhas de artistas rebeldes.

Mesmo assim, as listras más, por assim dizer, nunca desapareceram. Elas, na verdade, caracterizam a coexistência de dois sistemas de valores opostos baseados na mesma estrutura.

A etimologia da palavra também revela muita coisa. Em francês, o verbo rayer significa fazer listras, mas também remover, apagar, eliminar e excluir; em resumo, punição. O verbo corriger também tem o mesmo duplo sentido: fazer listras e corrigir. As “casas de correção” servem para punir e as janelas são ornadas com barras que parecem listras. Bars, aliás, podem ser listras ou barras (sem esquecer que sempre se pode “barrar” alguém indesejado).

Em inglês, a palavra stripe pode ser traduzida como listra, mas também é relacionada ao verbo to strip, que pode significar tanto despir como privar, deixar sem, punir.

Em latim, palavras como stria (listra, raia), striga (linha, sulco), strigilis (raspar, arranhar) pertencem à larga família do verbo stringere que, entre outros significados, também pode ser traduzido como fechar, tirar e privar; constringere significa, literalmente, aprisionar. Em quase todas as línguas que se pesquise, listras estão sempre associadas à exclusão, impedimento, punição.

Os medievais acreditavam, inclusive, que além de diferenciar os bons dos maus, as listras também serviam como um portão, ou filtro, para proteger as pessoas fracas das influências nefastas do demônio. Curioso observar que hoje em dia as listras são usadas predominantemente em pijamas. E em qual situação, senão completamente indefesos na nossa cama e em pesadelos, estamos mais vulneráveis à ação dos espíritos malignos?

No início da popularização das listras pelos cidadãos comuns, elas eram usadas apenas nas roupas íntimas. Alguém tem um palpite do porquê? Ora, essas peças tocam as partes “sujas” do nosso corpo. Sem dizer que as listras eram coloridas por tons pastel, ou seja, cores falhadas, quebradas, mutiladas, desbotadas. Com o tempo, todos os objetos e roupas relacionados à higiene (que precisam de “barras de proteção” contra o mal, no caso, a sujeira) também utilizam estruturas bicolores ou multicolores em tons pastel.

O mundo contemporâneo é muito complexo em termos semióticos e estudar listras é um desafio de respeito. Há realmente muito que analisar: as listras das pastas de dente; a presença constante nas marcas esportivas, os onipresentes códigos de barras, o vai e vem do padrão na moda e muito mais (eu fiquei prestando muito mais atenção nas listras quando acabei de ler o livro).

Muita coisa mudou, mas o imaginário coletivo continua representando apenas os marinheiros de mais baixo escalão com uniforme listrado, os presidiários, o malandro carioca e sua indefectível camiseta bicolor e os gânsters em seus ternos de risca…

E você, já se alistou?

 

Vamos ao meu Reader???

Bom, 3 meses sem acessar o meu reader por absoluta falta de tempo…. Vou demorar uma semana pra ver tudo aquilo… Mas vamos dar uma olhada no que tem de interessante por lá.

1 – Polka dot motif
Yayoi Kusama está com uma exposição no Centre Pompidou onde celebra os artistas japoneses com pinturas, esculturas e instalações.

2 – Kevin Kane, da Arktura
Móveis, formas, sombras e texturas. Esse pessoal são feras em desenhar móveis que ajudam na complementação dos ambientes seja pelas formas, cores ou sombras provocadas por eles.

3 – Wandering in Knowledge Installation \ Manuel Dreesmann
O vídeo diz tudo… Lindo!!!

4 – Velas na decoração de Natal
Sou apaixonado por velas e olha só estas três idéias que encontrei no blog da Ana Claudia Cavalcante para o Natal.

ADOREI!!!

5 – Dim Sum Bar, Hou de Sousa
Olhem que balcão lindo desse bar em Quito, no Equador!!!

6 – The Florakids Bathroom Collection by Laufen
Cores e formas para seus filhos ;-))

7 – Hashid > Carne de vaca e/ou arroz de festa

Sinceramente gente? Não aguento mais ver Hashid pipocando em tudo quanto é blog e site. Pra mim, já perdeu a graça faz tempos pois virou um mero copiador de si mesmo. Não, não o vejo mais como um profissional que tem identidade e sim como alguem que encontrou um nicho e uma cor que fez sucesso e depois disso passou a ficar repetitivo, enjoativo, sem graça. Identidade tem é o Rosenbaum que, com projetos super diferentes um do outro, você reconhece a mão e a mente dele só de bater os olhos nas fotos. Já Hashid está se copiando direto, sempre as mesmas formas, sempre a mesma cor, sempre o mesmo. Nem olho mais quando vejo algum post sobre ele pois ja cansei de ver sempre a mesma coisa. Pra mim, virou, como dizem os populares, carne de vaca e/ou arroz de festa. Não passa de mais um que tem $$ para bancar o jabá da mídia “dita especializada”. Ha, o Rosenbaum também tem? Ok, então indico um mega designer autoral: o Vinícius, do Pé Direito Duplo. O cara deixa a sua marca em todos os projetos sem ser nada repetitivo. #ProntoFalei

8 -  Chega de demolir
Sempre que vejo este blog fico triste em perceber que o desrespeito à nossa história não é um problema apenas aqui de Londrina (onde tudo que é “velho” tem de dar lugar ao novo, à “evolução”.
Isso reflete claramente o nível da educação ofertada nos últimos anos que está gerando uma sociedade cada vez mais burra, alienada e egoísta.
É triste vermos diariamente edificações que fazem parte de (e contam a) nossa história irem abaixo.
Mas culpa disso vem especialmente dos empresários gananciosos e do poder público (vendido e corrupto).
Triste. Um povo sem memória é um povo sem história.

9 -  ADOOOOOGOOOOOOOO

Acho até que ja postei essa imagem aqui no blog mas vale a pena repeti-la se for o caso rsrsrsrs

Se alguém souber onde tem pra vender aqui no BR me avisa ;-)

10 – Cansei….

Tem muita coisa ainda em meu reader, mas acho que por hoje já deu rsrsrsr

Então fiquem com estes dois vídeos para encerrar:

Primeiro, um do Qubique Next-Generation Tradeshow:

E agora uma sequência de Natal. São vídeos do Natal do Palácio Avenida, em Curitiba. Muito além de ser um evento MARAVILHOSO devo destacar o trabalho que é feito nos bastidores junto às crianças órfãs. E neste ano, com o tema “O Poder da Música” o espetáculo ganha uma nova dimensão e beleza. As músicas escolhidas este ano levam este tema ao pé da letra, está perfeito! São apenas 4 partes do espetáculo que apresento aqui mas vale a pena ir à curitiba para assisti-lo inteiro.

#mariabethania

Pois é gente, vocês devem ter se assustado com o teor de minha postagem de ontem a noite. Hoje quando acordei abri o blog e li e confesso que eu mesmo me assustei pela acidez na crítica.

Pensei até em mexer no texto para suaviza-lo mas uma vez postado, não seria ético altera-lo.

Aí, eis que entro no Twitter para ver o que estava rolando e dar um sinal de “ooooooiiiii pessoas, tou vivo ainda” e me deparo no TTBR com a HT #mariabethania.

 

Por gostar de algumas coisas dela e também motivado por curiosidade pois ela está desaparecida do cenario musical nacional ja ha muito tempo, fui ver o que era e…

#MURRI…

Pois é gente… sem pobreza mesmo mas apenas para os amigos do rei.

A HT #mariabethania entrou no TTBR (e permaneceu desde a manhã até agora a noite em 1° lugar entrando inclusive na lista nos TTs mundiais) depois que foi divulgado que ela acaba de receber a autorização do MinC para captar patrocinadores para montar e produzir um blog de… poesias….

#KILINDU…

Segundo o projeto, ela vai declamar 365 poesias que serão gravadas em vídeo e serão postadas uma a cada dia em seu blog.

Não tenho absolutamente nada contra o tal blog ser de poesias, não sou um amante delas mas sei o valor que as mesmas tem na cultura inclusive na personalidade das pessoas. É uma belíssima forma de expressão, quando quem as escreve sabe ao menos escrever corretamente.

No entanto o que me deixamuito #PUTODAVIDA é perceber o descaramento de que quando você é amiguinho do rei as Leis são deturpadas em favorecimento seu.

Que se dane o lixo que será produzido por você ou se isso vai gerar algum impacto positivo na sociedade, na cultura ou seja lá em que diabo de lugar for. E também se será mesmo né gente? Afinal até hoje existe muitos artistas que conseguiram esta boquinha e estão com pendências da Lei Rouanet seja por não finalizaram a prestação de contas, seja por não ter realizado o que o projeto inicial previa ou o que for. Preferem acreditar no “esquecimento” da sociedade e no encobertamento dos órgãos públicos.

Vejam bem, a minha indignação é simples de vocês entender:

Ha quanto tempo venho postando aqui nestas páginas as dificuldades em manter este blog atualizado como eu gostaria e sei que vocês leitores merecem, com postagens diárias e de qualidade, conteúdo sério, com embasamento correto e simplesmente não consigo pois tenho uma vida real a cuidar, onde tenho de cuidar de minha casa, cuidar dos projetos de meus clientes, dar atenção à família, manter o meu círculo social e de amigos e tantas outras coisas mais que não tenho como fugir disso?

Se eu paro para postar algo (pesquisar, selecionar, conversar, debater, escrever, rever, avaliar, ilustrar, linkagens, formatar, postar) perco, de brincadeira, uma hora para posts pequenos e rápidos, dos mais generalistas.

Quando o assunto é mais sério, como a Carta Aberta ao Senado Federal (e tantos outros que tem por aqui), tive de parar absolutamente tudo o que estava fazendo por 3 dias em média para conseguir focar-me no assunto e expressar-me de forma coerente e ética.

E tenho aqui vários rascunhos e esboços te posts inacabados por absoluta falta de tempo.

Esse afastar-me incluiu deixar obras abandonadas, sem a minha necessária presença para prevenir erros dos executores, por exemplo.

Também já perdi clientes por dar preferência à postagem aqui no blog – dada a importância do assunto – a encaminhar o orçamento para o cliente. Foi o tempo de uma tarde que demorei para encaminhar e já perdi o mesmo para outro profissional.

Então, como podem ver, se eu paro para atender ao blog, deixo coisas pendentes na vida real (sei que o blog hoje em dia faz parte da minha vida real também). Se me debruço demais sobre este blog, estou perdendo tempo precioso que poderia estar cuidando de projetos (vocês sabem quanto tempo leva para projetar de uma forma no mínimo, decente, alguma coisa) e, tempo é dinheiro.

Logo, deixo de ganhar dinheiro – que também é necessário para manter este blog pois o tamanho dele já superou ha muito tempo a zona FREE do wordpress.

Já percebaram também ha quanto tempo venho lutando para conseguir patrocinadores para este blog e, junto com o ED, para o Portal DesignBR?

Simplesmente não conseguimos sabem porque?

Atrair o olhar ou um mero clique apenas (mesmo que sejam milhões deles) não basta para os empresários. A única vantagem que qualquer pessoa aceita é se terá benefício financeiro em troca. E este benefício só vem através da Lei Rouanet – de renúncia fiscal - onde o montante investido em patrocínios culturais é abatido dos impostos devidos pela empresa ao Governo Federal.

Portanto, é dinheiro público sim!!!

O meu, o seu, o nosso dinheirinho sendo destinados a patrocínios de sei lá que coisas.

No caso específico da #mariabethania fica mais absurdo ainda uma vez que vemos constantemente projetos de alta relevância cultural, histórica, acadêmica e social sendo rejeitados ficando portanto, à mercê de alguma alma caridosa que os ajude a ao menos “boiar para não morrer na praia“.

De projetos de restauração de centros históricos à pesquisas de materiais, equipamentos e outras coisas que geram desenvolvimento e constóem conhecimento,  vemos incontáveis projetos sendo rejeitados e não autorizados pelo MinC a realizar a captação de recursos junto à iniciativa privada para patrocínio.

IES tentando apoio para projetos acadêmicos que terão um impacto positivo na sociedade e acabam tendo de bancar todos os custos sozinhas.

Aí me aparece uma amiguinha do rei e consegue do nada a bagatela de R$ 1.300.000,00 para produzir esse blog.

Gente, esse valor dividido por 356 (dias) – que é o que ela planejou – dá um total de R$ 3.561,44 por dia.

Quem não gostaria de receber um salario desses aí que me atire a primeira pedra!!!!

Imaginem se eu recebesse esse valor assim de mão beijada para manter este blog.

Com certeza faria deste o maior blog de design do planeta pois poderia me dar ao luxo de até mesmo rejeitar clientes e ficar com tempo livre o suficiente para cuidar deste espaço.

Se bobear poderia trabalhar apenas metade dos dias da semana e na outra metade levantar este blog acrescentando inumeras funcionalidades (que são pagas), pagando para algum designer gráfico de renome fazer um layout decente e próprio (e não ficar preso à esses gratuitos e limitados do wordpress), comprar hospedar e manter um domínio próprio, pagar digitadores ou ate mesmo algum designer para editar e manter as atualizações diárias, comprar equipamentos para filmagense gravações para produções de vídeos e reportagens mostrando na rua as coisas que escrevo aqui entre tantas outras coisas mais.

Teria condições de visitar todas as feiras nacionais e trazer para cá as novidades em primeira mão, sem ter de ficar replicando conteúdos já replicados em outros sites e blogs.

Também me dar ao luxo de  ministrar palestras por esse país todo cobrando menos pelo pró-labore e custos pois teria condições de ajudar especialmente os alunos que tentam tanto montar seminarios e congressos e não conseguem as verbas necessárias.

Enfim, seriam muitas as possibilidades.

E assim como eu, sei que muitos outros blogueiros sérios também estão indignados com essa palhaçada.

Vocês leitores sabem que existe uma rede de blogs bastante sérios e que seus autores tem de matar um leão por dia para mantê-los vivos e atualizados. E isto buscando sempre o que há de melhor em conteúdo para vocês.

São blogs que hoje servem como referência bibliográfica nos diversos cursos de Design existentes aqui no Brasil e no exterior, de onde os acadêmicos tiram idéias para as suas produções e trabalhos, pesquisas, artigos, monografias, teses, projetos.

Ou seja, são fontes de CONHECIMENTO, de cultura, de questionamentos, de debates, de conteúdos, de novidades, de pesquisa entre tantas outras coisas.

Assim sendo, não mereceríamos nós blogueiros sérios uma parcela desse bolo também?

Só para conhecimento de vocês, eu já recebi diversas respostas de empresas que contatei para patrocinar este blog ou o Portal DesignBR alegando que, não tendo a autorização do MinC, eles não podem ajudar em nada.

Ainda estou me perguntando qual é a relevância social para que este projeto seja contemplado sabendo que vivemos num país onde a maioria da população é analfabeta funcional, que mal sabem ler o próprio nome, não tem acesso à internet e tampouco fazem idéia do que seja poesia. Também me questiono sobre quais autores serão agraciados por majestosa citação? E o que eles irão ganhar com isso? Entre várias outras ainda que mantem-se entaladas em minha goela e me azedaram o dia todo hoje.

Assim, chego à conclusão de que o meu azedume ao postar ontem a noite só podia ser um pressentimento de alguma coisa ruim ou muito imbecil que estava para acontecer de alguma forma, em algum lugar, sei lá….

E BINGO!!!!

#MARIABETHANIA e #MINC

O Brasil da #putaria e da falta de bom senso descarado!!!!

*Perdão meninas e senhoras por algumas palavras mais pesadas, mas não tem como postar sobre isso usando outras na tentativa de representar com exatidão o sentimento que me toma hoje. ;-)

Sobre a praça citada no post Cidade Limpa

O Marcel do blog Janela Londrinense me mandou um link com um post que ele fez em 2010 falando sobre esta praça. Apesar de ser popularmente conhecida como “praça da bandeira”, na verdade chama-se Praça Mal. Floriano Peixoto.

“Chupei” de lá estas duas fotos que mostram a praça:

 

foto: Yutaka Yasunaka

foto: Yutaka Yasunaka

Perceberam como – bem destacado pelo Marcel – a forma não tem nada a ver com a tal bandeira, salvo uma similaridade?

E também Marcel, agora você já sabe quem desenhou e quem construiu a tal praça ;-)

Mas o que me levou a fazer este novo post – claro, além de mostrá-la a vocês o mais próximo do original possível – é destacar a antiga catedral de Londrina.

Olhem a maravilha que tínhamos aqui em nossa cidade:

 

foto: Yutaka Yasunaka

foto: Yutaka Yasunaka

foto: Yutaka Yasunaka

Pois é, linda, majestosa, imponente.

Sua inauguração aconteceu no dia 24 de outubro de 1943, ainda sem o forro. Somente em fevereiro de 1945 a Igreja foi rebocada e as duas torres ficaram prontas em 1949.

Em junho de 1968, a Igreja Matriz antiga, de material, começa a ser totalmente demolida. Em nome da “evolução”, da modernização e sob a alegação de que precisavam de mais espaço para os frequentadores da igreja, simplesmente derrubaram este patrimônio histórico para a construção disso:

Uma cópia estúpida da forma – que provavelmente estava na moda – de outras tantas existentes por aí. Só em Maringá, que eu sei, existem 4 assim. Lamentável.

Lamentável também ter de engolir os absurdos argumentos, especialmente o acima sobre “espaço” quando vemos santuários com igrejas menores que a antiga catedral de Londrina recebendo milhares de devotos sem terem derrubado sequer um único tijolo das paredes.

Pelo contrário, para conseguir atender a todos, eles simplesmente multiplicam as missas, abrindo mais horários.

Mas aqui em Londrina é assim. Seja por parte da administração pública ou da própria sociedade, o desrespeito à história beira a crueldade e tem seus pés fincados na mais absoluta falta de bom senso.

Desculpem mas faz tempo que eu precisava desabafar sobre isso.

Lei Cidade Limpa – Londrina-PR

Muito bate-boca baseado em argumentos desnecessários tanto por parte da prefeitura quanto da ACIL e comerciantes por causa da Lei Cidade Limpa que foi (?) recém implantada aqui em Londrina. Baseada na mesma lei que foi implantada em São Paulo, aqui ela tem gerado controvérsias e brigas judiciais que, no meu ponto de vista, são totalmente desnecessárias. Está faltando diálogo no lugar de acusações.

A ACIL, que deveria agir com precaução, deixou até mesmo o corporativismo de lado e agiu de maneira inesperada e inoportuna, posso dizer até mesmo emocional e impensada demais. Seria muito mais útil se tivesse procurado informar-se com as associações das cidades que já passaram pela mesma situação e, antes de cometer os mesmos erros, antecipar-se usando a inteligência.

Do outro lado, a prefeitura que insiste em impor normas e regras sem o devido diálogo entre as partes envolvidas seja para o que for. Por sinal, enta administração e sai administração, a prefeitura continua insistindo nos mesmos erros de seus antecessores. Londrina é a única cidade do mundo que tem rotatórias em forma de “S” – o projetista certamente é um fã eufórico do Airton Senna.

Brincadeiras à parte, tem um blog aqui de Londrina sobre arquitetura e urbanismo que, ao conhecê-lo, gostei muito e acrescentei-o ao blogroll aqui ao lado pela seriedade que – aparentemente – levantava assuntos através de seus posts. Lendo meu reader hoje me deparei com mais um excelente texto de seu autor sobre este assunto da Lei Cidade Limpa e postei um comentário que – claro – deverá ser ou não aprovado pelo mesmo.

Ser aprovado ou não?

Nesse momento fui verificar se o comentário que eu tinha feito num outro post do referido blog, falando sobre as horrendas cabines-cópias-fajutas-vermelhas das cabines telefônicas de Londres – que estão querendo enfiar goela abaixo aqui em nossa cidade sob uma falaciosa historização e romantização de uma pseuda e nunca existente colonização desta minha amada terra por ingleses – tinha sido aprovado.

Para minha surpresa e espanto ele não está lá aprovado.

Então, já que meu post não foi aprovado lá, vamos à uma breve aulinha de história sobre minha amada terrinha: Londrina (que foi o conteúdo do comentário censurado).

No comentário proibido, acrescentei alguns dados REAIS sobre a verdadeira história de Londrina para complementar a excelente análise estética/urbana/climática realizada sobre as tais cabines telefônicas.

Postei com argumentos baseados em fatos também REAIS que Londrina não é nem nunca foi uma “pequena Londres” e que não foram os ingleses que colonizaram esta minha terra amada e sim que eles, através da Companhia de Terras Norte do Parana, estavam apenas abrindo novos espaços para venda terras em toda esta região. Que na vila recém aberta em meio a mata nativa permaneceram apenas sete ingleses gerenciando o escritório de vendas de terras e que, na verdade, quem construiu e fez essa cidade “vingar” foram os imigrantes japoneses, italianos e de outras etinias que migraram para cá atras de seus sonhos.

Também informei que a “Praça  da Bandeira” nada tem a ver com o desenho da bandeira inglesa salvo a triste ironia da forma de seu calçamento. Na verdade, não remete à esta bandeira e sim ao FATO de que por esta ter sido construída num momento em que o Brasil passava por um forte sentimento nacionalista, era “norma nacional ” que todos os espaços públicos onde houvessem o Pavilhão Nacional, seus acessos deveriam direcionar ao mesmo e forçar o olhar dos transeuntes para o este elemento de qualquer lado que chegassem. Por isso existem praticamente em todas as cidades, praças com formato semelhante ao da bandeira inglesa. Mas isso não quer dizer que é uma homenagem à esta. Se assim fosse, quantas “pequenas Londres” teríamos de ter espalhadas por este Brasil? Eu que não vou contar todas.

Olhem bem meu caros leitores, qual forma é melh0r que esta para permitir o acesso por todos os lados e trazer para um mesmo ponto central/focal não concordam?

Como eu sei disso tudo?

Simples: foi o meu avô quem desenhou e construiu aquela praça. Minha família chegou aqui em Londrina logo em seu “iniciozinho”. Além de meu avô que construiu e pavimentou grande parte dessa cidade – sim, os paralelepípedos que hoje se encontram sufocados embaixo de camadas de asfalto foram colocados por ele – tem também a minha bisavó que foi a primeira educadora desta vila Londrina quando ainda nem existia escolas por aqui e ela lecionava na garagem de sua residência. No entanto, nem uma escola com o seu nome existe aqui nesta cidade.

Como sempre, a VERDADE dói em alguns pois terão de assumir seus erros e mentiras. Então é melhor deixar quieto, ignorar a verdade e sufocar os que tentam mostra-la. Além de claro, pagar bem para ter matérias jornalísticas apoiando cegamente essas MENTIRAS disseminando a desinformação e deseducando a sociedade.

Mas eu tenho este meu delicioso espaço para poder compartilhar estas histórias com vocês não é mesmo? E melhor: sem sofrer censura dessa gente que só busca desinformar.

Pô prefeitura, faltou um Designer pra fazer o logo?

 

Bom, mas voltando ao tema do tópico, como não sei se meu novo comentário será aprovado lá naquele blog, então vou transcrevê-lo aqui e, claro, acrescentar mais alguns dados já que o espaço me permite isso (e sei que vocês adoram me ler demorada e longamente ahahahah).

Percebo que,

o que tenta ser imposto pelos comerciantes, pela ACIL e pelos publicitários com relação à Lei Cidade Limpa, é uma forma de acomodação. E isso é facilmente percebido pelos “argumentos” postados nos comentários em diversos sites e blogues que vem tratando do “assunto da moda” aqui por estas bandas.

O problema maior? A desinformação que forma a base dessa acomodação.

Ora meus caros, com desculpas como “atrapalhar o trânsito” ou que os clientes “não vão achar determinada loja” entre tantos outros mais no mesmo sentido, só demonstram que vocês não estão dando o devido valor e respeito nem aos seus próprios clientes nem à nossa cidade que os sustenta e abriga.

Para quem tem o costume de ir a São Paulo como eu, sabe perfeitamente que este tipo de argumento é irreal e absurdo. São Paulo continua “andando” e os clientes continuam “achando” o que procuram da mesma forma que antes da lei e sua cidade emporcalhada pelos horrendos frontões sem contudo, provocar qualquer destes “problemas” elencados por vocês  pela web.

A resposta para estas e tantas outras indagações é simples: usar das ferramentas disponíveis no mercado. Principalmente o Design (e suas vertentes lighting, interiores, gráfico e produtos)  buscando uma solução visualmente agradável e dentro da Lei em questão.

São Paulo aprendeu rápido a recorrer a esta ferramenta. Então, porque os londrinenses tem de ficar choramingando e não tratam de aproveita-la?

Não tenho visto grandes alterações até o momento. A maioria das edificações que já tiveram seus frontões retirados, acabaram desnudadas expondo o descaso “por trás das fachadas”.

 

Foto: Lilian Oyama

Para os que desconhecem, a ferramenta mais utilizada atualmente em todo o mundo é o Lighting Design (não é mera iluminação). Este, quando projetado por profissionais especializados, tem efeito muito mais atrativo tanto durante o dia quanto à noite.

Londrina tem edifícios e áreas que merecem um bom projeto de Lighting Design mas o que vemos – aos montes – são aqueles horríveis “splashes” de luzes verdes, violetas, amarelas e assim por diante como se isso desse algum valor ao negócio. Porém o efeito disso – já mostrado em pesquisas – é exatamente o contrário pois, entre outros pontos, além de ofuscar pelo excesso de luz, distorce a marca da empresa ao alterar a sua cor tornando-a, por vezes, irreconhecível.

Já locais – se existem 10 aqui em Londrina é muito – onde a iluminação foi corretamente planejada e projetada, tende a chamar a atenção dos passantes seja pelo destaque focal, pela beleza, pela suavidade, pelo elemento surpresa, pela tecnologia empregada entre tantas outras.

É claro estou aqui “vendendo o meu peixe”, como profissional especializado em Lighting Design que sou, mas sim – e acima de tudo – trazer novos horizontes e educar o mercado e seus gestores.

Também não posso deixar de observar o seguinte:

Dias atrás passando pela rua São Paulo, percebi que numa das quadras a maioria dos frontões já haviam sido retirados. Porém, o que mais me chamou a atenção não foram as fachadas nuas e horríveis pelo descuido do que estava “embaixo do tapete” e sim, a rede elétrica pública emporcalhando e que – agora sem os frontões – acabou ficando totalmente exposta, tornando-se também o ponto focal para o observador.

 

Foto: Lilian Oyama

FICA A DICA:

Se a lei prevê uma cidade limpa, menos agressiva e poluída visualmente então a prefeitura, como gestora principal, tem de fazer a sua parte também.

A ACIL e os comerciantes – mas também toda a sociedade – devem se unir e exigir a imediata (também dentro do prazo da Lei afinal a Lei é igual para todos não é mesmo?) eliminação do abastecimento “aéreo” através dos postes e fiações suspensas através de um projeto de iluminação pública eficiente ( também projetado por especialista e não por uma equipe que insiste em errar nos projetos urbanísticos) incluindo a implantação de cabeamentos subterrâneos promovendo assim o embelezamento urbano de nossa já tão sofrida e deteriorada Londrina que a Lei Cidade Limpa trata.

Se é para deixar a cidade realmente limpa e mais bonita, então que tal encerrar as guerras e dar as mãos trabalhando juntos por isso?

Certamente todos irão ganhar com isso.

Quem passou e quem passa hoje pela rua São Bento em São Paulo (na verdade pela cidade toda) sabe do que estou falando. É uma rua comercial que hoje respira e atrai muito mais clientes do que em sua fase poluída que só atraía marginais, tornando-a um local ermo dentro do centro da cidade. Hoje consegue-se olhar para cima e perceber a cidade que existe acima, coisa que antes era impossível. Também é possível ver a extensão toda da rua o que também era impossível antes. Quando passávamos por lá, a sensação de estar sufocando era constante pois os frontóes de um lado da rua quase se encontravam com os do outro lado em alguns pontos. Isso só era bom para uma coisa: esconder-se da chuva.

Porém, vejam bem nobres empreendedores: agora sem os frontões os transeuntes terão de buscar abrigo onde?

Claro, dentro de suas lojas e isso significa o que?

Heim, heim, heim?

Potenciais vendas inesperadas!!!

Querem coisa melhor que isso?

Estão percebendo como podemos transformar pedras em diamantes? Basta para isso querer e agir?

Embelezamento Urbano é uma soma de ações e, neste caso específico podemos destacar:

A despoluição visual (em todos os níveis e elementos) + A recuperação e renovação urbana + O respeito pela história local + O respeito pela cidade e seus usuários.

Tudo isso tendo como ponto principal o bem-estar e a qualidade de vida urbana.

Portanto, vamos agir com mais serenidade de ambos lados visando esta qualidade de vida que tanto sonhamos e lutamos para mante-la, ao menos, respirando?

Estou aqui à disposição para os empresários que desejarem realmente algo de qualidade e que valorizará o seu empreendimento.

Também estou à disposição da ACIL para conversar com seus diretores e associados sobre o assunto mostrando como o Design pode e deve ser utilizado como ferramenta pró-empreendedorismo e valorização empresarial.

Também estou à disposição dos publicitários para mostrar-lhes como o Design (feito por DESIGNERS REAIS) pode ajuda-los a ampliar o leque de produtos que vocês oferecem agregando qualidade e valorizando os seus produtos para que consigam cobrir as “perdas” provocadas por esta Lei.

Também estou à disposição da mídia para ajudar a apontar o que realmente vale a pena e que seja realmente importante neste e em outros assuntos relacionados à nossa cidade e, principalmente, como o Design pode e deve ser aproveitado para a melhoria e embelezamento urbano e para a vida de qualquer pessoa.

Também estou à disposição para ajudar a prefeitura e a Copel a repensar seus projetos urbanos através do Design, transformando gradualmente a nossa Londrina numa cidade referência não através de matérias elaboradas mas sim com materias que mostrem que aqui realmente se investe em qualidade de vida de forma correta e coerente.

É, estou aqui à disposição.

Veja antes que tirem novamente do ar

Postei aqui ha um tempo atrás – pouco antes do natal – os vídeos da série Lighting Fantastic que a BBC de Londres fez.

Deixei avisado que por questões de direitos autorais aquele material acabaria sendo retirado do Youtube e pimba! Não durou mais que uma semana.

Mas como sempre tem gente “do bem”, os vídeos foram repostados. Então corra e assista pois é uma mega viagem pela história da iluminação.

Ah, clique aqui para a página do youtube com os vídeos. Perceba que são vários capítulos divididos em partes, então atenção na sequência correta para não se perder e achar tudo sem pé e sem cabeça.

Ah, e também uma outra informação: está em inglês.

Só para aguçar a curiosidade, aqui vai a primeira parte do primeiro episódio:

Exposição “Design Brasil – 101 anos de história”

Será inaugurada na terça-feira, 6 de julho, a exposição “Design Brasil – 101 anos de história”, no MCB (Museu da Casa Brasileira), em São Paulo.

A exposição tem curadoria do jornalista e arquiteto Pedro Ariel Santana e traz um panorama do design brasileiro do início do século 20 aos dias atuais, propondo uma discussão sobre a evolução do conceito de morar, da tecnologia e do uso de materiais ao longo do século passado.

Estarão expostas 48 peças símbolos de um século de design, com criações de Joaquim Tenreiro e Sergio Rodrigues até os irmãos Campana e Oscar Niemeyer.

No dia 6 de julho, às 19h30, abertura da mostra, será lançado livro com título homônimo ao da exposição, trazendo o perfil de 83 profissionais e 500 peças.

A mostra poderá ser visitada até o dia 8 de agosto, de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00.

O ingresso custa R$ 4,00, havendo meia-entrada para estudantes, e é gratuida aos domingos e feriados.

O MCB fica na Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 (Jardim Paulistano).

Mais informações pelo telefone (11) 3032-3727 ou no site: www.mcb.org.br.

Via> Design Gráfico

Rhein Partie

É, as festas da iluminação estão ganhando o mundo. Só aqui no Brasil que não acontece nada…

Desta vez foi o Vale de Loreley, na Alemanha, que rendeu-se aos encantos da luz. Na verdade esta é uma mostra mais artística onde foram trabalhadas projeções sobre a paisagem, montes, construções, ruínas e outros elementos às margens do Rio  Reno. O resultado é surpreendente:

Neste trabalho, temos projeções de palavras sobre uma colina.

Aqui temos uma pesquisa da história das ruínas do Castelo de Rheinfels, a montagem grafica e de projeção (com mapeamento arquitetônico) de um filme contando esta história. Musica, imagens e luz.

Neste uma homenagem à reunificação da Alemanha.

Projeções urbanas.

Mais projeções sobre ruínas.

Mapa de localização das instalações.

Infelizmente, para quem vai viajar pra lá, a mostra já foi encerrada, Mas ano que vem, no mês de outubro acontecerá novamente. Então, agende-se.

Homo Luminus

E a história social da iluminação
Por Farlley Derze

Era uma vez o homo erectus, ancestral nômade que para deslocar-se dependia da luz natural para se orientar no espaço (sol, luz, estrelas). Ele soube aproveitar o fogo espontâneo da natureza como fonte de luz e, mais tarde, o produziu artificialmente. Fez iluminação com um repertório tecnológico que a certa altura compunha-se de pedras, madeira, argila cozida nas fogueiras, mechas feitas de pelo animal ou vegetais ressecados (eram os pavios), e gordura animal ou óleos vegetais como combustíveis para as chamas de suas lâmpadas.

A relação do homem com a luz me faz pensar na existência do que vou chamar aqui de “História Social da Iluminação”. Com a evolução das espécies, do homo erectus ao homo academicus, deu-se uma seleção artificial dos materiais empregados para iluminação. No mundo produtivo da luz, entrelaçaram-se o mundo material (dos objetos) e o mundo imaterial (idéias, crenças, valores e concepções) onde fatores como pesquisas, disponibilidade geográfica de recursos energéticos e capacidade de gestão dos interesses políticos, econômicos e sociais determinaram o salto tecnológico dos países europeus, em termos de evolução da iluminação artificial, ao longo da história mundial. Tal salto, graças também à iluminação natural – no verão europeu o pôr-do-sol ocorre por volta das 22 horas na maioria dos países – que permitiu mais tempo para atividades como agricultura, transportes e trocas de informação. Mais tempo de luz, mais tempo para os negócios.

Os europeus aventuraram-se em experiências com gases e eletricidade em meados do século XVIII: Benjamin Franklin (americano), embaixador dos EUA na França, pescou a eletricidade com uma pipa em junho de 1752, numa tempestade do verão europeu; Luigi Galvani, médico italiano, professor de anatomia, em 1780 surpreendeu-se ao ver a pata de uma rã morta mexer-se ao encostar nela seu bisturi “secretamente” carregado de eletrostática; a eletricidade foi armazenada numa pilha inventada em 1789 pelo professor de física italiano, Alessandro Volta, quando resolveu fazer um “sanduíche elétrico” com sua língua onde pôs, acima e abaixo dela, discos metálicos que a fizeram “formigar” (fluxo de elétrons) quando as bordas dos discos foram postas em contato (no interior de sua boca). Em 1802 o químico inglês Sir Humphry Davy demonstrou que filamentos de platina incandesciam-se com a passagem da corrente elétrica armazenada e, em 1808, inventou a primeira lâmpada elétrica a arco voltaico – a luz foi engarrafada. A Europa era a dona de uma revolução industrial, científica e social. Conquistaram-se novas formas de iluminação artificial no início do século XIX. Consequência: as pessoas ganharam os passeios noturnos, momentos de leitura, encontros para troca de idéias, mas também novos horários na jornada de trabalho.

Outra consequência social dessa História Social da Iluminação se deu quando na disputa pela distribuição da energia elétrica Thomas Edison, para defender sua Corrente Contínua, idealizou com um dentista a cadeira elétrica, desde que nutrida por Corrente Alternada, para difamá-la já que essa era defendida pelo seu rival Nikola Tesla.
A História Social da Iluminação oferece uma oportunidade para se conhecer a evolução da mentalidade humana no que se refere à relação funcional e conceitual que se deu (e se dá) entre o homem, a iluminação e seu modo de vida.
      Olhar o passado é útil para não se repetir equívocos, mas também para se iluminar o futuro de uma sociedade estimulada por novas idéias, conceitos e práticas. No século XXI, viva o homo luminus!

Farlley Derze é historiador, mestre em Concepções e Vivências pela Universidade de Brasília (UnB), professor de História da Iluminação do Instituto de Pós-Graduação (IPOG) e coordenador e pesquisador do Núcleo de História da Associação Brasileira de Iluminação (ABIL). (historia@abil.org.br / historia@iluminacao.arq.br)

fonte: Lume Arquitetura

Presente para compensar a minha ausência

E Deus disse:

Faça-se a Luz!

E fez-se a luz.

Olá pessoal, novamente passando e falando de minha correria rsrsrsr

Mas, dessa vez deixo aqui para vocês um mega presente que acabo de encontrar.

Trara-se de um documentário fa BBC sobre a Luz. Eu já o conhecia mas somente em inglês e, agora, para alegria dos preguiçosos, aí está a versão legendada.

Como são 4 episódios divididos em 7 videos cada, sugiro que assistam a 1 episódio por dia.

Espero que vocês curtam e prestem muita atenção pois, por mais que você não queira atuar especificamente em iluminação ou lighting, saber como a luz afeta o nosso dia a dia é imprescindível para projetar.

Como muitos já perceberam, o WordPress ultimamente tem sacaneado com este blog. São imagens que não aparecem, funções que não funcionam e por aí vai. Para segurança e certeza de que vocês conseguirão assistir a estes vídeos aqui vai a página no youtube onde eles estão guardados:

clique aqui

Bom, pra variar os vídeos foram excluídos…. infelizmente.

Links que valem ouro!

Na Folha de São Paulo do dia 01/03/09, no caderno Mais foram publicados diversos links de sites na web sobre os mais variados assuntos. Os links foram selecionados por diversas pessoas, entre elas Vladimir Safatle, Arthur Oscar, Jorge Coli e Ivo Mesquita.

Destaco aqui alguns que visitei e gostei demais:

Web Gallery of Art - organizado por universitários húngaros, é um banco com quase 30 mil reproduções em alta qualidade acompanhadas por comentários pequenos, mas precisos e confiáveis.

Frieze Magazine – Uma revista sobre arte.

ARTFORUM – Tudo o que anda rolando no mundo das artes pelo mundo.

Canal Contemporêneo – Brasileiríssimo! Arte brasileira, agenda, news, etc.

Trópico – também brasileiríssimo, um espaço recheado de críticas sobre a cultura brasileira de um modo geral. Música, teatro, artes plásticas, livros. Muito inteligentes e precisos os textos. Inclusive um que acabo de ler sobre Oscar Niemeyer. Tudo bem que não concordo com a visão do autor sobre a “dispensa” de concursos e licitações em nome do “status” de um nome/grife, mas a visão dele sobre restauração, IPHAN e outras coisas vai bastante de encontro com o que penso: arquitetura não pode ser um elo fechado e acabado em si mesmo.

Forum Permanente – também brasileiríssimo, conta com agenda, novidades, e muitas outras informações sobre museus e artes.

The Prado in Google Earth – uma visita virtual dentro do Museu do Prado, em Madri. Com imagens em altíssima resolução, conseguimos perceber pinceladas, craquelados do tempo entre outras características que só perceberíamos a olho nu – por vezes nem mesmo assim. Com esta tecnologia, cada detalhe, cada personagem das telas ganham vida própria. Vale e muito a pena a visita.

ARTDAILY – todas as exposições do mundo, com fotos, através de uma newsletter.

RHIZOME – arte e tecnologia. Obras divertidas e engenhosas para ocupar a mente durante o tempo de visita.

Bom, tem vários outros bastante interessantes que vou postar depois. Acho que esses já valem bastante e proporcionarão a vocês prazeirosos momentos culturais.

Algumas dicas

Bom pessoal, já perceberam que nesta semana que está terminando eu não postei quase nada. Isso se deve à correria de final de ano.

Quem já trabalha na área sabe que final de ano é sempre assim. Além dos projetos de Interiores e Ambientes dos clientes que querem suas casas renovadas para as festas de fim de ano, temos ainda as decorações natalinas. Haja fôlego.

Mas para não deixar vocês leitores órfãos, vou postar algumas dicas rápidas aqui:

1 – Lar Doce Lar

Para quem curte este programa, pode rever os vídeos das reformas já realizadas através do site

http://tvglobo.caldeiraodohuck.globo.com/lardocelar/

Muito bom!!!!

2 – Cursos de Arte Floral

A Floral Design Brasil está com alguns workshops programados para o final de ano e inicio de 2009. Acesse o site e confira a programação.

3 – Feiras 2009

As feiras de 2009 já estão com o credenciamento online para visitantes.

Kitchen & Bath

Feicon

Movelpar

4 – TV por assinatura

Alguns canais de TV por assinatura oferecem excelentes programas para nossa área.

No Discovery Home&Health está passando uma temporada Eco Renovação. É um programa muito bom sobre novas construções eco-sustentáveis e aquelas já construídas onde os proprietários “compram” as idéias sustentáveis e permitem as implantações propostas pelos arquitetos e designers.

Além desse, tem o Design Divino – com a Candice – que é naquela linha de renovações rápidas. Muita coisa interessante aparece por lá.

Tem também o Trading Spaces onde vizinhos trocam de casa e reformam um dos cômodos. As vezes tudo sai bem, mas de vez em quando erram feio rsrsrsrs Vale a pena.

Já no Discovery Channel, o melhor que acho é o Mega Construções.

No National Geografic Channel encontramos uvasta grade sobre o Meio Ambiente e também alguns sobre engenharia, arquitetura e Design. Além dos sempre excelentes sobre arqueologia e história.

Todos eles apresentam em seu site uma resenha sobre os programas já apresentados e, em alguns casos, vídeos e uma enorme galeria de imagens. Excelente fonte de pesquisa.

Bom, acho que com essas dicas já me redimi pela ausência da semana.

Espero que curtam bastante todas elas.

Vídeos: Semiótica

Eu adoro o Youtube e a cada dia me surpreendo com o que vem sendo disponibilizado por lá. Fiz um apanhadinho rápido de alguns vídeos sobre Semiótica, este elemento simples, que faz parte de nossas vidas mas que muita gente acha um bicho de sete cabeças.

Uma breve história da Semiótica:

A Semiótica trabalha o mundo como um texto…

Nós percebemos o mundo como imagens… Lemos formas…

Mais…

Tem muito mais lá no Youtube!!!

 

Destruição da Restauração – imagens

Deixei bem clara a minha visão sobre Restauração e destruição de bem móveis em meu artigo Destruição da Restauração.

Vira e mexe navegando pela web encontro exemplos claros desse tipo de coisa. Hoje não foi diferente:

Não posso tirar o mérito da artista que tem como foco de seu trabalho transformar mobilias do século 20 em peças de arte contemporânea. Porém, também não posso deixar de colocar que a cada peça original destruída dessa forma que vejo, sinto uma punhalada no coração.

Um crime contra a história das pessoas, da cidade, do País. A história das famílias, a história dos fabricantes mesmo que pequenos anônimos.

Ela bem que poderia trabalhar com cópias não é mesmo?

 

A história das coisas

 

Aposto que muita gente já viu o videozinho The Story of Stuff, ou A História das Coisas, mas para quem não viu, VEJA.

O filme foi escrito pela ativista Annie Leonard, a mesma que apresenta o curta de 20 minutos. A animação é Aindan Fraser, produção Free Range Studios…

Mas não é isso que é importante. Nem mesmo o que a Annie fala é totalmente novidade. Consumismo, descarte, devastação da natureza, poluição, tudo isso está interligado, e com o sistema que temos, a Terra não sobreviverá muito.

A solução mais lógica é criar um ciclo de produção, consumo e descarte que leve em conta a reutilização do descarte como matéria-prima em um sistema sustentável. Hoje, muitas pessoas instituições e algumas empresas estão trabalhando nisso.

Mas o caminho é longo, árduo e vai precisar que todo mundo entre na mesma empreitada. Por isso, a iniciativa da Annie é tão legal, ela explica tudo isso de forma simples, coerente, bem fácil de entender.

Então, divulgue, comente, reflita, incentive e aja de acordo com esses princípios, ou então, tudo vai continuar igual.

Ah, o vídeo é em inglês…

 

sugado: abcdesign

DESTRUIÇÃO DA RESTAURAÇÃO.

Versão remodelada e amplada do texto original.

 

Restaurar? Ofício divino nas mãos de pouquíssimos felizardos, ou melhor dizendo, abençoados. Depende de quem o faz e, são poucos os que realmente tem a concepção exata do que significa isso.

Destruir, modificar, descaracterizar, isso qualquer um faz, até mesmo os bem intencionados que acreditam que isso também é uma forma de restauração.

Existe hoje uma confusão imensa sobre o uso inconseqüente e indevido do termo restauração. Não meus amigos, o que vemos hoje em dia como sinônimos de restauração não passa, na verdade, de uma destruição e desrespeito ao patrimônio seja ele qual for.

Veja bem, não quero dizer que o trabalho dos falsos ou pseudos restauradores não é bom, somente deixar claro o abismo que existe entre o trabalho de um restaurador e o de um destruidor – seria este o termo mais preciso! – mesmo que não, o adotarei a partir daqui.

O termo restauração tem a ver com a ação de recuperação, de trazer de volta o original, revitalizar, reconstruir e reconstituir elementos destruídos utilizando-se das mesmas técnicas e materiais do original sempre que possível e disponível. O cuidado com cada contorno entalhado, cada rebite corroído, amassados em metais, trincos em vidros, tecido repuxado, desbotado, a perfeita e saudável visualização dos veios da madeira e assim por diante. A busca da mesma madeira, a composição da mesma liga metálica, do mesmo verniz ou laca… Tudo é levado muito a sério pra ser rebaixado ou igualado ao trabalho de um modificador.

Quando você tem em mãos um móvel “velho” – é estou falando daquela herança da vovó, que os herdou de sua bisavó e sabe-se lá onde esse trajeto teve início – muitas vezes não se dá conta do valor que este objeto pode ter. Não digo apenas do sentimental ou histórico para a sua família, mas também de um valor real, material, palpável e de um outro ainda que agrega valor: o histórico, de estilo, do período, do artesão que o confeccionou, dos salões por onde já esteve, da história fora da sua família, aquela que é a história da humanidade em algum determinado momento, reflete a realidade social da época.

Este aparador italiano (+- 1400) é um típico exemplar de restauração consciente. Durante todo o processo de restauração desta peça (que pude acompanhar) foram realizadas analises dos vernizes utilizados originalmente, as partes danificadas foram corrigidas utilizando-se as próprias partes, os mármores (extintos) devidamente soldados com materiais específicos. A única parte nova é o espelho pois o original estava quebrado e não permitia restauro. Mesmo assim, foi utilizado um de cristal, conforme o original.

É como uma obra de arte e deve ser respeitado como tal. Cada curva, friso, ângulo, elemento faz parte de um conjunto de coisas que caracterizam o móvel em um determinado estilo e período da história, que compõem a sua harmonia, perfeição. Assim como as técnicas das pinceladas, pigmentos, tecidos utilizados numa tela. Seria tragicômico ver um Botticelli restaurado tendo sido usado tinta acrílica para repor as falhas do tempo. Meu Deus, isso seria caso de internação tanto da proprietária que permitiu quanto da autora do desastre. Da mesma forma que acontece com os móveis.

W. Benjamin define muito bem em seus escritos o que vem a ser a áura de uma obra de arte. Porém ele trata sobre questões técnicas de reproduções de obras de arte. Aquele caso da Monalisa e tantas outras obras que existem às milhares espalhadas nas casas por aí. Esta aura, no caso específico da restauração, pode ser interpretada como o todo citado no parágrafo anterior, seria algo como a vida pulsante da peça a ser restaurada:

“O que caracteriza a autenticidade de uma coisa é tudo aquilo que ela contém e é originalmente transmissível, desde sua duração material até seu poder de testemunho histórico. Como este próprio testemunho baseia-se naquela duração, na hipótese da reprodução, onde o primeiro elemento (duração) escapa aos homens, o segundo – o testemunho histórico da coisa – fica identicamente abalado. Nada demais certamente, mas o que fica assim abalado é a própria autoridade da coisa.” (BENJAMIN, 1980, P.08)

Depois que enfiaram a ditadura das pátinas, decapês e outras técnicas, as revistas entupidas de ambientes recheados de móveis com estas aplicações a impressão é que, até mesmo os profissionais de decoração, interiores e arquitetos perderam a noção do absurdo, do ridículo e do bom senso. Eu cansei de ver – e vejo até hoje – “profissionais” indicando uma patinazinha sobre aquele divano Luis XVI, pasmem, ORIGINAL (!!!!!!) como vi ainda há pouco num fórum de dicas de decoração. E é impressionante que não apenas uma profissional, mas vários, indicaram inúmeras técnicas para uma senhora que recebeu de herança móveis da bisavó que vieram mais de trás ainda. Será que realmente perderam a noção de bom senso ou nunca a tiveram?

Percebam o horror desta peça onde a madeira desapareceu por completo. Toda a textura e volume da peça foi trocado por um visual chapado em um dourado que remete a um falso luxo. Isso se também não levarmos em consideração a troca do tampo (provavelmente um mármore) por este outro.

Por favor gente, quando vocês tiverem em mãos algum objeto antigo, antes de qualquer coisa, questione seu cliente sobre a origem daquilo, a história na família, origens. Caso seja difícil, nada que um bom antiqüer não resolva com uma visita ou até mesmo uma busca pelo Google. Depois disso feito, aí sim tome a decisão sobre o que fazer com aquilo. Mas tenha bom senso, por favor. Não destrua um patrimônio.

Caso seu cliente esteja infectado pelas idéias mirabolantes dos modismos, estude em casa para conseguir traze-lo à realidade e mostrar a ele o valor daquilo. É bem melhor convencê-lo a vender a peça para um antiquário que mandar jogar uma camada de tinta sobre. Veja bem, com o dinheiro que ele ganhará pela peça, certamente vai conseguir mandar fazer uma cópia em madeira menos nobre onde, aí sim, você pode mandar jogar o que quiser em cima sem peso na consciência e sem agredir a história.

A diferença a que me refiro entre os dois profissionais é exatamente esta. Um restaurador cuida do objeto como se fosse um recém nascido. Cerca-o de todo cuidado e trata-o com todo o respeito que ele merece. Pesquisa profundamente inclusive as técnicas construtivas e materiais empregados na época para não incorrer em erros, para não danificar a peça e se danificar acidentalmente, sabe exatamente como reconstruí-la sem descaracterizá-la.

Um destruidor trabalha cegamente na contramão da história. Não leva em consideração absolutamente nada a não ser o quanto ganhará pelo serviço prestado. Ele não consegue ver na sua frente nada mais que uns pedaços de madeira velha. Pode até observar:

- Noooooooossa mas que cadeira lindaaaaaaaaaaaa!

Porém isso não vai passar de mise en scène… Uma tentativa de ganhar o cliente, massageando o seu ego. Mas logo em seguida ele continuará com a sua ânsia destrutiva:

- Um decapê em tons verde forrado com um shantung caramelo vai ficar bárbaroooooo!!!!!

O detalhe não observado na cena acima é que a cadeira em questão é na verdade uma poltrona do estilo Diretório, original. Ai… Este profissional não leva em consideração absolutamente nada, não sabe de nada. Não se importa se a madeira é rara ou já extinta, os frisos suaves e entalhes delicados, as marchetarias e desenhos. Simplesmente vem com suas latas de tintas e preparados pastosos e lança camadas e mais camadas umas sobre as outras, formando aquela massa de quibe que depois de ter imprimido as cerdas do pincel ainda recebe o delicado tratamento das lixas abrasivas que darão o toque final e ele poderá dizer:

- Aiiiiiiiiiiiiiiii!!!! Que luxooooooooooooooooo!!!!!

Desculpem-me, mas isso pra mim é uma cena digna de caracterizar o pior dos infernos de Dante e o dito cujo, o pior dos demônios. É grotesco, pavoroso, insano. Se quiserem suavizar um pouco tudo bem, uma cena digna daqueles enlatados do cinema pastelão onde tudo, por mais ridículo e absurdo que seja, se torna engraçado e consequentemente, aceito.

Para este tipo de coisa seja coerente como eu já escrevi acima. Caso o cliente deseje uma peça de estilo modificada em seu ambiente, não o leve a antiquários nem a lojas de móveis usados para não correr o risco de destruir um pedaço da nossa história. Hoje algumas fábricas fazem cópias exatas de qualquer móvel. Basta apresentar uma foto e, seja ele de que período da história for, eles pesquisam e você o recebe pronto para enviá-lo ao profissional que, aí sim, deixará de ser um destruidor e passará a ser um artista.

Eu não poderia, como amante das artes, deixar de externar a minha indignação e preocupação com este assunto e as conseqüências observadas por aí no dia a dia profissional.

Bem meus amigos, este assunto vai longe, provoca divergências e discussões acaloradas. Alguns se sentirão ofendidos e outros aliviados. Outros conseguirão entender a diferença entre os trabalhos e profissionais e outros conseguirão se manter insensíveis ao tema. Se eu consegui atingir você hoje com este texto, fazendo-o parar e analisar as situações, ou até simplesmente rir com algumas colocações, já está valendo. Já alcancei meu objetivo e minha função como educador e amante das artes.

LD&DA Paulo Oliveira