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Espaço destinado aos interessados na área de Design de Interiores/Ambientes bem como acadêmicos e suas dúvidas.
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O Sol: uma mega-usina de energia logo ali
Em apenas 1 hora o Sol despeja sobre a Terra uma quantidade de energia superior ao consumo global de um ano inteiro. Energia gratuita, renovável e não poluente.
Então porque não aproveitá-la?
Diferente dos aquecedores solares de água comuns hoje em dia, o efeito fotovoltaico transforma a energia luminosa proveniente do Sol em eletricidade para abastecer lâmpadas, TVs, bombas e quaisquer outros equipamentos elétricos.

A crescente demanda global por energia e a importância do impacto das políticas energéticas sobre a sociedade e, principalmente sobre o meio ambiente criam a necessidade de optarmos por uma fonte de energia que possa abastecer a humanidade de forma inesgotável e que possa servir de base para um desenvolvimento sustentável. Com isso, iniciou-se também a pesquisa e o desenvolvimento de produtos ecologicamente corretos e eco-sustentáveis.
Como funciona

O efeito fotovoltaico começou a ser pesquisado em 1954 por cientistas da área espacial que buscavam uma forma eficiente de fornecer energia aos equipamentos dos satélites colocados em órbita. Desde então a energia solar fotovoltaica tem se desenvolvido de forma espetacular e se faz cada vez mais presente em regiões onde a rede elétrica convencional não chega ou não é confiável.
A Energia Solar Fotovoltaica é a energia da conversão direta da luz em eletricidade (Efeito Fotovoltaico). O efeito fotovoltaico é o aparecimento de uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor, produzida pela absorção da luz. A célula fotovoltaica é a unidade fundamental do processo de conversão.

Atualmente o custo das células solares é um grande desafio para a indústria e o principal empecilho para a difusão dos sistemas fotovoltaicos em larga escala. Porém, a tecnologia fotovoltaica está se tornando cada vez mais competitiva, tanto porque seus custos estão decrescendo. Hoje já encontramos equipamentos com preços bastante acessíveis e, em alguns casos, mais baixos que os de equipamentos convencionais.
O atendimento de comunidades isoladas tem impulsionado a busca e o desenvolvimento de fontes renováveis de energia. No Brasil, por exemplo, 15% da população não possui acesso à energia elétrica. Coincidentemente, esta parcela da população vive em regiões onde o atendimento por meio da expansão do sistema elétrico convencional é economicamente inviável. Trata-se de núcleos populacionais esparsos e pouco densos, típicos das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
No Brasil a geração de energia elétrica por conversão fotovoltaica teve um impulso notável, através de projetos privados e governamentais, atraindo interesse de fabricantes pelo mercado brasileiro. A quantidade de radiação incidente no Brasil é outro fator muito significativo para o aproveitamento da energia solar.
Quais as vantagens desta tecnologia ?
A Energia Solar apresenta inúmeras vantagens, principalmente em onde o sol é soberano na maioria das regiões:
• É uma energia limpa: não gera nenhum tipo de poluição.
• Instalação muito simples: não necessita assistência técnica.
• Mínima manutenção: não há desgaste dos módulos ou placas solares.
• Vida útil dos módulos comprovadamente superior a 25 anos.
• Não consome combustíveis.
• Permite sua autosuficiência energética.
• Sem conta de luz, o sol é grátis!

Tanto nos EUA, como na Europa, o desenvolvimento subsidiado da Energia Solar está trazendo a um número crescente de pessoas a certeza de que há uma saída econômica e consciente para a questão energética através da autosuficiência e independência proporcionadas por esta tecnologia.
Graças à explosão da demanda verificada nos últimos anos, existem nesses países diversas organizações, grupos de usuários e revistas especializadas em geração independente de energia.
A Energia Solar é aplicável em quaisquer circunstâncias
Graças a sua modularidade, portabilidade e simplicidade de instalação, a Energia Solar pode ainda ser aplicada a diversas outras áreas de atividade:
• Repetidoras remotas de rádio e TV.
• Telefonia Celular convencional ou por satélite (Iridium ou Globalstar).
• Camping, motor-homes e barcos de passeio.
• Dessalinização de água.
• Iluminação pública.
• Sinalização marítima.
• Abastecimento de campos avançados militares e científicos.
• Até robôs em Marte.
Jangada com orelhão celular em Maceió: Teleja

Fontes:
http://www.energia-solaris.com/iluminacao-energia-solar.html
http://www.ecoviagem.com.br/fique-por-dentro/noticias/ambiente/tecnologias-limpas-e-energias-renovaveis/a-energia-solar-esta-ficando-barata-e-iluminacao-em-leds-fara-parte-do-futuro–6917.asp
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./energia/index.html&conteudo=./energia/solar.html
Ir à uma discoteca e ao mesmo tempo contribuir para o desperdício de energia. Este é o princípio de uma discoteca que abrirá as portas em Roterdam, Holanda, em setembro, e que no último final de semana começou a fazer apresentações em cidades européias para difundir a idéia da pista de dança sustentável.
A Sustainable Dance Club funciona com a própria energia do movimento do corpo dos freqüentadores do lugar. Enquanto as pessoas dançam, ao som de DJs, um sistema sob o assoalho capta a energia gerada pelo movimento na pista e conduz até um gerador que a transforma em eletricidade e na iluminação do estabelecimento.

O projeto, que já funciona como um evento itinerante, inclui abastecimento dos banheiros com água da chuva, paredes que mudam de cor numa reação ao calor e turbinas de vento para arejar o terraço.
A idéia tem contribuído bastante para a economia de energia. Uma danceteria, que funciona três vezes por semana, gasta por ano até 150 vezes mais energia elétrica que um lar. Em função do sucesso do projeto, os idealizadores do clube estão tentando empreender novas danceterias sustentáveis em Nova York, Londres, Amsterdã e Merlbourne.
A danceteria sustentável é um conceito de duas organizações: Enviu - Innovators in sustainability e a empresa de arquitetura Döll.
A primeira exibição foi em Paris, no dia 19 de abril, durante o Salão do Planeta Sustentável. Centenas de pessoas foram testar o princípio e acompanhar a transformação da energia em eletricidade.
O custo de instalação de uma pista ecologicamente correta como essa é alto: 3,5 mil euros (R$ 9,2 mil) o metro quadrado. Mas o idealizador da engenhoca garante que, a longo prazo, a economia compensa, especialmente sob o ponto-de-vista da consciência ambiental.
“O gasto com energia é um dos mais expressivos em um estabelecimento noturno. Se der para economizar e ainda poupar o meio ambiente, melhor para todo mundo”, explica o idealizador do projeto, Daan Roosegaarde.
A pista de dança pode produzir de entre quatro a oito watts por segundo em cada 65cm² de espaço. Para uma discoteca pequena, com 6m² de pista de dança, por exemplo, a produção de energia seria de entre 400 e 700 watts, dependendo, evidentemente, da animação do público.
“A expectativa é de que, para a inauguração da boate, a energia produzida seja capaz de alimentar também a aparelhagem do DJ, além das luminárias. Esperamos que acima de tudo os jovens adquiram mais consciência sobre o quanto eles podem colaborar com a preservação da natureza, mesmo quando pensam estar só se divertindo e fazendo festa”, disse o holandês, que conta com o auxílio da Universidade Tecnológica de Delft para desenvolver o projeto, além do apoio de diversas empresas holandesas públicas e privadas.
A reciclagem da energia não é a única iniciativa do clube - que será apropriadamente chamado de Watt − para conscientizar os jovens. Para os toaletes, será utilizado um sistema de renovação da água da chuva, capturada no telhado.
Antes, porém, a água ainda faz uma participação na decoração do ambiente, passando por uma parede de cascata. Até mesmo os copos de plástico serão lavados e reutilizados várias vezes durante a noite. Para isso, os freqüentadores do local receberão um suporte de copos reciclável − para que não os danifiquem durante o uso.
A danceteria terá capacidade para duas mil pessoas e tem inauguração prevista para o dia 4 de setembro. Até lá, os organizadores pretendem difundir a idéia nas principais capitais européias em salões e exposições de meio ambiente. O próximo evento será no dia 30 de abril, durante a “Festa da Rainha”, tradicional na Holanda e que normalmente deixa um rastro de sujeira plástica para trás.
Da redação, com agências www.portallumiere.com.br
Com o objetivo de estreitar a relação com lojistas do setor de material de construção e capacitar profissionais e consumidores, a empresa de iluminação Golden Plus fechou uma parceria com a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) para participar da Loja Escola do Varejo, que trata-se um centro de desenvolvimento criado pela Anamaco em 2003 para oferecer soluções de varejo e potencializar o relacionamento entre a indústria e o comércio do setor.
Com a parceria, a empresa oferecerá treinamentos gratuitos na área de iluminação. Exemplos disso é o curso voltado para o consumidor final, que terá como tema a iluminação prática e econômica. Serão abordadas dicas sobre as necessidades de conservação de energia; economia de luz com lâmpadas fluorescentes compactas; a relação entre o conforto, economia e decoração; bem como aplicação de lâmpada para cada ambiente, com foco nas residências. Posteriormente, a Golden Plus ministrará também treinamentos direcionados para seus funcionários, lojistas, eletricistas, engenheiros e arquitetos.
O coordenador de Marketing & Produtos da empresa, Hélio Watanabe, afirma que essa parceria “é uma oportunidade de aproximar a Golden Plus dos lojistas associados a Anamaco, fortalecer a marca e difundir os produtos a nível nacional”.
A Loja Escola fica na rua Norma Pieruccini Giannoti n° 423, na Barra Funda, em São Paulo. O horário de funcionamento é das 9h às 18h.
Da Redação www.portallumiere.com.br
Como estão ocorrendo vários comentários com dúvidas, mas estes ocorrendo em tópicos de assuntos diversos, resolvi abrir este espaço para que possam colocar suas dúvidas sobre Light Design em um só espaço.
começo transportando para cá uma dúvida postada por Kamila Rebeca:
“gostaria de saber como é feita a iluminação para expositor de jóias, sendo que se eu tentar colocar diretamente uma luz do teto ao expositor (de vidro) este não ficará bom, e a luz não irá iluminar como deveria. como se faz para que por dentro do vidro mesmo ou por pontos estratégicos as jóias fiquem bem iluminadas??”
Algumas imagens que gosto de olhar e que muito me ajudam e muito nos momentos em que estou projetando.
Ok vamos lá, você é a fonte e objeto de meu trabalho… mostre-me suas características possíveis que trilharei por caminhos impossíveis…












E, claro, como não poderia deixar de estar presente, aquela que reflete o sentimento do cliente sobre o projeto ainda não visto. Aquele mix de espectativa, ansiedade, curiosidade… Sentimentos estes também presentes em nós que projetamos pois só temos certeza absoluta do resultado quando apertamos o interruptor. Antes disso tudo é suposição, projeto, imaginação…

Em 27 de outubro de 2007, na cidade de Londres, Inglaterra, na sessão plenária da PLDC - The Professional Lighting Design Convention - Foi aprovada e proclamada a “Declaração para a Instituição Oficial da Profissão do Designer de Iluminação de Arquitetura”
O texto em língua portuguesa encontra-se abaixo e na coletância de arquivos do Laboratório de Iluminação, endereço http://www.iar.unicamp.br/lab/luz/ld/Diversos/Declaracao_portugues_01.pdf
O endereço do site da PLDA - Professional Lighting Designers’ Association é o http://www.pld-a.org/31.0.html
Declaração para a Instituição Oficial da Profissão do Designer de Iluminação de Arquitectura.
Reconhecida e declarada em Sessão de Plenário da Convenção de Design de Iluminação Profissional (PLDC), em Londres, Reino Unido, a 27 de Outubro de 2007. A 27 de Outubro de 2007, a sessão de plenário da PLDC (a Convenção de Design de Iluminação Profissional) reconheceu e anunciou a Declaração para a Instituição Oficial da Profissão do Designer de Iluminação de Arquitetura, conteúdo que consta no seguinte texto. No seguimento deste marco histórico, a sessão de plenário apela a todas as associações, organizações e publicações, directa e indirectamente relacionadas com a Iluminação, para que divulguem o texto da Declaração, e para que a publicitem junto de todas as instituições educativas, escolas dos diversos ramos do Design e dos cursos de Arquitetura e Engenharia, bem como junto dos respectivos membros dessas associações e instituições.
Prefacio
Reconhecido que está, que são as qualidades especificas, o conhecimento e o saber, a perícia e a experiencia que constituem a instituição da profissão; Visto que o conhecimento sobre Luz e Iluminação, sobre as suas ferramentas, o seu controlo e manipulação se desenvolveu de forma complexa e diversificada; Reconhecido que está, que o impacto que a Luz tem nos seres humanos é do elementar senso comum, e que tem hoje bem mais ramificações para alem da área visual e perceptiva, complexa esta à partida; Visto que as responsabilidades daqueles que lidam com o Design e a especificação de Iluminação para o ambiente humano se desenvolveram de forma muito significativa, Assim e consequentemente, a Sessão de Plenário da Convenção de Design de Iluminação Profissional anuncia que a Declaração para a Instituição Oficial da Profissão do Designer de Iluminação de Arquitetura é um facto a ser oficializado por cada um dos Governos Nacionais e por todas as instituições internacionais que lidem com o reconhecimento de profissões e actividades independentes.
Artigo 1
O Design de Iluminação é a arte e ciência de Iluminar o ambiente humano. Designers de Iluminação são aqueles profissionais que têm a capacidade de aplicar esta arte e ciência a projectos, ajudando ao sucesso destes.
Artigo 2
O Design de Iluminação é uma profissão e uma disciplina distinta de todas as outras da área da Arquitectura, do Design de Interiores e de Equipamento, do Paisagismo, do Urbanismo bem como da Engenharia Electrotécnica.
Artigo 3
Os Designers de Iluminação são parte integrante do desenvolvimento do projecto de Arquitectura. Estes cooperam coordenando a sua actividade profissional junto das outras especialidades relevantes no mesmo projecto, actuando como garante do seu sucesso integral.
Artigo 4
Os Designers de Iluminação são responsáveis pelo design de uma parte do ambiente humano e assim responsáveis pela forma como esse mesmo design é apresentado e pelas suas consequências sobre o design de terceiros. São responsáveis pelo bem-estar das pessoas que usufruem destes espaços submetidos ao processo de design, pelo garante da forma adequada como se deverão sentir nestes espaços, pela eficácia dos utilizadores em levar a cabo tarefas de elevada exigência visual, bem como pela garantia de segurança, todas estas dentro dos limites de influencia que uma Iluminação submetida ao processo de design oferece, ao espaço e aos seus usuários, ou aos objectos iluminados e os seus utilizadores.
Artigo 5
Os Designers de Iluminação são tidos com responsáveis pela sustentabilidade do seu projecto de design.
Artigo 6
Os Designers de Iluminação não são parte da cadeia de fornecedores de um projecto de arquitectura, no entanto, estes tem uma forte ligação a este processo. Os Designers de Iluminação cooperam com todos os intervenientes desta cadeia, desde fabricantes, empreiteiros, representantes oficiais e instaladores, dentro dos limites do seu código de ética, com o objectivo de fazer beneficiar o utilizador final, o cliente e o projecto na sua totalidade.
Artigo 7
O Design de Iluminação tem todas as qualificações exigidas para o seu reconhecimento oficial. Este é leccionado a nível académico, é composto por massa critica de profissionais que o praticam, é sujeito a códigos de deontologia bem como a uma pratica profissional efectiva.
A ABIL - Associação Brasileira de Iluminação - é uma associação de cunho cultural e social criada para estimular o conhecimento da história da luz e divulgar a produção mundial das técnicas e arte de iluminar, priorizando a conservação de energia.
As ações da ABIL buscam orientar os profissionais e o público a utilizar os conceitos de uma melhor qualidade de vida por meio da iluminação adequada, respeitando o meio ambiente e economizando energia. Isto se aplica de maneira global, visando oferecer soluções em iluminação dentro de um conceito novo de urbanismo no qual o ser humano e o cidadão serão contemplados.
Entre as metas para 2008 estão a ampliação da atuação da associação no mercado e do número de associados, e enfatizar os projetos sociais promovidos pela associação tais como o ‘Luz Solidária’.
Versão remodelada e amplada do texto original.
Restaurar? Ofício divino nas mãos de pouquíssimos felizardos, ou melhor dizendo, abençoados. Depende de quem o faz e, são poucos os que realmente tem a concepção exata do que significa isso.
Destruir, modificar, descaracterizar, isso qualquer um faz, até mesmo os bem intencionados que acreditam que isso também é uma forma de restauração.
Existe hoje uma confusão imensa sobre o uso inconseqüente e indevido do termo restauração. Não meus amigos, o que vemos hoje em dia como sinônimos de restauração não passa, na verdade, de uma destruição e desrespeito ao patrimônio seja ele qual for.
Veja bem, não quero dizer que o trabalho dos falsos ou pseudos restauradores não é bom, somente deixar claro o abismo que existe entre o trabalho de um restaurador e o de um destruidor - seria este o termo mais preciso! – mesmo que não, o adotarei a partir daqui.
O termo restauração tem a ver com a ação de recuperação, de trazer de volta o original, revitalizar, reconstruir e reconstituir elementos destruídos utilizando-se das mesmas técnicas e materiais do original sempre que possível e disponível. O cuidado com cada contorno entalhado, cada rebite corroído, amassados em metais, trincos em vidros, tecido repuxado, desbotado, a perfeita e saudável visualização dos veios da madeira e assim por diante. A busca da mesma madeira, a composição da mesma liga metálica, do mesmo verniz ou laca… Tudo é levado muito a sério pra ser rebaixado ou igualado ao trabalho de um modificador.
Quando você tem em mãos um móvel “velho” – é estou falando daquela herança da vovó, que os herdou de sua bisavó e sabe-se lá onde esse trajeto teve início – muitas vezes não se dá conta do valor que este objeto pode ter. Não digo apenas do sentimental ou histórico para a sua família, mas também de um valor real, material, palpável e de um outro ainda que agrega valor: o histórico, de estilo, do período, do artesão que o confeccionou, dos salões por onde já esteve, da história fora da sua família, aquela que é a história da humanidade em algum determinado momento, reflete a realidade social da época.

Este aparador italiano (+- 1400) é um típico exemplar de restauração consciente. Durante todo o processo de restauração desta peça (que pude acompanhar) foram realizadas analises dos vernizes utilizados originalmente, as partes danificadas foram corrigidas utilizando-se as próprias partes, os mármores (extintos) devidamente soldados com materiais específicos. A única parte nova é o espelho pois o original estava quebrado e não permitia restauro. Mesmo assim, foi utilizado um de cristal, conforme o original.
É como uma obra de arte e deve ser respeitado como tal. Cada curva, friso, ângulo, elemento faz parte de um conjunto de coisas que caracterizam o móvel em um determinado estilo e período da história, que compõem a sua harmonia, perfeição. Assim como as técnicas das pinceladas, pigmentos, tecidos utilizados numa tela. Seria tragicômico ver um Botticelli restaurado tendo sido usado tinta acrílica para repor as falhas do tempo. Meu Deus, isso seria caso de internação tanto da proprietária que permitiu quanto da autora do desastre. Da mesma forma que acontece com os móveis.
W. Benjamin define muito bem em seus escritos o que vem a ser a áura de uma obra de arte. Porém ele trata sobre questões técnicas de reproduções de obras de arte. Aquele caso da Monalisa e tantas outras obras que existem às milhares espalhadas nas casas por aí. Esta aura, no caso específico da restauração, pode ser interpretada como o todo citado no parágrafo anterior, seria algo como a vida pulsante da peça a ser restaurada:
“O que caracteriza a autenticidade de uma coisa é tudo aquilo que ela contém e é originalmente transmissível, desde sua duração material até seu poder de testemunho histórico. Como este próprio testemunho baseia-se naquela duração, na hipótese da reprodução, onde o primeiro elemento (duração) escapa aos homens, o segundo – o testemunho histórico da coisa – fica identicamente abalado. Nada demais certamente, mas o que fica assim abalado é a própria autoridade da coisa.” (BENJAMIN, 1980, P.0
Depois que enfiaram a ditadura das pátinas, decapês e outras técnicas, as revistas entupidas de ambientes recheados de móveis com estas aplicações a impressão é que, até mesmo os profissionais de decoração, interiores e arquitetos perderam a noção do absurdo, do ridículo e do bom senso. Eu cansei de ver – e vejo até hoje – “profissionais” indicando uma patinazinha sobre aquele divano Luis XVI, pasmem, ORIGINAL (!!!!!!) como vi ainda há pouco num fórum de dicas de decoração. E é impressionante que não apenas uma profissional, mas vários, indicaram inúmeras técnicas para uma senhora que recebeu de herança móveis da bisavó que vieram mais de trás ainda. Será que realmente perderam a noção de bom senso ou nunca a tiveram?

Percebam o horror desta peça onde a madeira desapareceu por completo. Toda a textura e volume da peça foi trocado por um visual chapado em um dourado que remete a um falso luxo. Isso se também não levarmos em consideração a troca do tampo (provavelmente um mármore) por este outro.
Por favor gente, quando vocês tiverem em mãos algum objeto antigo, antes de qualquer coisa, questione seu cliente sobre a origem daquilo, a história na família, origens. Caso seja difícil, nada que um bom antiqüer não resolva com uma visita ou até mesmo uma busca pelo Google. Depois disso feito, aí sim tome a decisão sobre o que fazer com aquilo. Mas tenha bom senso, por favor. Não destrua um patrimônio.
Caso seu cliente esteja infectado pelas idéias mirabolantes dos modismos, estude em casa para conseguir traze-lo à realidade e mostrar a ele o valor daquilo. É bem melhor convencê-lo a vender a peça para um antiquário que mandar jogar uma camada de tinta sobre. Veja bem, com o dinheiro que ele ganhará pela peça, certamente vai conseguir mandar fazer uma cópia em madeira menos nobre onde, aí sim, você pode mandar jogar o que quiser em cima sem peso na consciência e sem agredir a história.
A diferença a que me refiro entre os dois profissionais é exatamente esta. Um restaurador cuida do objeto como se fosse um recém nascido. Cerca-o de todo cuidado e trata-o com todo o respeito que ele merece. Pesquisa profundamente inclusive as técnicas construtivas e materiais empregados na época para não incorrer em erros, para não danificar a peça e se danificar acidentalmente, sabe exatamente como reconstruí-la sem descaracterizá-la.
Um destruidor trabalha cegamente na contramão da história. Não leva em consideração absolutamente nada a não ser o quanto ganhará pelo serviço prestado. Ele não consegue ver na sua frente nada mais que uns pedaços de madeira velha. Pode até observar:
- Noooooooossa mas que cadeira lindaaaaaaaaaaaa!
Porém isso não vai passar de mise en scène… Uma tentativa de ganhar o cliente, massageando o seu ego. Mas logo em seguida ele continuará com a sua ânsia destrutiva:
- Um decapê em tons verde forrado com um shantung caramelo vai ficar bárbaroooooo!!!!!
O detalhe não observado na cena acima é que a cadeira em questão é na verdade uma poltrona do estilo Diretório, original. Ai… Este profissional não leva em consideração absolutamente nada, não sabe de nada. Não se importa se a madeira é rara ou já extinta, os frisos suaves e entalhes delicados, as marchetarias e desenhos. Simplesmente vem com suas latas de tintas e preparados pastosos e lança camadas e mais camadas umas sobre as outras, formando aquela massa de quibe que depois de ter imprimido as cerdas do pincel ainda recebe o delicado tratamento das lixas abrasivas que darão o toque final e ele poderá dizer:
- Aiiiiiiiiiiiiiiii!!!! Que luxooooooooooooooooo!!!!!
Desculpem-me, mas isso pra mim é uma cena digna de caracterizar o pior dos infernos de Dante e o dito cujo, o pior dos demônios. É grotesco, pavoroso, insano. Se quiserem suavizar um pouco tudo bem, uma cena digna daqueles enlatados do cinema pastelão onde tudo, por mais ridículo e absurdo que seja, se torna engraçado e consequentemente, aceito.
Para este tipo de coisa seja coerente como eu já escrevi acima. Caso o cliente deseje uma peça de estilo modificada em seu ambiente, não o leve a antiquários nem a lojas de móveis usados para não correr o risco de destruir um pedaço da nossa história. Hoje algumas fábricas fazem cópias exatas de qualquer móvel. Basta apresentar uma foto e, seja ele de que período da história for, eles pesquisam e você o recebe pronto para enviá-lo ao profissional que, aí sim, deixará de ser um destruidor e passará a ser um artista.
Eu não poderia, como amante das artes, deixar de externar a minha indignação e preocupação com este assunto e as conseqüências observadas por aí no dia a dia profissional.
Bem meus amigos, este assunto vai longe, provoca divergências e discussões acaloradas. Alguns se sentirão ofendidos e outros aliviados. Outros conseguirão entender a diferença entre os trabalhos e profissionais e outros conseguirão se manter insensíveis ao tema. Se eu consegui atingir você hoje com este texto, fazendo-o parar e analisar as situações, ou até simplesmente rir com algumas colocações, já está valendo. Já alcancei meu objetivo e minha função como educador e amante das artes.
LD&DA Paulo Oliveira
Iluminar é como uma arte e um de meus meios favoritos para a expressão decorativa. Eu sempre busco em todo candeeiro, abajur de chão, abajur de mesa, projetores qualquer coisa com luz que possa ser aplicado de um novo modo interessante. O que me traz a nosso mais recente achado: “Branch Light” por Michail Komarov. Este conceito permite a você definir sua própria forma, sem igual, provendo uma multidão de segmentos curvados e retos em uma variedade de cores facilmente conectadas por tomadas alojadas em circuito com finalizações esféricas. Eu poderia me pôr em experimentação com esta idéia, enquanto tendo tubos claros, embrulhar o redor de uma estante ou planta alta de casa, por exemplo.
Design: Michail Komarov [Por: Design East]


Um dos maiores problemas enfrentados pelos profissionais de Design, principalmente os de Interiores e Ambientes.
Esta área nasceu da arquitetura como complemento do espaço arquitetônico construído, porém, presa a esta área, acabou por estagnar-se e virando uma releitura infindável de espaços já projetados.
Com o advento dos profissionais formados especificamente em Design de Interiores/Ambientes percebeu-se uma mudança ampla e profunda na construção projetual dos ambientes com diferenças fundamentais e significativas na arte de elaborar os projetos.
Isso intrigou os profissionais que vinham trabalhando livremente nesta área, especificamente alguns arquitetos que atuam exclusivamente com Decoração de Interiores, pois estes começaram a perder um nicho de mercado sempre disponível e rentável. Vale lembrar que, com a queda do mercado de arquitetura nas décadas de 70 e 80, os arquitetos migraram para a área de decoração como forma de manter-se no mercado. Decoração que até então era tida como uma profissão ou passa tempo de dondocas. Porém notaram que este era um mercado bastante rentável, dinâmico. Aliados a estes se encontram também profissionais de outras áreas como os de artes plásticas. Suas principais queixas são a de que a formação tecnológica ou seqüencial não capacita a pessoa para o exercício da profissão. Porém esta é uma desculpa descabida e totalmente desvinculada de qualquer fundamento, pois como já citado, não se importam nem mesmo em buscar informações corretas sobre esta formação e vivem em meio aos “achismos” e utopias que crêem piamente como verdades absolutas.
Edgar Morin, em seu livro “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, nos mostra uma realidade que eles insistem em não reconhecer como verdadeira. Todos erram nas interpretações das coisas, ninguém está isento disso, mas, no entanto, encontramos pessoas que agem da seguinte forma:
“Nossos sistemas de idéias (teorias, doutrinas, ideologias) estão não apenas sujeitos ao erro, mas também protegem os erros e ilusões neles inscritos. Está na lógica organizadora de qualquer sistema de idéias resistir à informação que não lhe convém ou que não pode assimilar. As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. Ainda que as teorias científicas sejam as únicas a aceitar a possibilidade de serem refutadas, tendem a manifestar esta resistência. Quanto às doutrinas, que são teorias fechadas sobre elas mesmas e absolutamente convencidas de sua verdade, são invulneráveis a qualquer crítica que denuncie seus erros.” (MORIN, 2000, p.143)
Um arquiteto tem a sua formação voltada à construção do espaço a ser habitado, à construção da escultura idealizada em sonho pelo cliente. Analisando as matrizes curriculares dos cursos de Arquitetura existentes no país, em nenhum deles foi encontrado nada sobre a elaboração de espaços no tangente ao Design de Interiores/Ambientes. Quando muito se encontra algo similar aos conteúdos dos cursos de Decoração. A alegação mais comum diz respeito à disciplina de Arquitetura de Interiores. Porém este é um engano, um engodo e já foi tratado sobre este assunto anteriormente neste trabalho. A tentativa de assegurar a sua participação neste nicho de mercado, pois nas diversas ementas analisadas e conversas com diversos arquitetos, a ementa diz respeito à concepção dos espaços internos no que tange às partes estruturais tais como aberturas, fechamentos, colunas, vigas, escadas (estruturais), elevadores. Em ponto algum consta à concepção de elementos de design ou que venha a adotar meios e técnicas de design de interiores/ambientes.
Design de Interiores/Ambientes nasceu da necessidade de projetos complementares aos projetos arquitetônicos construídos e ponto. Porém o ranço acadêmico na área de Arquitetura fica claro quando alguns arquitetos são questionados sobre suas atribuições: postam-se como deuses capazes de tudo. Segundo suas próprias palavras, é o curso mais completo, complexo e perfeito que existe – é só olhar em fóruns como os da Arcoweb e Orkut que encontrará várias citações desse tipo.
Talvez venha daí que aqui no Brasil exista a cultura no meio arquitetônico de que só eles têm direitos a realizar determinadas funções, especialmente as novas e mais rentáveis, como o Light Design, por exemplo. Temos aqui a AsBAI (Associação Brasileira dos Arquitetos de Iluminação), entidade da qual faço parte como associado. Para ser membro desta basta que você seja mais um arquiteto recém formado ou que tenha mais de 10 anos de atuação exclusiva na área, caso contrário nunca passará de um simples associado. Por mais especializações e cursos em Light Design ou reconhecimento profissional que você venha a fazer e ter, serás sempre um associado. A não ser que aguarde pacientemente os 10 anos passarem. No entanto esta associação se diz ligada e que trabalha segundo os critérios e normas da IALD (International Association of Lighting Designers). Mas analisando os estatutos, regimentos e regulamentos da IALD percebe-se que esta não faz distinção da formação acadêmica do profissional aceitando em seu quadro qualquer pessoa que se especialize nas áreas do Lighting Design, seja este profissional um engenheiro, um arquiteto, um designer (diga-se de passagem, os melhores), artista plástico, músico ou até mesmo aquele vendedor de uma loja de materiais para iluminação da Rua Santa Ifigênia lá de São Paulo e que demonstre competência e criatividade projetual, seja qual for a sua formação. O que importa é o conhecimento, a competência e a qualidade projetual do indivíduo. Porém aqui, exigem conhecimentos técnicos que somente são repassados em faculdades de arquitetura e engenharia como forma de atestar conhecimentos necessários para atuação nesta área. Porém, Francesco Iannone – fundador do IALD, em entrevista à revista Lume Arquitetura (2007) deixa bem claro que isso é incorreta tal exigência, ao definir a profissão de Light Design:
“O destacamento das estratégias de vendas e de outras especialidades profissionais (por exemplo, um Lighting Designer não faz projetos de arquitetura, não faz projeto de elétrica) dá liberdade à criatividade em encontrar uma solução: a criatividade que nasce da fantasia e da cultura. Este pressuposto é fundamental na definição da profissão e é a razão pela qual muitos Lighting Designers se vêem como parte de uma única comunidade criativa e livre.
(…) O projeto especifico de iluminação deve ser feito por um especialista, não pelo arquiteto, pelo engenheiro elétrico ou designer de interiores. De qualquer forma, somente a independência pode ser economicamente interessante ao mercado.
(…) O projeto de um Lighting Designer, enquanto fruto da capacidade criativa de um profissional, deve ser retribuído, assim como um arquiteto ou um engenheiro no projeto de uma casa ou uma ponte. Não se trata de uma consultoria e, sim, de um projeto profissional criativo. (…)”
(LUME ARQUITETURA, 2007. p.7) grifo meu.
Percebam que ele cita a forma de trabalho em parceria com outros profissionais. No caso específico do Light Design, arquitetos, engenheiros elétricos que são ao mais comumente usados. Da mesma forma é o trabalho de um Designer de Interiores/Ambientes. Sabemos de nossas limitações e temos de estar bastante conscientes de até onde podemos ir para então, se necessário, partir para as parcerias. Mas por aqui a coisa sempre tem de andar na contramão ou melhor, em direção à reserva de mercado para alguns poucos.
Ainda dentro deste ponto saliento que há anos existe um grupo que vem lutando pela criação da ABI (Associação Brasileira de Iluminação), entidade esta que pretende congregar todos os profissionais que trabalham com Light Design cobrindo todas as suas áreas nos moldes e padrões da IALD. Porém este grupo vem sofrendo ataques duros por parte de outras associações que, através de políticos e outros meandros, tentam impedir a criação desta. O detalhe é que no grupo da ABI existem arquitetos conscientes de que eles não são os únicos aptos a exercer a função de Light Designer e assumem que existem profissionais de outras áreas tão ou mais competentes que a maioria deles.
A Arquitetura hoje é e deve ser um complexo jogo de quebra cabeças onde cada peça é oriunda de um projeto específico, de um profissional específico, visando a formação do todo, da obra final e assim deve ser trabalhada. Porém, alguns deles não admitem isso e clamam para si todo conhecimento.
Outro caso a ser destacado é o da ABD (Associação Brasileira de Decoradores). Há umas cinco gestões tem em sua presidência e em sua diretoria uma maioria absoluta (senão absoluta) de arquitetos decoradores. Analisando as ações desta associação percebem-se claramente os direcionamentos favoráveis aos arquitetos decoradores e os bloqueios aos Designers e decoradores. Quando são questionados sobre essas e outras atitudes, simplesmente ignoram a não respondem. Quando o assunto toma proporções públicas em fóruns da internet ou em congressos, por vezes surgem tentativas de desmerecimento e descrédito pessoal aos que criticam. Um fato interessante e que merece ser destacado aqui é que quando os Designers de Interiores questionaram a ABD sobre a postura dela no tocante à separação e esclarecimento ao mercado sobre as diferenças entre Decorador, Arquiteto Decorador e Designer de Interiores/Ambientes a atitude deles foi clara: alteraram o nome da mesma de Associação Brasileira de Decoradores para Associação Brasileira de Designers de Interiores. Mas uma coisa ficou bastante clara: eles pegaram todos os profissionais e jogaram todos dentro do mesmo balaio sem fazer distinção alguma da formação. Para eles, hoje todos são Designers de Interiores apesar de ainda existirem nomes fortes lá dentro que teimam em firmar o termo Arquitetura de Interiores para diferenciar os arquitetos. Pra piorar ainda mais, recentemente o vice presidente, Ivan Rezende, proferiu uma palestra no Rio de Janeiro para acadêmicos do curso de Design de Interiores onde ele simplesmente, num ato insano, egoístico, lobysta, confirmou tudo o que coloco acima e ainda mais coisas. Tal fato pode ser observado neste tópico de uma comunidade do Orkut: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=41698&tid=2558987112477533137. Não sou associado da ABD por não concordar com estas e tantas outras atitudes e questionamentos que NUNCA são respondidos.
Para mostrar a incoerência desse ranço de alguns arquitetos contra os Designers vou utilizar aqui um trecho do artigo “Arquitetura, atribuição de arquiteto”[1] do arquiteto Haroldo Pinheiro Villar de Queiroz, publicado na revista A Construção OESP de 2003 (atualizado em 2005) que encontrei na internet. No afã da luta dos arquitetos pela aprovação do projeto de lei da criação do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), para firmar a posição dos arquitetos da necessidade de um conselho próprio, onde as leis e normas profissionais da Arquitetura não fossem elaborados por não arquitetos ele afirma com conhecimento de causa sobre o sistema CREA/CONFEA:
“O equívoco tem início na própria nominação da autarquia – a qual não é federativa e na qual não cabem todas as profissões das quais é “instância máxima”. O Plenário do Confea prevê 18 conselheiros, com a responsabilidade definida acima: são nove engenheiros que alternam a presença de suas várias modalidades, três arquitetos, três agrônomos e três representantes de escolas (de engenharia, arquitetura e agronomia). Necessariamente, nove das 27 Unidades da Federação deixam de estar representadas e seria impensável economicamente sonhar em ter presentes todas as 240 titulações profissionais envolvidas. E, neste Plenário de tantas profissões, conselheiros decidem como “instância máxima” em assuntos profissionais de outras categorias que não as suas. Arquitetos votam em processos da área da engenharia química ou geólogos em questões específicas da agrimensura. Ou seja: ali pode o mais (deliberar em “instância máxima” sobre profissões para as quais não tem as atribuições exigidas pelo próprio Confea) quem não pode o menos (exercer tais profissões, por não ter aquelas atribuições). É inacreditável – e mais ainda se analisarmos a organização das profissões no Brasil ou no mundo. Não existe, aqui ou fora do país, um conselho profissional da saúde, por exemplo, que se arvore a controlar a prática de médicos, enfermeiros, odontólogos, veterinários, fisioterapeutas. Ao contrário, por suas especificidades, cada uma das profissões citadas – e outras mais que atuam na área da saúde – tem seu conselho autônomo, soberano no trato de suas obrigações.Também em nenhum lugar há um conselho que reúna profissões através de um laço econômico-administrativo (para tentarmos outra alternativa): naturalmente, administradores de empresas, economistas, advogados, corretores de imóveis, tem conselhos próprios a disciplinar e dar ao respeito público suas práticas profissionais.”
Interessante, bonito e correto o discurso dele. Entretanto, quando os Designers reclamam que outros profissionais estão tentando puxar o tapete no processo de regulamentação do Design, agindo corporativamente da mesma forma que o sistema CREA/CONFEA faz com eles, não admitem. O coerente e ético seria eles admitirem que, por serem arquitetos e que, profissionalmente, historicamente e didaticamente, o Design separou-se da arquitetura há muito tempo e tem vida própria e independente - se é que realmente algum dia foi ligado à ela como já mostra Acar em seu artigo - portanto, eles nada têm a ver com as questões legais de exercício profissional dos Designers. Ou então, admitir que os Designers participem na elaboração das Leis que regem e normatizam a Arquitetura – mas isso iria certamente contra tudo o que eles acreditam e pregam. Talvez, quem sabe, assim como li outro dia num fórum da internet sobre este assunto onde uma arquiteta dizia que uma das lutas da CAU seria trazer o Design pra dentro deste conselho para ali ser regulamentado, por eles. Não será mais ético e decente dentro deste conselho normatizador termos então 50% de Designers e 50% de Arquitetos? Para finalizar esta parte, continuo com o discurso dele que é bastante pertinente pela própria contradição entre discurso e prática:
“Trata-se de encarar o momento em que vivemos, libertar-nos do conservadorismo imobilizante, do burocratismo auto-imune e ouvir a voz que emana da sociedade brasileira a exigir o futuro. E fazer a nossa parte, na construção de um Brasil mais honesto, justo e contemporâneo de seu tempo.”
(QUEIROZ, 2005, p.1, 4)
Amém!
Contemporâneo de seu tempo, mas sem se esquecer de voltar os olhos para as evoluções do mundo globalizado e contemporâneo que visa o futuro.
[1] Como o texto em questão foi retirado do site onde foi encontrado, acrescento o mesmo, na íntegra, ao final de minha monografia.
Dando sequência, outra parte de minha monografia.
Já apresentei as diferenças anteriormente ligadas à arquitetura, mas vale à pena ressalta-las novamente focando melhor agora, na área do Design e Decoração:
O Decorador é aquele profissional formado (ou não) naqueles cursinhos de finais de semana ou de curtíssima duração (antigos do SENAC, por exemplo). Sua função é a escolha de acessórios como vasos, toalhas, almofadas e afins. Na realidade o seu trabalho não passa de uma maquiagem no já existente.
O Designer de Interiores, além do trabalho do Decorador que vem ao final do projeto tem a função de elaborar o espaço coerentemente, seguindo normas técnicas de ergonomia, acústica, térmico e luminotécnica além de ser um profissional capaz de captar as reais necessidades, explicitas ou não, dos clientes e concretiza-las através de projetos específicos. A reconstrução do espaço a ser habitado ou não através da releitura do layout, da ampliação ou redução de espaços, dos efeitos cênicos e aplicações de tendências e novidades técnicas, do desenvolvimento de peças exclusivas entre outras tantas atribuições deste profissional. Porém seu trabalho restringe-se a ambientes internos.
O Designer de Ambientes está apto a elaborar projetos nos padrões dos de um Designer de Interiores, porém, este não está preso aos limites internos podendo atuar em paisagismo e light design de áreas externas, concepção de praças, clubes e parques. No entanto, sua atuação nas áreas que tenham elementos estruturais, que são aqueles que realmente podem colocar em risco a vida do usuário, assim como a de um Designer de Interiores mantém-se, apenas como formalidade e segurança técnica, sob a supervisão/acompanhamento de um engenheiro estrutural.
Tais atribuições do Designer de Ambientes são sim reais - mesmo que não regulamentadas - pois o mesmo teve em sua formação cadeiras que o habilitam em conhecimento técnico para efetuar tais projetos.
Para o Designer de Interiores e o Designer de Ambientes uma nova realidade começa a despontar no horizonte: a Justiça Federal obrigou o CREA a nos inscrever e fornecer o registro (carteirinha) profissional. Este fato nos libera da sombra de outros profissionais em vários aspectos e partes dos projetos. Porém, através da lentidão da Justiça e imposições de entidades, os processos mantêm-se parados.
Este texto faz parte de minha monografia de pós. Vou começar a dividi-lo em partes para poder postá-los para que algumas pessoas não reclamem dos tamanhos de meus textos.

Para perfeita delimitação das áreas de atuação de um profissional de DA, há que se destacar a diferença de atuação dos diversos profissionais que atuam neste mercado.
Para o público, os profissionais são e fazem a mesma coisa. Genericamente, na cabeça dos clientes todos são arquitetos. Decorador e Designer são sinônimos de arquiteto. Porém, para esclarecer e delimitar as áreas e atuações faz-se necessário o entendimento claro de cada um desses profissionais e de seus trabalhos:
a) Decoração: é aquele profissional que buscou aqueles cursos de curta duração oferecidos por escolas como SENAC ou até mesmo aqueles autodidatas. Suas atribuições são bastante restritas uma vez que o seu conhecimento sobre vários elementos componentes de um projeto é inexistente ou nulo. As suas funções restringem-se à escolha de acessórios (vasos, almofadas, cortinas, outros), móveis, cores para paredes e poucas coisas mais. Param por aí, pois não possuem o conhecimento necessário para interferências mais pesadas no ambiente. Não há projeto e detalhamento de mobiliários específicos.
b) Arquitetura de Interiores: está bem distante da realidade da Decoração ou do Design. O uso deste termo como algo similar ou referente ao DA fez-se tão somente por causa do status e valor – glamour - que o termo arquitetura agrega ao trabalho profissional. Na realidade, Arquitetura de Interiores diz respeito à parte estrutural interna da edificação e dentre essas temos as aberturas, fechamentos, janelas, portas, colunas, vigas, escadas estruturais, mas tem a ver também com a relação entre os espaços, destinação e usos destes espaços, enfim, tudo o que faz parte do esqueleto é Arquitetura de Interiores. É o antes do Design. Apesar de alguns arquitetos¹ alegarem que tiveram durante a sua formação essa disciplina e que ela os habilita para atuação em Design de Interiores, é uma afirmação inverídica, pois no Brasil apenas em cinco cursos constam em suas matrizes curriculares disciplinas específicas em Interiores – e mesmo assim nada de Design aparece nem no nome da disciplina nem no ementário. Este profissional, raramente projeta e detalha móveis e, assim como o Decorador, busca opções já prontas no mercado como móveis de linha ou planejados. Adrian Forty, historiador britânico e crítico de arquitetura, que foi o organizador de um extenso volume da editora britânica Phaidon, “Arquitetura Moderna Brasileira” noz diz:
“Houve algumas mudanças no status da arquitetura brasileira na cena mundial. O Pritzker dado a Mendes da Rocha certamente foi importante. Mas eu ainda tenho a impressão de que o Brasil persiste um tanto isolado em termos de cultura arquitetônica.” (Folha de São Paulo, Ilustrada, 17/06/07).
Anamaria de Moraes, já em 1994 quando da concepção da Matriz Curricular da Especialização em Design de Interiores, quando atuava como docente da Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro, vislumbrava as diferenças entre as áreas e da necessidade e importância da atuação conjunta dos profissionais de arquitetura com os designers na concepção dos projetos de DA quando, nos objetivos do curso coloca, entre outros:
“Integrar o design e a arquitetura de interiores num projeto que considere a otimização espaço, o conforto ambiental e o bem estar do usuário.” (MORAES, 1994)
Já Francesco Iannone, arquiteto italiano, entende que o trabalho multidisciplinar é fundamental, mesmo para a solução de problemas de menor complexidade. Em uma entrevista sua para a revista Lume Arquitetura (2007), ele desconstrói toda a visão totalitarista e onipresente que a arquitetura emprega quando deixa claro o papel do arquiteto e a real necessidade destes profissionais em realizar essas parcerias pelo simples fato de reconhecer que a sua formação não é tão perfeita como alguns arquitetos afirmam. E esta é a característica principal da visão que alguns arquitetos e até mesmo alguns órgãos e associações ligadas direta ou indiretamente à arquitetura no Brasil tem: somos perfeitos e completos.
Aproveito para fazer um aparte neste ponto. Acho engraçado como alguns arquitetos teimam em atacar e atrapalhar o trabalho dos Designers. Digo isso pois pelo visto não deve haver nada de mais importante e sério para eles fazerem como, por exemplo, dentro de suas próprias cidades, junto à administração pública, buscar soluções para as mazelas urbanas. É mais fácil atacar quem está quieto fazendo o seu trabalho para o qual foi devidamente capacitado, treinado e habilitado e não tem poderio de fogo que as prefeituras e câmaras de vereadores exigindo das mesmas que realizem melhorias. Outra coisa é que adoram criticar a péssima fiscalização do CREA sendo que não se dispõem a ajudar. Só coloquei estes dois exemplos para incitar a análise de quem lê este trabalho. Se formos olhar bem para nosso bairro, cidade, estado, país ou planeta não é nada difícil perceber o tanto de trabalho realmente arquitetural há por se fazer. Há coisas mais importantes a se fazer senhores alguns arquitetos.
c) Design de Interiores/Ambientes: o profissional de Design é habilitado para atuar em intervenções que possa ocorrer já desde o momento da concepção do projeto arquitetônico auxiliando o arquiteto a resolver os espaços da edificação de forma a atender melhor as necessidades do cliente. Após a obra pronta, o designer entra em cena para fazer o fechamento/coroamento da obra através da escolha das cores, texturas, revestimentos, mobiliário, os layouts ergonomicamente corretos, a iluminação adequada, o ajuste de algum elemento arquitetônico que esteja atrapalhando ou que esteja esteticamente desagradável. Enfim, o profissional de DA carrega um vasto conhecimento sobre como as pessoas habitam e usam seus espaços. Ele não se preocupa com a escultura que é a edificação e por isso tende a realizar os projetos com maior complexidade e perfeição.
Diferente do que prega um grande arquiteto brasileiro em um livro de sua autoria onde narra uma história ocorrida com uma cliente sua. A mesma foi reclamar com ele pois seu filho pequeno caiu de um beiral com 1,5m de altura e fraturou a perna. Em resposta, ele simplesmente diz que agora ele aprendeu que não se deve chegar próximo do beiral. Um profissional de DA certamente não daria uma resposta absurda dessa apenas com a intenção de proteger a sua escultura, obra de arte.
[1] Antes de qualquer confusão ou generalização como tem ocorrido em alguns fóruns de discussões sobre os assuntos aqui abordados, deixo claro que em nenhum momento eu ou qualquer um dos outros Designers que compartilham desta mesma opinião estamos generalizando. O grifo sobre “alguns arquitetos” (que usarei a todo momento que esta referência aparecer neste trabalho) serve para chamar a atenção ao sentido exato da colocação: ALGUNS profissionais de arquitetura e não TODOS como tem sido interpretada esta colocação exatamente por estes “alguns” com a intenção explícita de provocar todos os outros arquitetos contra os Designers.
por Valmir Perez
Arte – palavra de significado controverso que sugere inúmeras polêmicas e discussões. Para uns, a arte é a aptidão de aplicar habilidades e conhecimentos na materialização de idéias. Para outros, apenas uma atividade do espírito humano sem sentido prático, ou ainda o conjunto de técnicas, regras e preceitos para a realização de uma atividade criativa.
O que significa esse termo para nós humanos que o utilizamos nas mais variadas atividades quando queremos exprimir, por exemplo, níveis e estados tecnológicos, tais como quando dizemos que o estado da arte dos aparelhos e equipamentos de cirurgia intra-uterina ainda não permitem determinadas intervenções? Ou quando dizemos que fulano de tal é um artista no que faz, ou que tal automóvel, equipamento, etc. são uma obra de arte? Nesses casos, não estamos subjetivamente sugerindo que a arte é a culminância da ciência e da técnica em determinada área do conhecimento?
Pois, se é assim, se essa palavrinha de quatro letras significa tudo isso, não seria então óbvio supor que seu estudo se fizesse necessário desde a infância? Que se aprendêssemos suas nuances, seus mistérios e suas técnicas desde a tenra idade não estaríamos mais preparados para enfrentar o mundo, uma profissão, uma carreira? Não seríamos mais livres no pensar e no agir?
E por que o estudo das artes na maioria das escolas brasileiras, sejam elas públicas ou particulares, é tão tímido, tão sem sal? Será que ainda não nos demos conta da importância da velha e sempre nova arte? Pois se grande parte da nossa evolução como seres humanos depende de como nossos sentidos visuais, táteis, auditivos, etc. apreendem o mundo, não estaria faltando alguma coisa em nossa educação? Em nossa formação?
A arte, para os artistas da luz
E para nós, que somos artistas da luz, o que significa essa palavra, esse conceito, essa coisa meio indefinida que preenche nossas vidas, atinge nosso humor alegrando nossos dias, que nos faz pensar sobre nossas existências de maneira mais profunda, que nos deixa impacientes, pensativos, lívidos, lacrimejantes e às vezes revoltados; o que ela nos diz, por que ela nos interessaria?
Penso que se nos interessássemos pela arte e por tudo o que ela pode “significar”, provavelmente nossa razão e intuição se fortaleceriam, pois sairíamos de um estado de passividade em relação aos acontecimentos, de um sono profundo que às vezes nos deixa entorpecidos, sem reação contra os absurdos da vida e da história. Sentiríamos a vida de outra forma, com mais amplitude e profundidade. Vivemos no mundo e, na maioria das vezes, não questionamos nem como as coisas são, nem por que são e muito menos para onde vão. Uma vida voltada ao ter e muito pouco ao “ser”.
Ao contrário do que muitos imaginam – e imaginam exatamente porque imaginam sem conhecer o que estão imaginando – o conhecimento e o envolvimento com a arte não transformam seres humanos em românticos babões. Essa visão distorcida é apenas um resquício do romantismo ingênuo que passou por aqui na época de nossos tataravôs.
No século XIX, a elite brasileira importava cultura européia, que chegando aqui se distorcia, aportando num país que acabara de sair do status de colônia e de apenas subserviência. A arte é muito mais abrangente, muito mais elevada do que apenas versos simplórios de amor platônico, que imagens bucólicas de casinhas de fazenda e que retratos de déspotas do poder.
Os movimentos artísticos e a evolução do pensamento humano
A arte é uma alavanca, uma ferramenta imensa de progresso. Uma alavanca que movimenta o peso da velharia, do que está mofado, abrindo portas, inclusive para que a ciência possa entrar num ambiente mais arejado - ou alguém duvida que a liberdade que temos hoje em nosso comportamento, vestimenta, vida sexual, etc. não foi conseqüência do movimento Hyppie das décadas de 60 e 70, que surgiu impulsionado pela música, que é uma forma de expressão e arte?
Falando sobre movimentos que balançam os espíritos e os fazem acordar de eras antigas, podemos pensar a iluminação como arte, pensar que ela também pode ser um instrumento de reflexão, assim como a arquitetura, que em determinados momentos históricos também contribuiu para que a letargia fosse dispersa, para que o mundo respirasse a acordasse em espaços novos, mais confortáveis, mais humanos.
Para falar sobre esse assunto, penso que primeiramente seria interessante entender que os movimentos na história da arte se apresentam com características senoidais; ondas que ora batem em praias de liberdade, ora em praias de escravidão, ora caem na escuridão da inquisição medieval, ora renascem trazendo de volta valores humanos. Ora a arte é engajada, politicamente atuante, ora tímida, alienada, suntuosa por fora e vazia por dentro.
Para dar maior embasamento, gostaria de situar os leitores num momento histórico das artes bastante decisivo, cuja relevância e reflexos sentimos até o momento. Época de grandes rupturas, em que as regras clássicas já não satisfaziam espíritos mais lúcidos. Estou falando dos movimentos que se iniciaram em fins do século XIX e início do século XX na Europa.
Dentre esses movimentos, dois deles se destacam por nos fazer perceber que a liberdade que encontramos na arte é única, e que, mesmo aparentemente opostas em suas visões e sentidos, grandes idéias sempre se complementam. Estou falando dos movimentos impressionista e expressionista.
Em uma rápida análise das características desses dois movimentos artísticos, podemos idealizar ao menos um pouco o que mentes e corações brilhantes desvendaram, desmitificaram e criaram para a posteridade. O que nos legaram e o que podemos fazer com esse legado para transcender por vez, o nosso tempo.
Um de um jeito, outro de outro
O que chamamos de Expressionismo é a arte alemã de fins do Século XIX e início do século XX. Seus dois maiores centros foram os Fauves (feras) na França e o alemão Die Brücke (a ponte). Os dois movimentos iniciaram suas atividades por volta de 1905 e acabaram por determinar a força que impulsionaria o Cubismo na França, por volta de 1908 e a corrente Der Blue Reiter (O cavaleiro azul), na Alemanha de 1911.
A corrente expressionista na arte pictórica surge como resposta de alguns artistas de cunho mais romântico ao movimento impressionista. O Expressionismo é a antítese do Impressionismo. A expressão é um movimento que vai do interior para o exterior; no Expressionismo o artista imprime sua emoção nos objetos, na criação. Já no Impressionismo o artista se vê absorvido pelo mundo externo, os objetos se imprimem em sua consciência e, por conseguinte, em sua obra. O artista se abre para receber as impressões externas e aplicá-las em sua arte.
Para melhor entendimento poderíamos acrescentar que, no Impressionismo, o artista se coloca numa posição passiva, de puro espectador passivo, o que sugere uma atitude mais sensitiva. Por outro lado, o artista expressionista quer deixar a sua marca no mundo, suas emoções transbordam em sua criação e os objetos ficam carregados com a sua vida interior.
A atitude expressionista é volitiva, chega às raias da agressividade, é a imposição do artista sobre o mundo que o rodeia. Interessante notar que mesmo que o artista receba passivamente a realidade (Impressionismo) ou se coloque em choque contra ele através de reações ativas, cujo movimento é centrífugo (Expressionismo), essas duas correntes de pensamento e criação se baseiam na realidade do mundo. São correntes essencialmente realistas. A possibilidade simbolista é excluída.
O sonho e as visões oníricas não são, de maneira alguma, objetos de atenção e discussão, nem do artista que passivamente se deixa envolver pela realidade externa e nem por aqueles que assumem a responsabilidade de influenciar o externo através de suas ações criativas. Nas palavras de ARGAN 1:
“O Expressionismo se põe como antítese do Impressionismo, mas o pressupõe: ambos são movimentos Realistas, que exigem a dedicação total do artista à questão da realidade, mesmo que o primeiro a resolva no plano do conhecimento e o segundo no plano da ação. Excluí-se, porém, a hipótese Simbolista de uma realidade para além dos limites da experiência humana, transcendente, passível apenas de ser vislumbrada no símbolo ou imaginada no sonho. Assim se esboça daí uma arte engajada, que tende a incidir profundamente sobre a situação histórica, e uma arte de evasão, que se considera alheia e superior a história. Somente a primeira (a tendência Expressionista) coloca o problema da relação concreta com a sociedade e, portanto da comunicação; a segunda (a tendência Simbolista) o exclui, coloca-se como hermética ou subordinada à comunicação, ao conhecimento de um código (justamente o símbolo) pertencente a poucos iniciados.”
Estudando mais especificamente a técnica e ideal dos impressionistas, percebemos que existia a busca pela captação do momento fugaz da natureza da luz sobre as formas, sobre os objetos, numa tentativa de recriar a “impressão” causada pelas luzes e reflexos captados pelos seus sentidos visuais. Pintavam diretamente sobre a tela branca, utilizando na maioria das vezes uma paleta de cores puras, através de pinceladas justapostas, criando alterações da cor percebidas como segundos e terceiros cromatismos.
Numa tentativa de fazer um paralelo entre a pintura e uma obra de iluminação impressionistas podemos supor que o iluminador terá que observar as luzes e reflexos da luz na natureza e nos objetos e recriar suas impressões dessa luz e reflexos na tridimensionalidade, através de fontes, equipamentos, filtros etc. artificiais, mas misturando matizes, formas, alterando ângulos de incidência, intensidade, luminosa, etc. Isso, embora seja apenas uma suposição e não uma regra, pode servir como um exemplo aproximado da técnica.
Já os expressionistas, cuja arte se deixa levar pelos reflexos instintivos, buscavam a subjetividade dramática, a explosão dos sentimentos através da deformação das formas, da utilização de cores irreais e agressivas, numa tentativa de dar “forma” aos medos, à solidão, à miséria humana, aos vícios. Em alguns casos, como o de Gauguin e algumas obras de Van Gogh, fazer transbordar a intensidade da natureza selvagem, dos instintos animais e dos povos primitivos. Na iluminação poderíamos, numa tentativa de exprimir esses ideais, usar os recursos artificiais projetando imagens distorcidas, com cores extremamente saturadas e inconvenientes, criando efeitos dramáticos e “misteriosos” através das sombras, etc.
Esses exemplos (e eles são isso mesmo: apenas exemplos e idéias particulares) não podem ser levados ao status de regra, mas servem apenas para criar na mente do leitor imagens aproximadas desses conceitos.
E eu com isso?
Mas o que isso tem a ver com a gente? Que interesse têm os designers de iluminação se os expressionistas botam a boca no trombone, e através de suas criações exprimem suas emoções latentes, seja através do jogo de contraste entre luzes e sombras, cores ousadas, deformando objetos e seres, enfim, colocando pra fora os sentimentos mais profundos, a alma em movimento nas obras?
E o que importa se, por outro lado, os impressionistas, esses cientistas da física e da cognição, esperam horas e horas até que a luz ideal encontre suas telas, misturando tintas “vivas” para enganar os olhos de quem vê o conjunto, pintando várias vezes o mesmo tema, em horas, dias, estações e anos diferentes, apenas para perceber e se impressionar com a luz?
Podem ter certeza que temos muito a ver com isso! Em nossas obras, expressas através das intensidades das luzes, cores, sombras, das deformações sobre espaços e objetos e tudo o mais que a iluminação “fabrica” com suas intervenções, criamos mundos que sensibilizam. Idéias subjetivas que se concretizam.
Sabendo disso, conhecendo os mecanismos, a mecânica, os princípios dessas técnicas, podemos movimentar essas forças emocionais, essas energias inteligentes, esses turbilhões de sentidos. Isso nos torna, também, responsáveis pelas interações com o nosso tempo, com a história presente e futura. Nesse caso, nossa responsabilidade aumenta, pois, podem ter certeza, não existe arte que não seja engajada, que não participe e não sobreviva de alguma crença.
Mesmo aqueles artistas que se dizem totalmente livres, e, de forma alguma engajados, já estão aí engajados numa forma de pensar e de agir. Em algumas épocas iremos encontrar artistas que pensavam dessa forma, e que achavam que sua arte estava acima de qualquer coisa que fosse mundana. Esses artistas contribuíram enormemente para a decadência moral e ética dos povos, por simplesmente pensar que a arte está sempre acima do bem e do mal.
Que negócio é esse de arte engajada?
Geralmente, quando se fala sobre arte engajada, já vem à mente das pessoas a idéia de que “artista engajado” é aquele que levanta a bandeira de uma idéia política e começa a pintar cartazes de propaganda, freqüentar reuniões às escondidas e falar mal do governo, qualquer que seja ele. Não é nada disso! Isso é outro preconceito que nasceu em algum ponto atrás, na história, e faz os mais reticentes fugirem da discussão. Pior ainda, faz gente inteligente se tornar avessa à atividade de pensar seu tempo, sua história e seu futuro.
Mas e daí? - questionarão alguns - o que é que eu posso fazer se meu trabalho como designer de iluminação é apenas criar beleza, conforto; é apenas criar luzes que irão iluminar os palcos, as exposições, as lojas e shoppings? Isso é um engano! Não criamos apenas beleza e conforto, como criamos também consciência estética, de harmonia, de respeito humano, ecológica em seu sentido mais abrangente; criamos e somos mesmo responsáveis por criar e contribuir na criação de espaços e ambientes mais humanos, de beleza estética em teatros, em espaços públicos.
Somos também responsáveis pelos recursos que nos são colocados à disposição, principalmente quando são recursos públicos, pertencentes ao conjunto da sociedade. Somos responsáveis se nos deixarmos corromper por esse dinheiro ou se nos tornarmos os que corrompem.
Na atualidade, onde os artistas da luz encontram o materialismo e o mercantilismo fortemente enraizados no dia a dia, acentuados pela visão do ganho pelo ganho, a pressão para um engajamento maior contra os absurdos da vida é muito vigorosa, mas não impossível de ser dissipada, pois a sutileza pode ser a nossa arma, nossa saída. A arte pode ser a saída. Nosso posicionamento ético é a melhor saída.
Pressões sociais, econômicas, políticas sempre existiram e ainda são muitas. Artistas de verdade sempre foram aqueles que, de alguma forma, quebraram algemas. Essas algemas possuem formas diferenciadas, dependendo da época e dos lugares elas podem ser políticas, religiosas, de preconceito estético, de preconceito racial, de preconceito econômico etc. Artistas de verdade sempre souberam nesses momentos de crise avaliar a importância de seus trabalhos. Dizer “sim” e “não” com a cabeça erguida, com a consciência à frente de seu tempo, com os olhos num futuro mais grandioso.
Impressionistas, como Monet, Renoir, Manet, Pisarro, Courbet; expressionistas, como Van Gogh, Edvard Munch, Gauguin e muitos outros, contribuíram fortemente para que hoje pudéssemos praticar a arte, qualquer arte, de forma mais livre. Esses homens, esses artistas, em suas épocas, tiveram que arrebentar as algemas que os mantinham e às sociedades, presas ao passado, aos preconceitos.
Seria injusto afirmar que os artistas impressionistas, cujas obras estavam mais focadas em problemas visuais e cognitivos, não estavam engajados, não lutavam contra essas pressões. Da mesma forma seria também injusto afirmar que expressionistas estavam mais preocupados com seus próprios problemas emocionais do que com os de suas sociedades.
Eram artistas engajados, que acreditavam que a arte clássica já não bastava para elevar os espíritos humanos, impulsioná-los a um futuro luminoso, mais livre. Lutaram por vezes batalhas terríveis, com perdas financeiras, familiares, passando por humilhações e muitas vezes vilipendiados por mentes contrárias à evolução dos povos.
O artista moderno
O engajamento do artista não está circunscrito apenas ao que ele defende como arte, mas ao que ele defende e acredita como direito à vida, à evolução, à busca de sociedades mais justas, como respeito a si mesmo. O artista contemporâneo, o artista da luz, da arquitetura, da pintura, ou seja, de qualquer arte, não deve pensar em engajamento apenas como questão de princípio ético, mas acima de tudo, e urgentemente, como questão de sobrevivência.
Fica fácil perceber que pela nossa própria insanidade, pela nossa própria ganância, pela nossa própria preguiça e desrespeito à natureza, estamos contribuindo seriamente para a destruição do planeta. Somos uma espécie ameaçada. Nossa maior ameaça é a nossa covardia em pensar que tudo pode ser resolvido sem a nossa participação.
Mas são nesses tempos de crise que as oportunidades de crescimento pessoal e humano são mais abundantes. Os poemas mais belos foram escritos à luz das velas, no silêncio da pobreza. As mais lindas histórias de amor acontecem em momentos de despedida e o heroísmo aflora aos sons ensurdecedores dos bombardeios aéreos.
Artistas de verdade não se deixam intimidar pelas situações, pelos riscos. Impressionistas e expressionistas somos todos nós, basta estar vivo, atuar no mundo, acreditar que o futuro nos pertence e que não está pronto, mas sendo construído diariamente por nossas próprias escolhas.
1 ARGAN, GIULIO C. Arte Moderna. São Paulo: Editora Schwarks Ltda, 2002. p. 229.
Valmir Perez
Lighting Designer
Laboratório de Iluminação
Unicamp
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Este texto foi originalmente publicado na Revista Lume Arquitetura n. 31 - especial de 5 anos.
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Produtos: um catálogo de todos os produtos da marca Suvinil com especificações e aplicações dos produtos.
Concurso Cultural Cores: A Suvinil renova a sua casa. O que você quer renovar? A sala, o banheiro, um quarto? Conte seu projeto de mudança, que deve ter as cores como principal referência. Você pode ganhar a pintura do cômodo escolhido, com tinta, mão-de-obra e consultoria de decoração da revista Casa Claudia.
Serão 3 projetos premiados. PARTICIPE.
Lá você vai encontrar também uma ferramenta bastante interessante que é o Simulador de Decoração. Uma ferramenta onde você pode fazer o upload de uma foto do espaço que você quer pintar e fazer os testes com as cores ali dentro da plataforma. É uma ferramenta fácil de usar, sem problemas até mesmo para usuários com menores conhecimentos sobre informática. Vale a pena conhecer!
* Este post é um publieditorial.

Segundo a Pantone, esta cor foi escolhida porque combina os aspectos calmantes e estáveis do azul com as qualidades místicas e espirituais da púrpura. Ou seja, supostamente, o Blue Íris satisfaz a necessidade de confiança, num mundo cada vez mais complexo, ao mesmo tempo que adiciona uma pitada de mistério e de excitação ![]()

Já agora, só por curiosidade, a cor do ano passado, 2007, era o PANTONE 19-1557 Chili Pepper… que me gradava muito mais…